segunda-feira, 22 de julho de 2019

Tabela Periódica: frases que ajudam a lembrar dos elementos químicos

A tática ajuda na hora de memorizar os símbolos das colunas do sistema de organização dos elementos químicos

Tabela periódica atualizada de 2019 (Foto: Rottoni/Wikimedia Commons)
TABELA PERIÓDICA ATUALIZADA DE 2019 (FOTO: ROTTONI/WIKIMEDIA COMMONS)

Tabela Periódica tem 118 elementos e, diante deste número, estudar para as provas de química pode parecer um pesadelo. Contudo, diversas artimanhas podem te ajudar nesta missão: o canal do YouTube Periodic Videos, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, possui dicas para explicar cada um dos elementos.

Além disso, é possível aprender os símbolos das famílias – as colunas, também denominadas de "grupos"– lembrando de frases bem curiosas (fiz alguns adendos).
Quer saber mais? Confira abaixo: 


Coluna e frase formada

1
Hoje Li Na Kama Robinson Crusoé em Francês
Hoje Li Na Kasa de Rubens Coisas Francesas

Bete Magrela Casou com o SrBarão Ramos
Bela Margarida Casou com o Senhor Bartolomeu Ramos
4
TiZiraldo viajou com Half e Rafa
5
Vi o Nobel passeando Tarde com o Danúbio
6
Cris Morou com Walter Sargento
7
Minha Torcida é para o Recife, mas moro em Belo Horizonte
8
Fernanda, Ruth, Oscar e Heloísa
9
Como o Rh Irá Multar os funcionários
10
Nicolas Poderia Plantar Damas da noite
11
Cuspi no cão de Agnaldo, ele fez Au como um Rugido
12
Zona Norte tem CadHolograma Construído
13
B
om, Algum Gato Invadiu o Telhado com Ninho
14
Com Sinceridade Geralmente tenho Sonhos Proibidos na Floresta
15
Não é Possível Assar Saborosos Biscoitos no Micro-ondas
Não Pude Assoprar Saborosos Biscoitos no Micro-ondas
16
O S Se Te Porquinhos estão Livres
17
Foi Claudio o Bravo quem Invadiu Atlanta sem Transporte
Foi Clóvis Broxado quem Invadiu Atenas sem Trambique
18
Heitor NeArranca Kriptonita do Xerife de Rondônia que é Ogro
Se quiser melhorar a apreensão, faça musiquinhas, em rima, ou não, em prosa ou ainda em versos!!! Fique à vontade...

2019: ano internacional da Tabela Periódica dos Elementos.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Vestibular-e-Enem/noticia/2019/07/tabela-periodica-frases-que-ajudam-decorar-os-elementos-quimicos.html

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Chernobyl: o pior acidente nuclear na história se transformou em algo que ninguém esperava

imagem de /hypescience.com
Em 26 de abril de 1986, o reator número quatro da Usina Nuclear de Chernobyl sofreu uma explosão durante um teste técnico na então União Soviética, atual Ucrânia.

Como resultado desse acidente, mais de 400 vezes mais radiação foi emitida na região do que a liberada pela bomba atômica derrubada pelos americanos na cidade japonesa de Hiroshima em 1945.

Até hoje, Chernobyl é o maior acidente nuclear da história. O trabalho de descontaminação começou imediatamente após o desastre. Uma zona de exclusão foi criada em torno da fábrica e mais de 350.000 pessoas foram evacuadas. Elas nunca mais voltaram. Severas restrições ao assentamento humano permanente ainda estão em vigor hoje.
Isso pode ser, inclusive, uma das razões pelas quais a área tem prosperado.

O acidente

O acidente teve um grande impacto na população humana. As estimativas do número de mortes variam muito. Embora não existam números conclusivos, a perda de vidas humanas e consequências fisiológicas foram enormes.

O impacto inicial no meio ambiente também foi importante. Uma das áreas mais fortemente afetadas pela radiação foi a floresta de pinheiros perto da usina, conhecida desde então como “Floresta Vermelha”.
Esta área recebeu as maiores doses de radiação – os pinheiros morreram instantaneamente e todas as folhas ficaram vermelhas. Poucos animais sobreviveram aos níveis mais altos de radiação.

Sendo assim, logo após o acidente assumiu-se que a área se tornaria um deserto para a vida. Considerando o longo tempo que alguns compostos radioativos demoram para desaparecer do ambiente, a previsão era de que a área permanecesse desprovida de vida selvagem por séculos.

A surpresa

Hoje, 33 anos após a catástrofe, a zona de exclusão de Chernobyl, que abrange pedaços da Ucrânia e Belarus, é habitada por ursos marrons, bisontes, lobos, linces, cavalos-de-przewalski e mais de 200 espécies de aves, entre outros animais.

Em março de 2019, diversos grupos de pesquisa que estudam a fauna de Chernobyl se reuniram em Portsmouth, na Inglaterra, para apresentar os resultados mais recentes dos seus trabalhos – cerca de 30 pesquisadores do Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Noruega, Espanha e Ucrânia.

Estes estudos incluíram trabalhos sobre grandes mamíferos, nidificação de aves, anfíbios, peixes, abelhas, minhocas, bactérias e folhas.

Os resultados indicam que a região abriga atualmente grande biodiversidade. Além disso, os cientistas confirmaram a falta geral de grandes efeitos negativos dos níveis atuais de radiação nas populações de animais e plantas que vivem em Chernobyl.
Todos os grupos estudados mantêm populações estáveis ​​e viáveis ​​dentro da zona de exclusão.

TREE

O projeto TREE (TRansfer-Exposure-Effects, liderado por Nick Beresford, do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido) instalou câmeras de detecção de movimento em diferentes áreas da zona de exclusão, que ficaram ligadas por vários anos.

As fotos tiradas revelam a presença de fauna abundante em todos os níveis de radiação. As câmeras fizeram a primeira observação de ursos marrons e bisontes europeus dentro do lado ucraniano da zona, bem como o aumento no número de lobos e cavalos-de-przewalski.

O trabalho sobre anfíbios em Chernobyl também detectou populações abundantes em toda a zona de exclusão, mesmo nas áreas mais contaminadas.

Além disso, foram encontrados sinais que podem representar respostas adaptativas à vida com radiação. Por exemplo, as rãs dentro da zona de exclusão são mais escuras do que as rãs que vivem fora dela, o que é uma possível defesa contra a radiação.

Efeitos negativos

Vale mencionar que os estudos detectaram alguns efeitos negativos da radiação em um nível individual.

Por exemplo, alguns insetos parecem ter uma vida útil mais curta e são mais afetados por parasitas em áreas de alta radiação.
Algumas aves também apresentam níveis mais elevados de albinismo, bem como alterações fisiológicas e genéticas quando vivem em localidades altamente contaminadas.
Mas esses efeitos não parecem afetar a manutenção da população de animais selvagens na área.

Impacto humano x nuclear

A ausência geral de efeitos negativos da radiação sobre a vida selvagem de Chernobyl pode ser uma consequência de vários fatores. Primeiro, a vida selvagem pode ser muito mais resistente à radiação do que se pensava anteriormente.

Outra possibilidade é que alguns organismos poderiam estar começando a mostrar respostas adaptativas que lhes permitiriam lidar com a radiação e viver dentro da zona de exclusão sem ter danos.

Além disso, a ausência de seres humanos dentro da zona de exclusão pode favorecer muitas espécies, grandes mamíferos em particular. Talvez as pressões geradas pelas atividades humanas sejam mais negativas para a vida selvagem no médio prazo do que um acidente nuclear – uma visão bastante reveladora do impacto humano sobre o ambiente natural.

O futuro de Chernobyl

Em 2016, a parte ucraniana da zona de exclusão foi declarada como reserva radiológica e ambiental pelo governo nacional.

Ao longo dos anos, Chernobyl também se tornou um excelente laboratório natural para o estudo de processos evolutivos em ambientes extremos, algo que poderia ser valioso, dadas as rápidas mudanças ambientais experimentadas em todo o mundo.
Atualmente, vários projetos estão tentando retomar as atividades humanas na área. O turismo vem florescendo em Chernobyl, com mais de 70.000 visitantes em 2018.

Há também planos para o desenvolvimento de usinas de energia solar na área e para a expansão do trabalho florestal. No ano passado, houve até uma instalação de arte dentro da cidade abandonada de Prypiat.

Nos últimos 33 anos, Chernobyl deixou de ser considerada um deserto em potencial para se tornar uma área de grande interesse para a conservação da biodiversidade. Pode parecer estranho, mas agora precisamos trabalhar para manter a integridade da zona de exclusão como uma reserva natural, para garantir que Chernobyl continue a ser um refúgio para a vida selvagem. [ScienceAlert]

FONTE: https://hypescience.com/o-pior-acidente-nuclear-da-historia-transformou-chernobyl-em-algo-que-ninguem-esperava/

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Sensacional: Escritório de Bill Gates tem parede com todos os elementos químicos

O fundador da Microsoft tem um grande estoque de elementos químicos, como urânio, plutônio e polônio

"Parede periódica" no escritório de Bill Gates (Foto: Reddit)
imagem de revistagalileu.globo.com/
Que Bill Gates é totalmente apaixonado por ciências não é segredo para ninguém. Mas não imaginávamos que seu amor era tão grande a ponto de ele ter uma parede em forma de tabela periódica em seu escritório em Seattle, nos Estados Unidos. Podemos chamá-la carinhosamente de "parede periódica". 

A instalação traz diversos compartimentos cobertos por uma fachada de vidro, sendo cada um destinado a um elemento químico. E o mais interessante nisso tudo é que realmente existe uma amostra de cada um dos elementos correspondente ao que está na placa de seu compartimento. Pode-se ver na imagem até mesmo os locais específicos para os gases, como o Argônio. 

A foto foi compartilhada na rede social Reddit - onde o milionário fundador da Microsoft é conhecido por interagir vez ou outra nos tópicos.

Os usuários ficaram muito curiosos sobre os elementos armazenados na parede de Bill Gates. Um deles questionou sobre a quantidade de plutônio estocada. Outro, ainda, brincou que aquela seria como uma loja nuclear com tudo o que é necessário para desenvolver novas armas. 

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/12/escritorio-de-bill-gates-tem-parede-com-todos-os-elementos-quimicos.html

sábado, 13 de julho de 2019

Os Elementos químicos e a tabela das nações onde foram descobertos

imagem  de  suburbanodigital
Você sabia que o Reino Unido lidera a tabela das nações que mais descobriram elementos químicos? Provavelmente não. Mas a tabela acima pode saciar sua curiosidade.

O Google Science Fair postou essa tabela periódica. Ela é diferente das vistas nos livros de química da escola, pois exibe em quais países cada elemento foi descoberto.

Na liderança do ranking está o Reino Unido, com 24 descobertas. Em seguida estão os Estados Unidos, com 21. A Suécia vem em terceiro, com 20 elementos, seguida pela Alemanha, com 19.

Os elementos mais velhos, como ouro, mercúrio e cobre, aparecem na lista como “ancient discovery” (“descoberta antiga”, na tradução para o português). Isso porque não é possível saber qual é o país de origem desses elementos.

Clique aqui que temos uma tabela maior

FONTE:
http://info.abril.com.br/noticias/blogs/cientifica/curiosidades/veja-em-quais-paises-elementos-da-tabela-periodica-foram-descobertos/

https://suburbanodigital.blogspot.com/2015/02/tabela-periodica-de-bandeiras-dos-paises-onde-os-elementos-quimicos-foram-descobertos.html

domingo, 7 de julho de 2019

Qual é o elemento mais "inútil" da tabela periódica?

Getty Images
imagem de noticias.uol.com.br
PorTiago Jokura
Pergunta enviada por Guilherme Taylor, em Campinas (SP) 

"Inútil" é um pouco forte, né, Taylor? Como me disse Henrique Eisi Toma, do Instituto de Química da USP, "não existe elemento inútil, pois a limitação não está no elemento; está em nossa capacidade de entendê-lo para saber onde aplicar". 

Que tal falarmos, então, de elementos "menos solicitados para finalidades práticas"? Assim conversamos num tom mais política e quimicamente correto. 

Se você tiver uma tabela periódica aí pertinho, dê uma olhada em tudo que está depois do califórnio. Os elementos cujo número atômico (que indica a quantidade de prótons no núcleo de um átomo) é maior que 98 têm tantos prótons, que são conhecidos como elementos superpesados. Eles praticamente não são encontrados na natureza. O mais comum é serem criados em aceleradores de partículas por meio da colisão de átomos de outros elementos. 

Essa não ocorrência na natureza se dá por serem muito instáveis, com meias-vidas que variam de alguns minutos a frações de segundos --a exceção é o dúbnio, que pode durar mais de um dia sem decair. Ou seja, do einstênio ao oganessônio, são 20 elementos químicos artificiais, que só são observados em laboratório - produção em larga escala nem pensar. "Se formos pensar em preços, provavelmente estes seriam os elementos mais caros do planeta, pelo custo envolvido em sua produção", completa o professor Toma. 

Todas essas dificuldades acabam fazendo dos elementos superpesados, por ora, um fim em si mesmo: são produzidos para serem estudados. Tanto eles bastam a si mesmos, que sugiro que o próximo elemento a ser criado, com número atômico 119, seja batizado de narcísio em vez de ununênio - nome que já está reservado para quando ele nascer. 

Mas não há inutilidade nenhuma nisso, repito. Quem me ampara nesse pensamento é o professor Peter Tiedemann, do Instituto de Química da USP, ao afirmar que, "embora os superpesados sejam apenas curiosidades para químicos, são muito interessantes para físicos, pois permitem compreender aspectos importantes da estrutura da matéria". Elementar, meu caro Taylor.


quinta-feira, 4 de julho de 2019

No TCC, estudantes de Química desenvolvem canudo comestível

Invenção brasileira, realizada durante trabalho de conclusão de curso, é feita com bagaços e cascas de frutas e é uma alternativa ao uso de utensílios de plástico
Estudantes de química criam canudo comestível como forma de substituição ao canudo plástico (Foto: Divulgação)
Imagem reprodução
A guerra contra os canudos de plástico ganhou mais um novo aliado: um canudo que, além de biodegradável, é também comestível, com sabor de fruta. A invenção é resultado de seis meses de pesquisa e faz parte do trabalho de conclusão de curso (TCC) de Alex Vidotto, Aline Molena e Ariane Guerra, estudantes de Química da ETEC Amim Jundi, de Osvaldo Cruz, no interior de São Paulo.

Os estudantes produziram um polissacarídeo (substância semelhante ao açúcar) a partir de bagaços e cascas de frutas como abacaxi, morango, uva, manga e maracujá. Em entrevista à GALILEU, o estudante Alex Vidotto conta que foi usado um  solvente para separar o polissacarídeo da parte líquida da solução. Assim, foi possível criar um “pó”, que em contato com os reagentes formou um “filme biodegradável resistente”.

“Nós extraímos os polissacarídeos das frutas e o adicionamos a uma solução com uma polpa e outros reagentes para produzir um filme biodegradável: a partir dele, nós moldamos o canudo”, explica Vidotto.

Canudo comestível tem gosto e cor natural de fruta (Foto: Arquivo Pessoal)
CANUDO COMESTÍVEL TEM GOSTO E COR NATURAL DE FRUTA (FOTO: ARQUIVO PESSOAL)
O canudo, segundo o estudante, é “bastante flexível” e possui o sabor e a cor característica da fruta utilizada para produzi-lo. Nenhum aromatizante é usado no processo e o resultado é um produto que mantém as propriedades naturais das frutas. “O polissacarídeo é muito rico em fibras digestivas e ajuda no funcionamento da flora intestinal”, afirma o aluno.

Para testar se o canudo comestível seria uma boa alternativa à versão de plástico — que demora cerca de 400 anos para se decompor —  foram realizados testes de solubilidade e o produto foi exposto à água do mar. “No teste, ele durou poucos minutos para se dissolver e acreditamos que não passe de alguns dias para ele se degradar”, relata Vidotto, que pretende ainda dar continuidade à pesquisa para implementar o canudo no mercado.

A invenção  tem como objetivo ajudar a diminuir o consumo de plástico no nosso país: segundo dados do Banco Mundial, o Brasil é 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.

Na última terça-feira, 25 de junho, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sancionou o projeto de lei que proíbe o fornecimento de canudinhos de plástico na cidade. No Brasil, 24 estados têm leis estaduais e/ou municipais aprovadas ou em discussão no legislativo para proibir a utilização do utensílio.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2019/06/no-tcc-estudantes-de-quimica-desenvolvem-canudo-comestivel.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Descarte incorreto de lixo eletrônico traz risco de câncer e problemas ambientais

Falta de conscientização é um dos fatores que contribuem para agravar o problema.
Por Daniel Gois, Gabriel Bruno e Marcela Alonso*
Depósito de sucata eletrônica do Settaport: mais de 200 toneladas recolhidas em 2018 — Foto: Daniel Gois
Imagem de g1.globo.com
O lixo eletrônico pode causar câncer e uma série de doenças devido a predominância dos metais pesados. O professor de Engenharia Ambiental Marco Antonio Cismeiro Bumba alerta para problemas causados pelo descarte incorreto desse tipo de resíduo. “A maioria dos metais pesados tende a causar tumores. Eles são bioacumulativos (entram no corpo e se acumulam)", explica.

Segundo Bumba, além dos metais pesados, outros materiais presentes no lixo eletrônico podem causar doenças. O alumínio é outro exemplo, porque se acumula no cérebro.

A contaminação do solo e dos rios também é agravada pelo descarte irregular de lixo eletrônico. “Quando você descarta um celular no lixo, é descartado plástico que vai para o meio ambiente e circuitos com metais que acabam contaminando o solo do lixão”, aponta o professor. “Temos uma grande quantidade deles nos rios. Podem atingir lençóis subterrâneos que abastecem os rios”.

Uma pesquisa de 2017 da Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que o Brasil é o sétimo maior produtor de lixo eletrônico no mundo. Ao todo, o país gera 1,5 milhão de toneladas por ano.

Francisco Antonio Nogueira da Silva, supervisor operacional do Projeto Lixo Eletrônico da fundação Settaport, chama atenção para a falta de conscientização em relação ao descarte. “Há pouco tempo, as pessoas não separavam, porque misturavam todos os tipos de lixo. Acham que pode por lixo eletrônico junto com comida. Esse lixo pode causar câncer e pode afetar o meio ambiente, pode afetar a saúde. O pessoal não entende isso”, aponta Nogueira.

A entidade atua desde 2010 no recolhimento de aparelhos eletrônicos, que são destinados para conserto, venda ou reciclagem. Segundo Francisco Nogueira, mais de 200 toneladas de lixo eletrônico foram recolhidas no ano passado. Após os reparos necessários, os computadores, impressoras e demais equipamentos são doados para escolas e entidades ou reciclados.

Marco Antonio Bumba também chama atenção para a diferença entre aterros e lixões. “O lixão é aquele lugar que o caminhão chega, despeja todo lixo e acabou. Os aterros sanitários são lugares preparados para receber o lixo, para minimizar o impacto desse lixo no meio ambiente. Só que esses aterros estão ficando superlotados. Lixão é um problema sério”.

Diferentemente do lixo orgânico, que libera CO2 e se decompõe rapidamente, o lixo eletrônico tem caráter bioacumulativo. Ele deve ser separado e descartado de forma “consciente”, diz Bumba.Ao invés de ser descartado no meio ambiente, o lixo pode se tornar uma fonte de renda, diz o professor. Ele cita como exemplo o reaproveitamento de pneus para produção de asfalto.

Para Francisco Nogueira, do Settaport, público “não entende” as consequências do descarte incorreto  — Foto: Daniel Gois
Imagem de g1.globo.com
"As empresas precisam começar a pensar que lixo é uma oportunidade de negócio. Existem materiais que até pouco tempo eram considerados lixo e hoje são matéria-prima para outras empresas", aponta o professor.

O supervisor do Settaport afirma que a conscientização sobre os problemas do lixo eletrônico é o grande passo para combater o problema. "Tudo é parte da educação. Falta às autoridades responsáveis mostrar como é que separa".

"O homem tem um novo preconceito", afirma Bumba, para explicar por que existe tanto descaso com o lixo. "Ele se acha o ser vivente superior da natureza, porque não se preocupa com outros seres viventes. Ele se acha superior aos demais", conclui.

*Sob supervisão de Alexandre Lopes.




FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/educacao/noticia/2019/06/15/descarte-incorreto-de-lixo-eletronico-traz-risco-de-cancer-e-problemas-ambientais.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1&utm_content=post

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Instituições da Rede Federal (IFs) reafirmam liderança no Enem

A imagem pode conter: 6 pessoas, pessoas sorrindo
Imagem de Ifba campus Ilhéus/Ba (facebook)
O desempenho dos 38 institutos federais, dois centros federais de educação tecnológica (Cefets) e do Colégio Pedro II (CPII) configurou-se, mais uma vez, como excelente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2018. Os resultados, oficializados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação (MEC), embasaram oranking divulgado nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo.
Considerando as provas objetiva e de redação, as instituições dominaram a classificação dentre os 30 primeiros lugares, com destaque para o campus Vitória do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que conquistou o quarto lugar na lista. De acordo com informações da Folha, “a unidade teve a segunda melhor nota da rede pública no País e é a 34ª mais bem colocada, considerando também escolas privadas”.
Entre os 30 primeiros colocados também estão outros campi dos Ifes – Cachoeiro de Itapemirim, Guarapari, Cariacica, São Matheus e Colatina – e ainda, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), as unidades de Timóteo, Belo Horizonte, Varginha e Divinópolis.
No levantamento, sobressaíram-se os campi Centro e Realengo do CPII, bem como o campus Muriaé do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), e o campus Farroupilha do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).
Segundo o presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), Jerônimo Rodrigues da Silva, “não diferente das colocações obtidas pelos Institutos Federais no Enem em edições anteriores, os resultados obtidos neste ano só reafirmam a função social desempenhada pelas instituições”.
Ranking da Folha de São Paulo – A lista do jornal avalia todas as escolas do País com ao menos 50% do total de alunos do 3º ano do Ensino Médio na prova. O cálculo feito para definir o ranking leva em consideração as notas das provas objetivas de linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas, além da nota da redação.
Enem – Criado há 20 anos, o exame nacional avalia o desempenho escolar e acadêmico ao fim do Ensino Médio. As provas são aplicadas todos os anos pelo Inep, autarquia vinculada ao Ministério da Educação.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Sem professores bem preparados, não avançaremos

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Imagem de istoe.com.br

Após cinco anos de muito trabalho, debates e discussões, o país começa a implementar um novo currículo em todas as escolas de Educação Básica, sejam públicas ou particulares, tendo por referência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Agora será possível saber o que cada criança e cada jovem precisa aprender ao longo de sua vida escolar, ano a ano. Isso é absolutamente fantástico, considerando um país como o Brasil, de tamanho continental, que nesse período viveu momentos políticos que poderiam levar ao fracasso todo esse processo de mobilização. Deve-se aqui ressaltar o decisivo papel do Ministério da Educação (MEC) e dos secretários de Educação de estados e municípios, em articulação com a sociedade organizada, através do Movimento pela Base. Esse é um passo largo na direção da tão sonhada qualidade do ensino. Mas, sem professores bem preparados e valorizados, não vamos alcançar o sucesso final. Isso significa todos os alunos na escola, aprendendo o que é esperado em cada série escolar e concluindo a Educação Básica na idade correta, ou seja, aos 17 anos de idade.

Todos os estudos mostram que, entre os fatores que podem ser controlados pela política educacional, o professor é o que tem maior peso na determinação do desempenho escolar dos alunos. Tomando isso como premissa, a questão agora é concentrar nossos esforços no professor, a começar pela atratividade da carreira docente para os jovens egressos do Ensino Médio. Infelizmente, no Brasil, ninguém quer ser professor. Como tornar a carreira atrativa para os jovens? A resposta pode estar no documento Profissão Professor produzido pelo movimento Todos pela Educação, com a participação de especialistas altamente qualificados e de diferentes matizes políticos. Entre outras coisas, é preciso melhorar o plano de carreira, dando-lhe mais significado, com base na formação continuada e nos resultados escolares. Mas é preciso, mais do que nunca, investir na formação inicial para a carreira do magistério.

Nesse sentido, entendo que as universidades precisam urgentemente despertar para esse tema, desconstruindo a atual formação – que deixa muito a desejar, por ser distante da realidade escolar –, muito teórica e descasada da prática. Os estágios são, em geral, um faz de conta. Para mexer nesse vespeiro, o Conselho Nacional de Educação (CNE) começa a debater as questões que até aqui não levaram à implementação plena, por parte das instituições de ensino superior, da chamada Resolução CNE/CP no 2/2015, que trata das diretrizes nacionais da formação de professores para a Educação Básica, tanto inicial como continuada. Um documento constituído por 8 capítulos, 25 artigos e dezenas de parágrafos.

A Resolução 2/15, através do seu artigo 22, concedeu até 2017 um prazo para que as IES pudessem implementá-la. Como isso não aconteceu, mais duas outras prorrogações foram concedidas, sem possibilidades de novos adiamentos, sendo 2019 o prazo final para isso. O problema é que nesse período o país aprovou a BNCC, que, portanto, não está posta no corpo do parecer e da própria Resolução do CNE. Essas postergações, no que se refere à sua implementação, terminaram por torná-la desatualizada.

Além disso, outras questões precisam, a meu ver, ser mais amplamente discutidas, como os períodos pedagógicos complementares para que um profissional não licenciado possa ter a sua licenciatura (por exemplo, um bacharel em química ter a licenciatura em química ou mesmo em geografia), ou ainda para que um licenciado possa ter a sua segunda licenciatura (por exemplo, um licenciado em química ter a licenciatura em física ou mesmo em geografia). São períodos que, no meu entendimento, não dialogam com uma política de formação ao longo da vida exigida pelas novas demandas do século XXI.
Portanto, a discussão da Resolução CNE/CP no 2/2015 está em aberto, e vamos, sim, procurar adaptá-la aos novos tempos, absolutamente articulada com a BNCC.

FONTE: https://istoe.com.br/sem-professores-bem-preparados-nao-avancaremos/

segunda-feira, 17 de junho de 2019

“Notório saber” na educação desonera o Estado de sua responsabilidade

A estratégia coloca em sala de aula professores sem a qualificação adequada e ataca os cursos de formação docente

imagem de www.cartaeducacao.com.b

O “notório saber” é medida de caráter excepcional para reconhecimento público de conhecimento e erudição. Em sua origem, portanto, não consiste em atalho a qualquer processo de formação. O Projeto de Lei 839/2016, contudo, valendo-se da Medida Provisória 746/2016 , subverte por completo seu sentido original. Propõe a certificação de conhecimento para professores da educação básica, em qualquer área do conhecimento, e para qualquer nível de ensino. Sua finalidade precípua é reduzir o déficit de professores da rede estadual de ensino, ampliando o contingente de profissionais “habilitados” a assumir a árdua e relevante tarefa de formar nossos jovens.


O Artigo 1º do PL prevê que a certificação pode ser feita por dois caminhos. No Inciso II, a certificação é conferida por uma banca de “professores notáveis” da rede estadual, escolhida pelo Dirigente de Ensino de cada região. Não fosse inviável pela ordem de grandeza dos números relativos ao sistema de ensino paulista, poderíamos dizer que tal inciso guarda o mérito de alguma elegância.
Viável, apenas o previsto no problemático Inciso I do Artigo 1º. Nele prevê-se que a certificação será feita por Instituições de Ensino Superior. O Projeto de Lei, contudo, silencia sobre os critérios para concedê-la. A que serve esse silêncio? Como certificar o “notório saber”? Mediante prova de conhecimentos específicos? Ou prova didática, que comprove competência pedagógica? Prova de títulos? Por meio de quais critérios o postulante deverá ser avaliado? Mais ainda, qual seria o interesse de uma Instituição de Ensino Superior em fornecer o certificado de “notório saber” àqueles que, em tese, seriam seus potenciais estudantes?
A formação de professores oferecida por instituições reconhecidas por seu mérito acadêmico e científico exige que os alunos não apenas dominem os conteúdos específicos de uma área de conhecimento, mas transitem entre conhecimentos de Psicologia, Filosofia e História, Ciências Sociais, Didática, Metodologia de Ensino, Políticas Educacionais e, fundamentalmente, tenham o contato qualificado, supervisionado e problematizador com a realidade educacional, com a sala de aula, com a prática pedagógica. Isso, inclusive, é o que exige a Deliberação 111/2012 (126/2014), editada pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Em uma formação sólida, a prática não está desarticulada da compreensão profunda dos processos históricos, sociais, culturais, psicológicos constitutivos dos sujeitos-aprendizes, das instituições e da sociedade.
Nossa história recente tem nos mostrado que quando a educação é compreendida como privilégio para poucos ou como mercadoria de baixa qualidade para muitos, e não como direito social, as distorções são inúmeras, e os danos, sérios. A adoção do “notório saber” para a Educação Básica é nociva a curto e a médio prazos e, portanto, desaconselhável. A curto prazo e a um só tempo, coloca em sala de aula professores sem a qualificação adequada e ataca os cursos de formação de professores comprometidos com a melhoria da qualidade da educação básica. Esses cursos concorrerão com a formação técnica e a possibilidade posterior de certificação de notório saber para a docência. Nesse cenário, a quem as licenciaturas seriam atrativas?
A médio prazo, isenta o Estado de sua responsabilidade com as políticas de formação de professores e de valorização da carreira docente. O Estado se desincumbe da responsabilidade pelo déficit de professores, que é real, em especial em algumas áreas do conhecimento; e que decorre da negligência para com a educação pública, em alguns casos, e de inúmeras medidas tomadas para desvalorizar a carreira docente, em outros. Mais uma vez assistimos a uma dinâmica que lança mão da negação dos reais determinantes do problema que o Projeto de Lei diz pretender solucionar, em prol de medidas paliativas, por meio das quais se expressa um profundo descaso para com a formação de professores e com a educação das crianças e jovens em nosso país.
Ana Archangelo é professora da Faculdade de Educação da Unicamp e Presidente da Comissão Permanente de Formação de Professores da Unicamp (CPFP)
FONTE: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/notorio-saber-na-educacao-desonera-o-estado-de-sua-responsabilidade/