segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

"NÃO PRECISAMOS DE TECNOLOGIAS INCRÍVEIS, MAS DE PROFESSORES MOTIVADOS"

Anthony Salcito, VP de Educação Global da Microsoft, defende que é preciso celebrar papel do professor diante das transformações digitais.
Essa é a quarta ou quinta de vez que Anthony Salcito visita o Brasil. Ele não tem lá muita certeza, já que todos os anos seu trabalho o leva a conhecer escolas de até quarenta países. À frente da divisão global de educação da Microsoft, Salcito é o responsável pelos projetos da companhia no setor, que incluem o uso do jogo Minecraft para ensinar disciplinas tradicionais na escola até um recente programa de tradução (em português) para professores. Mais do que produtos em si, o executivo gosta de discutir estratégia. Para ele, o setor hoje vive um dilema: ao mesmo tempo em que as escolas sentem a pressão por mudar a forma como ensinam, precisam aprender a maneira mais eficaz de "abraçar" a tecnologia na sala de aula.

Antes de se tornar VP em 2009, Salcito foi gerente geral de educação nos Estados Unidos, ajudando a lançar os programas educacionais que lutavam contra a exclusão digital do país. Também foi o responsável por criar a Microsoft School of the Future – uma parceria com a School District of Philadeplhia que visa ensinar as habilidades - tecnológicas e comportamentais - necessárias para o futuro do trabalho. No dia a dia de viagens, conversa gestores de escolas, estuda novas tecnologias, conhece professores como Richard, o ganês que ficou famoso nas redes sociais após uma foto de sua aula ser divulgada. Sem recursos ou computadores, Richard escreveu na lousa o Office para mostrar aos alunos como é um Word. 

Antes de falar sobre gamification ou realidade virtual, Anthony defende que o que faz a educação ser boa - e o aprendizado eficaz - é mesmo o professor. É ele quem vai conseguir entender o papel da tecnologia, motivar alunos que já chegam às salas sem "nenhuma certeza de um futuro brilhante" ou entender quais são as habilidades necessárias para o futuro dos jovens. É ele quem também, por outro lado, precisa mudar a forma de ensinar por meio de "capítulos". E é ele quem precisa ser celebrado - para conseguir errar, criar e, assim, inovar. "Os professores são agora mais incríveis do que nunca. A oportunidade para eles inovarem - com a tecnologia - no aprendizado é muito maior agora", disse. Em entrevista à Época NEGÓCIOS, o executivo analisa o uso da tecnologia no setor, de que forma a educação pode ser transformada e como o Brasil está frente aos desafios:

Em que estágio da educação estamos hoje?

No Brasil, grande parte da mudança já foi realizada. Os estudantes já se veem diferentes, fazem conexão entre o mundo digital e físico de forma natural, usam tanto um celular quanto um livro para aprender, colaboram entre si de forma online. O aprendizado já está muito além da sala de aula. Por outro lado, o sistema educacional do Brasil, assim como de outros países, precisa reconhecer que a forma de aprender mudou e que o local de trabalho para o qual estamos preparando nossos alunos mudou. É preciso abraçar essa oportunidade de mudança. E aí o erro que vejo é que o sistema educacional sente a pressão por mudar, até quer abraçar a mudança, mas pensa: a tecnologia é que vai catalisar todas essas mudanças. “Vamos comprar um monte de tecnologia então.” Mas, muitas vezes, as escolas perdem a mão nisso. 

Por que não é só uma questão de comprar tecnologia?

A forma como nós compartilhamos ideias e conhecimentos mudou e é aí que o sistema educacional precisa se adaptar. A questão toda é como criar novas experiências na sala de aula. Em países como o Brasil essa mudança vira algo negativo nas escolas, cria uma pressão em cima dos professores, eles se sentem desconfortáveis, sentem que seu papel diminuiu ou que a tecnologia ameaça seus valores e, frequentemente, seu trabalho. Mas o que aprendemos é o oposto. Os professores são agora mais incríveis do que nunca. Antes, o trabalho deles era ensinar uma lição de um capítulo de um livro didático, transmitir o conteúdo do livro para o cérebro dos alunos. Agora, a oportunidade para eles inovarem no aprendizado é muito maior. Eles podem focar no desenvolvimento das habilidades dos alunos – porque o conteúdo em si já está disponível no celular. É por estas razões que precisamos, em qualquer país, celebrar o professor, mostrar aqueles que estão buscando ensinar com novas metodologias. Se considerarmos que a educação é o motor para a prosperidade econômica, os professores são o combustível deste motor. E precisamos garantir que colocamos o melhor combustível.

De quem é o papel treinar os professores para eles inovarem e aplicarem novas metodologias?

A Microsoft já treinou mais de 10 milhões de professores na última década, online e presencial, inclusive no Brasil. Mas de forma geral, é um comprometimento que toda escola deve ter e, para isto, precisamos de bons profissionais na direção delas. De gente que estimule uma cultura onde o professor não tenha  medo de errar, que esteja aberta a novas ideias, que celebre as conquistas e mudanças. A realidade é que nós não precisamos de tecnologias incríveis, nós precisamos de professores animados em inspirar estudantes e que os deixem confortáveis em usar as tecnologias. É preciso criar esse novo ambiente de aprendizado.

Quais são as habilidades que os professores precisam ensinar aos alunos?
Depois de muito tempo focado em desenvolver leitura, redação e aritmética dos alunos, os educadores passaram a voltar-se aos Cs: criatividade, comunicação, colaboração e pensamento crítico (critical thinking em inglês). Um quinto C vem ganhando importância, o computational thinking. Os alunos precisam entender o papel que a tecnologia pode desempenhar e em como podem pensar de maneira diferente sobre vários datasets (conjunto de dados). Bem, mas também gosto de citar um sexto C. Em um mundo cada vez mais aberto e transparente, precisamos também desenvolver caráter. Precisamos de alunos conectados, cidadãos responsáveis do mundo, que aceitem as diferenças, lutem pelas causas que precisam lutar e usem seu talento para resolver problemas que o mundo precisa.

Grande parte das tecnologias focam na personalização do ensino ao aluno. O que você acha desse método de ensino? 

Em muitos casos, personalização do ensino significa que as crianças estão aprendendo de acordo com sua performance. Mas, personalização começa com habilidades. Pense em uma típica aula de história, com cinco pessoas ouvindo o professor na sala. Cada um deles têm um entendimento diferente sobre história, gosta de uma parte diferente, se importa - ou não - com a história da nossa sociedade. Eu sei mais sobre história dos Estados Unidos, você sabe mais sobre a história do Brasil. Se a aula for dada abrindo o livro na página 1 do capítulo 1, a personalização desaparece. Aquele que não gosta de história vai ficar totalmente entediado. Essa é a dinâmica que acontece na sala de aula. A aprendizagem tradicional vai ser frustrante para os estudantes. Mas, pense bem, se eu for falar de história sob a ótica das habilidades. Dou um exemplo que ocorreu na história, discutimos qual lição podemos tirar daí e incito os alunos a pensar o que fariam naquela situação.  A energia da sala muda completamente, a história torna-se mais contextual, os alunos conectam aquele novo aprendizado a suas vidas. E isso não requer nenhuma análise de dado, nenhuma tecnologia, é apenas uma maneira diferente de pensar sobre esse novo contexto de aprendizagem. Isso também é personalização.

Por falar em aprendizado “mais divertido”, muitas escolas estão investindo na gamification – e a Microsoft investe bastante nisso. É um método eficaz hoje?

Você pode falar em gamification de duas formas: uma é jogar um jogo como um sistema de motivação. Ao contrário de um projeto, você tem uma equipe e um plano. Outra diferente é criar um sistema de aprendizado baseado em jogos, quando usa um jogo para criar uma nova oportunidade. O Minecraft, por exemplo, já é utilizado em milhares de escolas para ajudar os alunos a entender geometria, artes até programação. E uma coisa que a maioria dos professores não sabe sobre o Minecraft: apenas um terço do tempo que as pessoas ficam jogando, elas estão jogando de fato. O restante, gastam colaborando, compartilhando outras ideias, pesquisando, vendo vídeos para descobrir dicas, fazendo análises sobre construção. Porque quando você joga, você percebe que não pode simplesmente sair construindo blocos porque as dimensões vão estar erradas e você vai precisar refazer tudo. Os alunos se planejam para construir. E os professores vêm isso. O que defendemos é que os alunos estejam aplicando seu aprendizado usando várias disciplinas – porque é isso que está ocorrendo no cérebro deles. O aprendizado baseado em jogo libera outros potenciais, outras formas de encarar as coisas e lidar com a realidade.

Isso implica utilizar em larga escala celulares e notebooks na sala de aula. Mas muitos professores ainda veem o celular como inimigo número 1...

O ambiente de aprendizado precisa ter um propósito de existir. Já que o conteúdo está disponível em todo lugar, a maneira como pensamos no sistema educacional precisa estar conectada ao que os alunos desejam, ao que querem fazer depois que saírem da escola. E aí a tecnologia pode ajudar como ferramenta, para os alunos criarem e compartilharem ideias. Quando você usa a tecnologia pela tecnologia, para aprender por aprender, professores podem se perguntar: por que fazemos isso? Mas quando os professores abraçam o papel que a tecnologia pode desempenhar, eles realmente entendem seu papel. Passam a usar o tempo que têm com os alunos para criar um projeto e aplicar o aprendizado em conjunto. Passar a usar a tecnologia para ter mais insights sobre a progressão dos alunos e como eles podem obter melhores resultados. Os alunos, por outro lado, trazem novas ideias, se conectam a outros alunos de outras partes do mundo. Precisamos usar a tecnologia para transformar, não apenas para automatizar a educação.

Tudo isso que você está citando considera que as escolas têm acesso à internet e podem investir em tecnologia.

Sim, é verdade. Uma das frentes que a Microsoft atua é trabalhar com operadoras para tornar a conectividade de banda larga mais disponível nas escolas – aproveitando o espectro já disponível de antenas. Outro ponto é trabalhar com parceiros para criar aquilo que chama-se de content access points. Trata-se de um ponto de acesso sem fio com um sistema opcional de distribuição de conteúdo digital. Essa interface e dispositivo de armazenamento podem ser carregados com materiais educacionais para os alunos, sem exigir acesso à Internet. Além disso, esses pontos de acesso podem ser “carregados” à noite, quando a conectividade na escola não é demandada. Precisamos ser mais espertos sobre como usamos a tecnologia em cenários de baixa conectividade.

Um professor de Gana, ficou famoso nas redes sociais, ao desenhar o Word em lousas. O que essa história representou para vocês?

O Richard – este é o nome dele - estava mostrando às crianças como usar o Word sem que eles tivessem computadores. Esse caso demonstrou que há uma aceitação geral dos professores de quererem ensinar as habilidades tecnológicas aos alunos. Há a compreensão firme de que a tecnologia é fundamental para o ambiente de trabalho deles no futuro. E o Richard – assim como vários professores no Brasil – fazem mágica para ensinar isso. Eles doam seu tempo e usam recursos que têm disponíveis porque se importam com seus estudantes. Mas, fato é que nós trouxemos o Richard para nossa comunidade global de educadores, o levamos para aprender e compartilhar sua história em Cingapura. Eu me encontrei com ele pessoalmente.

Qual é o maior desafio que o setor de educação enfrenta – é falta de investimentos (governo e empresas), de professores como o Richard ou de alunos motivados?

Na minha visão, é mudar a atitude dos estudantes. Considere por exemplo aqueles que vêm de um bairro pobre ou que vivem em uma família pobre. Nenhum deles vai para a sala de aula esperando um futuro brilhante. Bem como não creem que o mundo espera isso deles. Mas nós precisamos motivá-los, incentivá-los a desenvolver suas capacidades, mudar essa mentalidade. Também precisamos de mais professores que abracem a tecnologia e precisamos, claro, de vontade política dos países para mudar a educação. Precisamos mudar o sistema que se mantém apenas para conseguir votos na próxima eleição. A mudança que ocorrerá no Brasil não virá em cinco anos – mas em 30 anos.  Eu estive com a ministra da Educação do Quênia no ano passado. Ela tinha uma foto da Coreia de 1975. Perguntei a razão da imagem estar ali, ela olhou para a foto e me disse: é assim que nosso país está hoje. Abaixou a foto, fazendo referência à Coreia atual, e então me disse: e é esse o país que vamos construir. A Coreia fez essa mudança em 30 anos – mas é algo que pode ocorrer também em qualquer lugar do mundo com planejamento no longo prazo. 

Fonte primária: O Globo 

Compartilhe com seus amigos !!

FONTE: https://coruja-prof.blogspot.com/2018/08/nao-precisamos-de-tecnologias-incriveis.html

sábado, 9 de fevereiro de 2019

A corrida do nióbio

Metal emblemático do governo Bolsonaro atinge alta histórica e ganha novas aplicações na indústria automobilística e na construção civil

Crédito: Heinrich Pniok
ALTO VALOR Pequenas quantidades do produto tornam o aço mais resistente, leve e flexível (Crédito: Heinrich Pniok)
O presidente Jair Bolsonaro é um entusiasta do nióbio, metal que forma uma liga de alta resistência e maleabilidade com o aço e cujo mercado mundial é dominado por uma empresa nacional, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), controlada pela família Moreira Salles. Em um vídeo gravado há dois anos, Bolsonaro dizia que o produto seria capaz de garantir a independência econômica do País. Empolgado, ele planejava a criação de um Vale do Nióbio na região de Araxá, em Minas Gerais, onde fica a mineradora, nos moldes do Vale do Silício, pólo tecnológico na Califórnia. A ideia parecia boa, mas era exagerada. Embora seja muito útil e valioso e renda US$ 2 bilhões em exportações por ano para o País, o nióbio não é insubstituível e nem é uma panacéia. Para fazer crescer seu mercado e desenvolver novas utilizações, a CBMM tem que investir US$ 150 milhões por ano em tecnologia.

“Se a gente considerar que o Brasil esse ano vai exportar mais de 200 bilhões de dólares, o nióbio representa menos de 1% das exportações” Eduardo Ribeiro, CEO da CBMM(Crédito:Silvia Zamboni)

Preço em alta
“A capacidade produtiva atual é maior do que demanda, então não faz sentido aumentar muito a produção”, diz Eduardo Ribeiro, CEO da CBMM, que tem 80% do mercado mundial. “Se a gente considerar que o Brasil esse ano vai exportar mais de US$ 200 bilhões, o nióbio representa menos de 1% do total de exportações”. Atualmente o preço do produto está em alta. O ano de 2018 foi excelente para a CBMM, que vem ampliando as utilizações do Nióbio na área da construção civil e na indústria automobilística, inclusive com a produção de baterias para carros elétricos. Há também aplicações especiais como turbinas de aviões e supercondutores utilizados em equipamentos médicos. Houve um aumento do mercado de 25% em 2018 em relação a 2017. Normalmente os negócios da CBMM crescem entre 5% e 6% ao ano. O preço no período, depois de uma queda prolongada, chegou a 38 dólares por quilo de nióbio, próximo da maior marca histórica, de 42 dólares, alcançada em setembro de 2008. “Não é porque somos líderes de mercado que podemos cobrar o que quisermos”, afirma Ribeiro. “Os nossos clientes têm alternativas e, no ano passado, conseguimos elevar o preço porque a cotação do vanádio, metal concorrente, mais do que dobrou”.
Resultado de imagem para nióbio

Atualmente o mercado mundial de nióbio está em torno de 120 mil toneladas por ano — a capacidade produtiva da CBMM é de 110 mil toneladas. Para efeito comparativo, a produção anual de aço é de 1,7 bilhões de toneladas. Usa-se 500 gramas de nióbio para cada tonelada de aço, a fim de melhorar suas propriedades — atualmente entre 10% a 12% do aço produzido no mundo contem nióbio. Embora a produção de nióbio esteja concentrada no Brasil (o País explora 98,2% das reservas ativas no mundo), existem reservas identificadas e não exploradas em várias outras partes do mundo. Se houver um grande aumento da demanda, novas jazidas começarão a ser exploradas e o preço cairá. Apesar de ser um produto muito interessante e estratégico, o nióbio está longe de ser a solução para os problemas econômicos do Brasil.


FONTE: https://istoe.com.br/a-corrida-do-niobio/

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Tabela periódica completa 150 anos sem deixar de ser atual

A empreitada de Mendeleev para organizar uma tabela começou em 1860
Por EFE

(Reprodução/Getty Images)
Reconhecida internacionalmente como um instrumento que facilita o estudo da química, seja entre estudantes ou profissionais, a tabela periódica de elementos criada pelo cientista russo Dmitri Ivanovich Mendeleev completa 150 anos com direito a um ano inteiro internacionalmente destinado a ela.

“A tabela periódica é o alfabeto da química que, por sua vez, é o alfabeto da vida”, afirmou à Agência Efe o presidente da Real Sociedade Espanhola de Química, Antonio Echavarren, que participa nesta terça-feira do lançamento do Ano Internacional da Tabela Periódica, em Paris, criado pela Organização das Nações Unidas.

Debates, congressos, exposições e várias atividade serão realizadas para enaltecer este importante instrumento da pesquisa científica e o seu criador.

“Todas as ciências têm seus heróis. A biologia tem Darwin, a física tem Einstein, e a química, entre outros, Mendeleev, que é um dos mais importantes”, explicou Echevarren.

A empreitada de Mendeleev para organizar uma tabela começou em 1860 na cidade de Karlsruhe, na atual Alemanha, durante um congresso de química que tentava dar uma terminologia clara aos elementos. Na ocasião, ele percebeu que existiam padrões de comportamento em função do peso químico, o que permitiu estabelecer uma ordem. E foi além. Percebeu que, nesses padrões, havia lacunas que respondiam a elementos que ainda não tinham sido descobertos.

A partir disso, estabeleceu um sistema de ordenação em uma tabela que deixava aberta a porta para a incorporação de novos elementos. Até então desconexa, a química tinha encontrado um caminho para poder basear seus trabalhos.

Então aos 35 anos, o cientista, que nasceu na Sibéria e viveu quase toda a vida em São Petersburgo, na Rússia, não podia imaginar que sua invenção fosse se tornar essencial para a química. Quando foi elaborada, 63 elementos eram conhecidos, mas logo sua flexibilidade se revelou muito útil, já que novas inserções ocorreram.

Quase seis anos depois de sua criação, como previu o russo, entrou o Gálio (Ga). Em 1879, foi descoberto o Escândio (Sc), e oito anos depois, o Germânio (Ge).

“A tabela foi ganhando forma até se transformar em um instrumento icônico de grande valor. Ela é fundamental para conhecer mais de perto os instrumentos da matéria”, disse à Efe o pesquisador do Instituto de Química Orgânica Geral do Centro Espanhol de Pesquisas Científicas, Bernardo Herradón.

Para ele, a tabela periódica é a maior contribuição da química à cultura da humanidade e pode ser comparada aos números da escola pitagórica da Grécia clássica.

A Ciência já identificou 94 elementos encontrados de forma natural na Terra. Mas, desde que a radiação artificial foi descoberta, na década de 40, ela parou de trabalhar na incorporação de outros.

A busca é complexa e precisa de um forte esforço financeiro, por isso só quatro instituições no mundo, localizadas nos Estados Unidos, na Rússia, na Alemanha e no Japão, trabalham em novos elementos. Os quatro últimos foram validados em novembro de 2016: Nihonium (Nh), Moscovio (Mc), Téneso (Ts) e Oganesson (Og), mas já existam indícios de que o elemento 119 e o elemento 120 estejam prontos para serem reconhecidos.

A fronteira, mais uma vez, está no espaço. Considera-se que a tabela de Mendeleev contenha apenas 5% dos elementos, já que os demais estão no Universo em forma de energia ou matéria escura, ainda não descobertas.

A Assembleia Geral da ONU declarou 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica e encarregou à sua agência para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a gestão, que será canalizada através de uma série de atividades a partir de hoje.

“O objetivo passa por mostrar a importância da tabela periódica nos avanços científicos, mas também em promover a Ciência entre os jovens e divulgar o trabalho dos pesquisadores, em especial o das mulheres”, afirmou à Efe a diretora da Divisão de Políticas Científicas da Unesco, Peggy Oti-Boateng.

FONTE: https://exame.abril.com.br/ciencia/tabela-periodica-completa-150-anos-sem-deixar-de-ser-atual/

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Professora sueca contrata mercenários para salvar doutorando do Estado Islâmico

Aluno temia por sua família no Iraque e foi resgatado em operação cinematográfica

por Anna Virginia Balloussier
Charlotta Turner, professora da Universidade de Lund (Suécia), e Firas Jumaah, doutorando resgatado de área ocupada pelo Estado Islâmico - Universidade de Lund
Como lidar quando um dos alunos de doutorado que você orienta manda uma mensagem para avisar que infelizmente não poderá entregar sua tese?

Charlotta Turner, professora de química na sueca Universidade Lund, não quis nem saber: Firas Mohsin Jumaah ia, sim, concluir seus estudos, nem que para isso ela precisasse contratar mercenários para livrar seu orientando das garras do Estado Islâmico.

Assim foi.

Firas é yazidi, uma minoria religiosa perseguida em seu país natal, o Iraque. E para lá foi dias antes de escrever à orientadora, preocupado com a segurança da esposa e seus dois filhos pequenos. Eles haviam viajado para o casamento de um parente, e Firas ficou na Suécia - tinha trabalho acadêmico para entregar.

Correu atrás da família e, uma vez no Iraque, escreveu a Charlotta: se ele não voltasse em uma semana, que ela encarecidamente o excluísse do programa de doutorado.

Nem pensar, ela decidiu. "Na Suécia, temos uma regra, que inclusive é uma lei, que diz que você tem o direito de defender sua tese de doutorado enquanto viver, por sua vida inteira", a acadêmica disse à reportagem.
"A pesquisa tem sua integridade própria. Achei inaceitável cumprir o que Firas sugeriu, chutá-lo do doutorado só por ele estar preso na guerra do Iraque. Nenhum conflito político-religioso deve impedir a ciência de avançar, atrapalhar meus alunos de doutorado a obter seu diploma. Isso é importante para mim."

A trama de dar inveja a roteiristas hollywoodianos aconteceu em 2014 e veio a público agora, após uma amiga jornalista de Charlotta fazer um documentário sobre o caso.

Nada veio à tona antes pois, segundo Charlotta, Firas e família estavam traumatizados e ainda temiam por suas vidas.
Charlotta Turner, professora da Universidade de Lund (Suécia), e Firas Jumaah doutorando resgatado no Iraque - Reprodução/Twitter
Assim que recebeu a mensagem de texto do doutorando, o primeiro passo da professora foi ligar e entender que história é essa de não voltar para a universidade. Firas, nervoso, chorava. Ela entendeu que era um caso de vida ou morte.

A família dele desembarcou no Iraque dias antes da facção terrorista se autodeclarar um califado, o Estado Islâmico (que até 2017, ano do seu declínio, controlou extensões de território no país e na Síria).

Os terroristas atacaram uma cidade vizinha à que a esposa de Firas estava com os filhos do casal. Mataram milhares de yazadis e escravizaram outros tantos no que ficou conhecido como Massacre de Sinjar. 

"Minha esposa estava em pânico total. Todos estavam chocados com o Estado Islâmico", ele relatou à LUM, a revista da universidade. "Que tipo de vida eu teria se algo acontecesse com eles lá?"

Foi até eles e não conseguiu mais voltar. A certa altura, o Estado Islâmico chegou a dominar uma área a 20 quilômetros da casa onde a família estava. Chegaram a cogitar se esconder nas montanhas.

Charlotta ouviu aquele conto de terror e acionou o chefe de segurança da Lund, que a ajudou a achar uma companhia que topasse a operação de resgate. Dias depois, Faris e a família foram encontrados por seis mercenários armados, divididos em dois jipes do modelo Land Cruiser.

Com coletes a prova de balas, eles foram retirados de uma cidade no norte iraquiano, passando por vários postos de controle até um aeroporto. "Nunca me senti tão privilegiado, VIP", disse Firas.

Sua professora pagou cerca de 60 mil coroas suecas (R$ 25 mil) para a equipe de segurança que o socorreu, dinheiro depois debitado do salário dele. Na Suécia, doutorandos são remunerados com até 30 mil coroas suecas por mês.

Charlotta conta que orienta estudantes de todo o mundo, incluindo Brasil, China e Paquistão, e nos grupos de pesquisa sob sua tutela também são tópicos de debate igualdade, psicologia de grupo, liderança e ética da ciência.

Na ciência, diz, "somos todos iguais, não importa de onde viemos ou no que acreditamos quando você pesquisa química analítica, como no meu grupo. Desde que você tenha uma paixão pelo ofício, curiosidade e a disposição para trabalhar duro e com ética".

Com Firas ela ainda assinaria muitos artigos acadêmicos, o mais recente de 2018, sobre "quantificação multicomponente contínua durante extração com fluído supercrítico aplicada a microalgas".

"Fiquei chateada com a situação de Firas porque ele era o meu estudante, e era minha responsabilidade que ele terminasse a tese", diz Charlotta.

"Não tinha ideia que um professor poderia fazer algo por nós", Firas disse à revista LUM. Charlotta estava de férias quando organizou tudo.

FONTE: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/01/professora-sueca-contrata-mercenarios-para-salvar-doutorando-do-estado-islamico.shtml

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Tabela periódica (na publicação) mostra quais elementos vão desaparecer no futuro

Projeto tem como objetivo mostrar a abundância, escassez e finitude de elementos encontrados na Terra

Tabela periódica foi pensada pela Sociedade Química Europeia e mostra os elementos a partir de sua abundância e escassez (Foto: EuChemS/CC BY-ND)
TABELA PERIÓDICA (FOTO: EUCHEMS/CC BY-ND)

Hélio, oxigênio, magnésio e alumínio: esses são alguns dos elementos que constam na tabela periódica, mas, e se um deles estivesse prestes a desaparecer em um futuro próximo?

A ideia foi apresentada nesta semana pela a Sociedade Química Europeia, um grupo que representa mais de 160 mil estudiosos da União Europeia, e que fez uma tabela periódica bem diferente da convencional.

A grande novidade está no modo como os elementos são expostos na tabela: em vez de seguir a ordem clássica, onde cada um dos elementos tem um quadrado simétrico, essa tabela os categoriza a partir de sua abundância ou escassez.

Outra diferença é que apenas os elementos naturalmente encontrados na Terra são classificados — ao todo, são 90. Na tabela periódica tradicional são 118, já que conta com os elementos sintetizados artificialmente também. 

O objetivo do trabalho, como conta o presidente da Sociedade Química Europeia, Cole-Hamilton, é mostrar como os elementos em nosso planeta são finitos e podem, dentro de alguns anos, desaparecer.

Segundo a tabela, o oxigênio — que garante nossa respiração — não corre, felizmente, risco de extinção. Os elementos que podem estar acabando são aqueles usados na produção de computadores e celulares, por exemplo.

Um deles é o índio, que é usado na produção de telas "touch screens" para celulares e computadores. Uma das recomendações, segundo Hamilton, é diminuir a compra desenfreada de tecnologia.

“Se continuarmos usando o elemento índio da forma como estamos nossas reservas vão se esgotar em 20 anos”, contou o presidente ao programa de rádio Marketplace.

E não são apenas os elementos usados para tecnologia que correm risco: o hélio, utilizado em ressonâncias magnéticas, também não anda tão bem quanto se imaginava. Hamilton conta que o elemento é um dos mais abundantes na Terra, mas, se continuar sendo consumido no ritmo atual, deve durar apenas mais 10 anos.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/01/tabela-periodica-mostra-quais-elementos-vao-desaparecer-no-futuro.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Brasil terá 1ª usina de geração de energia por meio de esgoto e lixo orgânico

Brasil terá 1ª usina de geração de energia por meio de esgoto e lixo orgânico
imagem de sustentabilidade.registradores.org.br
O mérito é todo do Paraná: o Estado será o primeiro do Brasil a colocar em funcionamento uma usina de geração de biogás, que transformará lodo de esgoto e resíduos orgânicos em eletricidade para abastecer as casas da região.

A companhia de geração de energia CS Bioenergia já possui a Licença de Operação do Instituto Ambiental do Paraná para operar. Segundo a empresa, a usina tem capacidade para produzir 2,8 megawatts de eletricidade por meio de lixo, que abastecerá cerca de duas mil residências do Estado.

A matéria-prima para geração de energia virá de estações de tratamento de esgoto e de concessionárias de coleta de resíduos e produzirá biogás e também biofertilizantes para a região. Estima-se que com a iniciativa o Estado do Paraná deixe de descartar, todos os dias, mil m³ de lodo de esgoto e 300 toneladas de lixo orgânico em aterros. É ou não é um excelente negócio?

A inspiração vem da Europa (e sobretudo da Alemanha!), onde já existem mais de 14 mil plantas de geração de eletricidade por meio de resíduos orgânicos. Esta será a primeira usina do tipo no Brasil, mas espera-se que seja só o começo e que inspire muitas outras pelo país!

Por: thegreenestpost.com / imagem da internet

FONTE: http://sustentabilidade.registradores.org.br/noticias/brasil-tera-1a-usina-de-geracao-de-energia-por-meio-de-esgoto-e-lixo-organico.html

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Autorizado no Brasil (desde 2014), remédio de maconha é pouco prescrito por médicos

Ricardo Borges/Folhapress
Canabibol - imagem de noticias.uol.com.br/

por Fernanda Teixeira Ribeiro

Permitido pelo Conselho Federal de Medicina desde 2014 e com importação legalizada em 2015 pela Anvisa, o canabidiol, um componente da maconha, ainda é pouco prescrito pelos médicos no Brasil -- mesmo com evidências científicas de eficácia em alguns tratamentos. 


Em 2015, quando a prescrição passou a ser permitida, contabilizaram-se 321 pedidos médicos. Em 2018, o número de receitas cresceu 62% (520 prescrições até novembro), mas um valor ainda muito baixo, para um país de mais de 200 milhões de habitantes.

"Os médicos sentem-se inseguros em prescrever, principalmente pela dificuldade em encontrar informações, a falta de estudos clínicos robustos e de medicamentos em farmácias. Mas muitos ainda não acreditam no benefício terapêutico", diz a médica especialista em medicina funcional Paula Dall Stella, coordenadora científica da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal.

Há três anos, a Anvisa transferiu o canabidiol da lista de substâncias proscritas (proibidos) para a de controladas, isto é, pode ser vendida apenas com receita médica especial.

Com efeito comprovado pela ciência no tratamento de epilepsia, em muitos casos o canabidiol é a única substância conhecida capaz de controlar crises graves de convulsão em crianças e adolescentes.

As receitas médicas são necessárias para que as famílias de pacientes consigam entrar na Anvisa com pedido especial de importação de medicamentos que contêm a substância, nenhum deles produzidos no Brasil. A maioria desses medicamentos são óleos purificados, feitos de variedades da planta que contêm alta concentração de canabidiol e muito baixa de THC - outro componente principal da planta, responsável pelos efeitos psíquicos característicos do uso recreativo de maconha.

Divergências no Brasil
Uma explicação para a pouca quantidade de médicos que receita remédios derivados de cannabis no Brasil são as restrições do Conselho Federal de Medicina, que só autoriza neurologistas, psiquiatras e neurocirurgiões a prescreverem o componente para casos específicos de epilepsia.

Pacientes com outras doenças que poderiam se beneficiar de efeitos terapêuticos da cannabis - como dores crônicas, sintomas do câncer, esclerose múltipla - enfrentam dificuldades para obter prescrição.
 
Cannabidiol Structural formula V1.svg
Canabidiol (clique aqui e saiba mais)
(2-[(1R,6R)-6-isopropenil-3-metilciclohex-2-en-1-il]-5-pentilbenzeno-1,3-diol)

Isso acontece porque os medicamentos que atendem essas outras condições têm quantidades de THC que ultrapassam as de canabidiol, mesmo que ligeiramente. É o caso do Sativex, indicado para controlar espasmos da esclerose múltipla, único remédio de cannabis registrado pela Anvisa no Brasil, como Mevatyl.

Jim Wilson/The New York Times
Homem leva caixa com "cannabis" à empresa que trabalha com maconha medicinal na Califórnia Imagem: Jim Wilson/The New York Times

Apesar de a Anvisa ter registrado esse medicamento e receber pedidos de importação especial de remédios que contenham mais THC, com laudo médico, o Conselho Federal de Medicina mantém as restrições quanto ao THC.

Segundo o psiquiatra Salomão Rodrigues, conselheiro do CFM, se de um lado existem evidências que comprovam o uso seguro do canabidiol, de outro não há estudos que comprovem segurança do THC, que "mesmo em doses mais baixas pode causar danos graves e irreversíveis". Ele fala do risco de crises psicóticas de natureza esquizofrênica e de problemas de desempenho cognitivo, no caso de uso crônico e precoce (antes dos 15 anos de idade).

Em 2017 o Conselho se manifestou contra a decisão da Anvisa de incluir a Cannabis na relação de plantas medicinais.

"Nenhuma planta medicinal deve ser utilizada in natura. Este uso não traz segurança ao paciente quanto à dose da substância que está sendo administrada e seguramente cada tomada do 'remédio' terá uma dose diferente. Por outro lado, o paciente não estará usando apenas a substância que deseja, mas sim estará ingerindo muitas outras substâncias e corre o risco de ingerir uma ou mais que cause mal", diz Rodrigues.

Segundo Dall Stella, apesar de a maconha ser usada com fins medicinais há milhares de anos, a compreensão do sistema cerebral no qual atua - conhecido como sistema endocanabinoide - ainda é recente.

"O entendimento do sistema endocanabinoide é relativamente novo, e os medicamentos existentes não são utilizados na prática clínica. Hoje, existem pouquíssimas empresas farmacêuticas com medicamentos registrados e aprovados por órgãos regulatórios internacionais. Temos, de um lado, pouco conhecimento técnico tanto dos medicamentos como do sistema endocanabinoide; de outro, pouco incentivo da indústria em apoiar protocolos que utilizem a cannabis", diz.

Para Paula Dall Stella, "o Brasil é um país conservador, e ainda existe um tabu muito grande em relação à planta. A ignorância e o preconceito sobre o assunto dificultam muito o avanço".

A médica, que entrou em contato pela primeira vez com o uso medicinal da maconha ao verificar as melhoras dos efeitos colaterais da quimioterapia em um paciente de câncer que fez uso terapêutico da erva, afirma que a questão é mais complexa - os benefícios da planta podem ser resultado da ação conjunta de THC, canabidiol e outras cerca de 120 substâncias ativas da planta.

"Não é porque a Cannabis é um fitoterápico ou um medicamento 'natural' que ela não tenha efeitos colaterais ou interações medicamentosas. Mas ainda assim, é uma substância segura, quando bem utilizada', diz Dall Stella.

"Existe uma demanda por cannabis medicinal por parte dos pacientes, mas encontrar um médico que prescreva o tratamento e enfrentar a burocracia de importação é um desafio", diz Viviane Sedola, criadora da Dr. Cannabis, plataforma que conecta médicos que prescrevem compostos da cannabis, pacientes que buscam tratamento e empresas que fornecem os remédios.

Patrocinada pelas empresas fornecedoras, a plataforma dá informações sobre os trâmites burocráticos da autorização da Anvisa e da importação. "40% dos brasileiros sofrem dores crônicas, uma condição muito beneficiada pela cannabis, por exemplo. O Brasil tem potencial de se tornar um mercado bilionário de cannabis medicinal", diz.

Experiência no Uruguai
A falta de uma "educação médica em cannabis" não é problema exclusivo do Brasil, segundo a médica uruguaia Raquel Peyraube, coordenadora acadêmica do Curso de Cannabis Medicinal e Endocanabinologia no Uruguai, oferecido pelo governo a médicos no país.

No primeiro Congresso Internacional de Medicina Canabinoide, que aconteceu em São Paulo no fim do ano passado, Peyraube relatou os resultados de uma pesquisa que avaliou o uso medicinal da planta no país, que revelou que 58% dos usuários de cannabis medicinal o faziam sem nenhuma supervisão medica e que 23% consideravam os médicos incapacitados para receitarem cannabis de forma adequada.

"Os estudantes de medicina não têm acesso em sua formação a disciplinas sobre o sistema endocanabinoide - saem da faculdade sem saber como funciona esse importante sistema relacionado a tantas funções do organismo", diz Peyraube, destacando que a experiência no Uruguai ensina sobre a necessidade de uma educação da classe medica em cannabis em paralelo às mudanças na legislação, para evitar automedicação. "Médicos precisam de ferramentas de conhecimento para assim se sentirem seguros na prescrição da cannabis. Temos um histórico de mais de 4 mil anos de uso medicinal que não deve ser ignorado", diz Peyraube.
Resultado de imagem para maconha uruguai
Maconha é vendida no Uruguai em pacotinhos em variedades definidas como Alfa I e Beta I (imagem Opera Mundi)
FONTE: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/12/30/menos-de-600-medicos-prescrevem-remedios-derivados-de-maconha-no-brasil.htm

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Alzheimer: hormônio (IRISINA) produzido durante exercícios recupera memória


A irisina, produzida pelos músculos durante exercício físico, teve efeito positivo contra a doença em camundongos, segundo pesquisa publicada nesta segunda (7) na 'Nature Medicine'.

George Corones, 99 anos - Foto: Bradley Karanis / Getty Images
George Corones, 99 anos - Foto: Bradley Karanis / Getty Images

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conseguiram estabelecer uma relação entre os níveis de irisina — um hormônio produzido pelo corpo durante exercícios físicos — e um possível tratamento para a perda de memória causada pela doença de Alzheimer. O estudo, feito em parceria com outras universidades e institutos, foi publicado nesta segunda (7) na revista "Nature Medicine".

Os testes foram feitos em camundongos com a doença — que produziam o hormônio ao fazer exercícios ou recebiam doses dele. Os autores explicam que três novidades foram descobertas:

Existem baixos níveis de irisina no cérebro de pacientes afetados pelo Alzheimer. Essa mesma deficiência foi vista nos camundongos que foram usados como modelo no estudo.
A reposição dos níveis de irisina no cérebro, inclusive por meio de exercícios físicos, foi capaz de reverter a perda de memória dos camundongos afetados pelo Alzheimer.
A irisina é o que regula os efeitos positivos do exercício físico na memória dos camundongos.
"A grande contribuição do nosso estudo foi mostrar que os níveis desse hormônio estão de fato diminuídos nos cérebros dos pacientes com Alzheimer. Em segundo lugar, foi tentar investigar se repor os níveis desse hormônio no cérebro dos camundongos seria bom para a memória. E nós vimos que, de fato, se você aumentar os níveis de irisina, melhora a memória. E, finalmente, foi demonstrar que a irisina é, justamente, o intermediário entre o efeito benéfico do exercício e a melhora de memória", explica o professor da UFRJ Sergio Ferreira, um dos autores do estudo.

Algumas outras funções da irisina em vários órgãos do corpo já eram conhecidas, como a de regular o metabolismo do tecido adiposo e até de processos que acontecem nos ossos.

Para os autores Mychael Lourenço e Fernanda De Felice, ambos da UFRJ, as descobertas reforçam a importância dos exercícios físicos no combate à doença. Além disso, lembram, o fato de a irisina ser produzida pelo próprio organismo diminui as chances de efeitos colaterais, o que dá esperança para novos tratamentos.
Dibujo20150420 Irisin - eating academy
Imagem de https://francis.naukas.com
Resultado de imagem para reação para formar irisina
imagem de Wall street fitness
"É diferente de uma droga desenvolvida em laboratório, por exemplo, porque se sabe menos ainda sobre o que pode causar de efeito colateral. Infelizmente não há um tratamento para Alzheimer que funcione, então a busca é muito importante", diz.

Para De Felice, a novidade foi perceber os efeitos benéficos no cérebro tanto da irisina que foi aplicada nos camundongos como daquela produzida com exercícios físicos.

"Nossas descobertas reforçam a importância da atividade física para prevenir a perda de memória e doenças do cérebro, inclusive a doença de Alzheimer, já que mostramos que a administração de irisina consegue mimetizar, ao menos em modelos animais, os efeitos do exercício físico no cérebro", avalia.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa causada pela morte progressiva de células do cérebro, prejudicando funções como memória, atenção, orientação e linguagem. A doença não tem cura.

Descoberta
Os cientistas levantaram a hipótese de que a irisina poderia ser importante para a doença de Alzheimer há sete anos, quando o hormônio foi descoberto por um pesquisador de Harvard. Ficou constatado que ele melhorava os sintomas de diabetes tipo 2 em camundongos.

"Nós sabíamos que quem tem diabetes tipo 2 tem mais chances de desenvolver Alzheimer, e isso ficou muito tempo sem muita explicação", esclarece Mychael Lourenço. "Estudos de vários laboratórios mostraram que, ao que parece, os mecanismos que atuam no corpo para gerar a diabetes tipo 2 são muito parecidos com os que atuam no cérebro para causar Alzheimer", explica o pesquisador.

Daí surgiu, então, a possibilidade de que o hormônio pudesse ter algum efeito protetor sobre o cérebro. "Felizmente, conseguimos achar essa relação", diz Lourenço.

Ao todo, o estudo foi feito por 25 cientistas de diversos países, com participação das universidades de Columbia e do Kentucky, nos EUA, da Queen's University e da Universidade do Oeste de Ontário, no Canadá, e ainda da Fiocruz e do Instituto D'Or, ambos no Rio.

A irisina tem efeitos protetores sobre o cérebro. — Foto: Pixabay
A irisina tem efeitos protetores sobre o cérebro. — Foto: Pixabay

Próximas etapas
Apesar de promissores, os resultados ainda precisam de mais estudos antes que um tratamento para pacientes possa ser implementado.

"É claro que é preciso sempre ter em mente que nosso estudo foi feito em camundongos — e nem sempre o que acontece em camundongos acontece da mesma forma em seres humanos", lembra Sergio Ferreira. Para ele, no entanto, a etapa clínica — em que os estudos são feitos com seres humanos — pode ter dificuldades de ser feita no Brasil.

"Não sei se teríamos condições de fazer isso aqui. Se tivéssemos recursos financeiros e de infraestrutura para isso, com certeza seria de todo interesse nosso. Caso contrário, é possível — acho que é muito provável, na verdade — que isso seja feito em outros países", avalia. Mesmo assim, Ferreira, calcuila que o planejamento de testes em humanos não leve menos do que três ou quatro anos.

Hoje, cerca de um milhão de pessoas no Brasil sofrem com a doença, segundo o Ministério da Saúde. No mundo, são 35 milhões afetadas.

Ferreira acredita que a pesquisa representa o resultado do esforço da equipe — que, mesmo com problemas de financiamento, diz, consegue produzir ciência de qualidade.

"A gente não fica a dever nada aos melhores pesquisadores no mundo. O problema que nós temos aqui é a falta de apoio à atividade de pesquisa. Os recursos que são oferecidos para financiar as pesquisas nas nossas universidades são muito, muito, muito abaixo — ordens de grandeza abaixo — do que os nossos colegas em países desenvolvidos recebem. Além disso, demora meses para conseguir comprar um material que frequentemente sai muitas vezes acima do valor que a gente pagaria lá fora", afirma.

Os testes
Para testar a memória dos camundongos, os cientistas realizaram três testes.

O primeiro era o de reconhecimento de objetos. Os camundongos eram colocados em uma caixa onde eram expostos a dois objetos diferentes, que podiam explorar livremente. Em seguida, os cientistas retiravam os camundongos e trocavam um dos objetos. Depois, colocavam os camundongos de volta na caixa.

O esperado, explica Mychael Lourenço, era que eles explorassem o objeto novo. Isso, de fato, acontecia com os camundongos normais. Aqueles que tinham sido geneticamente modificados para ter Alzheimer, no entanto, passavam o mesmo tempo explorando o objeto antigo e o novo, pois não conseguiam se lembrar que já o conheciam.

Os cientistas, então, mediram a perda de memória dos camundongos de acordo com o tempo que eles passavam explorando o objeto antigo. Quando os animais receberam a irisina, eles recuperavam a capacidade de lembrar como os camundongos normais.

No segundo teste, os animais eram colocados em um labirinto aquático. Lá, tinham que achar uma plataforma onde conseguiriam ficar em pé e não precisariam nadar, economizando energia. Essa plataforma ficava escondida e o caminho até ela era feito com pistas visuais. Os camundongos normais, sem Alzheimer, conseguiam lembrar do caminho. Já os que tinham a doença demoravam mais tempo a achar a plataforma — ou nem sequer a achavam. Quando tinham a irisina aplicada (ou a produziam com exercícios), conseguiam achá-la normalmente.

O terceiro teste foi de condicionamento ao medo. Os camundongos foram colocados dentro de uma caixa onde levavam pequenos choques por um tempo, para depois serem retirados. Depois de 24 horas, eram novamente colocados na caixa. Os que lembravam dos choques tendiam a ficar “congelados”, com medo. Já os que tinham Alzheimer, não. Depois da irisina, esses também conseguiram reter a memória.

De acordo com Lourenço, o efeito do hormônio não foi testado a longo prazo, mas a eficácia se manteve enquanto os experimentos duraram. Ele acredita que um futuro tratamento com a substância não será de uma dose única, mas que, com uma reposição contínua, seria possível manter os níveis do hormônio.

FONTEs:
https://francis.naukas.com/2015/04/21/adios-a-la-irisina-la-supuesta-hormona-del-adelgazamiento-tras-el-ejercicio-fisico/
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/01/07/pesquisa-liderada-por-brasileiros-aponta-que-hormonio-pode-reverter-perda-de-memoria-causada-pelo-alzheimer.ghtml
http://www.sonoticiaboa.com.br/2019/01/07/alzheimer-hormonio-produzido-durante-exercicios-recupera-memoria/

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Químicos descobrem acidentalmente um lindo e novo tom de azul 🤣🤣🤣🤣

Já que não se fala em outra coisa...
Eis que surge um novo tom de azul!!! 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
Resultado de imagem para Químicos descobrem acidentalmente um lindo e novo tom de azul
imagem de www.iflscience.com
Um laboratório de químicos descobriu ao acaso um novo pigmento. Depois de ser anunciado como sendo “a criação de um pigmento azul quase perfeito”, neste momento ele já está sendo fabricado. Esta explosão de azul, surgiu quando os cientistas da Universidade do Estado de Oregon (OSU) aqueciam óxido de manganês, juntamente com outros produtos químicos a mais de 1.200° C.
Embora os cientistas estivessem realmente olhando para óxido de manganês e para algumas das suas propriedades eletrônicas, uma de suas reações, inadvertidamente, fez nascer um novo pigmento: o Catchily chamado agora de “YInMn azul.”
“Basicamente, esta foi uma descoberta acidental”, disse o professor Milton Harris de ciências dos materiais no Departamento de Química OSU, em um comunicado. O nosso trabalho não tinha nada a ver com a procura de um pigmento. E ele acrescentou: “Um dia, eu e um estudante de graduação, que também estava trabalhando no projeto fomos recolher as amostras para joga-las em um incinerador. E enquanto estavamos caminhando, o estudante viu um tom de azul muito bonito. Então, percebemos imediatamente que algo surpreendente veio a acontecer.”
O que há de tão especial sobre esse azul?
Este pigmento é muito mais estável quando exposto ao calor. Além disso, ao contrário de pigmentos azuis ou cobalto prussianos, ele não libera cianeto e não é cancerígeno. Além disso as suas propriedades são altamente reflexivas, significa então, que poderia ser usado em tintas que podem ajudar a manter os edifícios mais bonitos quando refletidos a luz.

FONTE: https://www.iflscience.com/chemistry/this-new-shade-of-blue-was-accidentally-discovered-by-chemists/

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A música e seus benefícios na educação e na formação do caráter da criança

Resultado de imagem para música e seus benefícios na educação e na formação do caráter da criança
imagem SóEscola
Uma das mais belas expressões humanas é sem dúvida a música, a música é capaz de transformar, é capaz de curar, é capaz de transcender o físico e se comunicar com o Espiritual.

Mesmo antes de nascermos, mesmo quando estamos ainda protegidos pelo carinho e conforto dentro da barriguinha da mamãe, nós pequenos seres ainda em formação, já possuímos em nosso organismo o DNA da música e podemos senti-la de várias formas, através das vibrações, através da batida dos corações, podemos a partir do 4º mês de formação já nos comunicarmos através de sentimentos como o sorriso, os chutes na barriguinha da mamãe, e até palmas.

Quando a criança nasce uma das primeiras expressões corporais é o ritmo, a criança quer batucar tudo, sentir e experimentar os variados tipos de sons, um mundo musical a descobrir e é aí que nosso papel como pais é de vital importância.

Se permitirmos esta continuidade de aprendizado musical a criança logo logo já estará destacando os benefícios conquistados pela musicalização, estes benefícios são inúmeros que vão desde a contribuição na fala, nas expressões corporais, nos gestos, no aprendizado do alfabeto, no aprendizado numérico, no andar, no comportamento social, na saúde física e mental e por ai vai.

São vários artigos científicos em que a musicalização infantil é comprovadamente um dos métodos mais eficazes para o auxílio da formação do caráter da criança. Uma das frases que gosto muito é a do grande Professor e filósofo PLATÃO “A música é ferramenta educacional mais potente do que qualquer outra”, isto mostra o quanto a música era importante e estudada nos ensinamentos de grandes mestres, povos e culturas da antiguidade.

No Brasil também tivemos grandes nomes da musicalização infantil, talvez o mais conhecido seja o grande maestro Villa-Lobos que promoveu em seu tempo uma grande transformação na educação brasileira utilizando a musicalização e beneficiando gerações inteiras.

Desde 2010 a musicalização infantil através da LEI Nº 11.769, DE 18 DE AGOSTO DE 2008, retornou e se tornou obrigatória novamente como matéria escolar na educação básica de todo o Brasil, dando às crianças novamente a chance de conhecer o mundo da música. Entre todos os benefícios citados acima a música auxilia diretamente em todas as matérias escolares, ajudando em muito a criança em sua formação escolar.

A música ajuda os alunos a desenvolverem suas habilidades que vão desde a leitura e a escrita até mesmo a matemática e o raciocínio lógico.

A iniciação musical na Educação Infantil e nas séries iniciais do Fundamental é importantíssima porque estimula áreas do cérebro da criança que vão beneficiar o desenvolvimento de outras linguagens e estes benefícios é claro o acompanharam pelo resto da vida.

Por isso a arte de educar com música vai além do cantar e tocar, é a junção de todas as linguagens em uma só expressão, uma só linguagem universal.

Sempre pensando em facilitar para vocês, resolvemos disponibilizar o artigo “A música e seus benefícios na educação e na formação do caráter da criança” mostrado acima em PDF. Para ter acesso é muito simples, confira o link a seguir e baixe: Baixe em PDF.
Curta e Compartilhe com seus amigos (Acompanhe nossa página no Facebook: @SÓ ESCOLA)
FONTE: https://www.soescola.com/2017/12/a-musica-e-seus-beneficios-na-educacao.html