segunda-feira, 27 de junho de 2022

Microplásticos detectados em sague humano 🩸🩸🩸

 

Imagem de https://olhardigital.com.br/2022/03/25/medicina-e-saude/cientistas-encontram-microplasticos-no-sangue-humano/

🎯 O trabalho feito pelos CIENTISTAS estudou amostras de sangue de 22 pessoas adultas saudáveis e que permaneceram anônimas durante a pesquisa. POLIESTIRENO, conhecido como isopor e muito utilizado em embalagens, foi encontrado em 8 dos voluntários; POLIETILENO, da qual são feitas as sacolas plásticas de mercado, estava presente no sangue de 5 das pessoas analisadas; e POLIETILENO TEREFTALATO, o famoso PET das garrafas de água e refrigerante, foi encontrado em 11 das amostras de sangue coletadas.

Poliestireno (isopor)


 
Polietileno

 Polietileno tereftalato (PET)


🤔 No geral, foram encontrados MICROPLÁSTICOS em 17 dos 22 voluntários, uma taxa impressionante de quase 80% DOS CASOS.
⚠️ Os cientistas ficaram espantados com a descoberta e ligaram um SINAL DE ALERTA em relação à presença das partículas de plásticos no sangue humano uma vez que, em experimentos de laboratório, os microplásticos geralmente são capazes de DESTRUIR CÉLULAS HUMANAS.
👉🏽 A descoberta sugere que as MICROPARTÍCULAS podem utilizar o sistema circulatório para viajar pelo corpo humano e se ALOJAR em qualquer um dos ÓRGÃOS. Tal cenário mostra-se cada vez mais perigoso para a saúde humana, já que grandes quantidades de resíduos plásticos são DESCARTADAS de forma inadequada no solo e em rios e lagos, o que deixa boa parte da população vulnerável à CONTAMINAÇÃO tanto pelo consumo de água e alimentos expostos a essas partículas quanto pela inalação do ar contaminado.


Fontes: 

📓 https://www.instagram.com/p/CcIY1BVMx-1/
📓 Discovery and Quantification of Plastic Particle Pollution in Human Blood, Environment International, 2022, In Press, artigo 107199.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Em tempos sombrios vejamos... As 10 substâncias mais mortais do mundo

Quais são os 10 venenos mais mortais para o homem?

Em primeiro lugar, vamos começar definido o que seja veneno. Então, ao ser inserido ou absorvido um veneno é uma substância que causa morte ou ferimentos. Dessa forma, tecnicamente, tudo pode ser um veneno. Além disso, se você beber bastante água, você vai morrer. Então, é só uma questão de dose. Sendo assim, a lista de venenos letais em doses extremamente baixas é grande. Dessa forma, por que alguém precisaria de tal lista? Pode ser útil se você está escrevendo um mistério de assassinato ou querendo saber se alguém está querendo pegá-lo, ou ainda talvez você esteja apenas curioso...


Principais descobertas: 10 venenos mortais

Em princípio, os venenos mais mortais do mundo incluem armas químicas; compostos naturais; defesas químicas usadas por plantas, animais, fungos e bactérias; e até mesmo elementos químicos.

A maioria dos venenos verdadeiramente mortais são, sobretudo, neurotoxinas. A morte geralmente ocorre por sufocamento quando os músculos ficam paralisados e a pessoa não consegue respirar. Embora, todas as substâncias desta lista sejam mortais, algumas são realmente possíveis de sobreviver com primeiros socorros ou atendimento médico profissional.

Ricina

A ricina é um veneno mortal (proteina) que vem da mamona, considerada uma das mais potentes toxinas de origem vegetal conhecida. Essa proteína é classificada dentro de um grupo especial de proteínas denominadas RIPs (do inglês Ribosome-Inactivating-Proteins), ou proteínas inativadoras de ribossomos Em princípio, uma dose do tamanho de um único grão de areia é suficiente para matar. A toxina atua, principalmente, inativando os ribossomos e interrompendo a produção de proteínas, o que acaba sendo um problema letal. Por outro lado, não há antídoto para o veneno, embora seja possível sobreviver se a dose for pequena o suficiente.

imagem de https://clubedaquimica.com/        

Utilizaram a ricina, por exemplo, para assassinar o búlgaro Georgi Markov em 1978. Embora não seja provável que você encontre o veneno purificado, encontra-se essa toxina em sementes da mamona. Engolir as sementes inteiras não o envenenará, mas as crianças e os animais de estimação devem ser mantidos longe dos grãos de aparência interessante, pois mastigá-los pode liberar toxinas suficientes para causar danos.

Estrutura da ricina. 
A ricina se classifica como uma lectina, ou seja, uma proteína que tem um sítio receptor específico para um açúcar ou uma unidade de oligossacarídeo; pertence à família das lectinas A-BA cadeia A é mostrada em azul e a cadeia B é mostrada em laranja.

 

Toxina Botulínica (Botox)

Imagem de https://www.oftalmologiahigienopolis.com/
                          

A bactéria Clostridium botulinum produz uma neurotoxina mortal chamada botulinum. Se as bactérias são ingeridas, pode resultar em envenenamento por botulismo. Você pode obter isso de latas inadequadamente seladas ou carne ruim. Dor e paralisia muscular temporária é o melhor cenário. A paralisia grave pode impedir a pessoa de respirar, causando a morte.

A mesma toxina é encontrada no Botox, onde uma pequena dose é injetada para congelar os músculos, minimizando as rugas. O Botox ataca os neurotransmissores de forma que os músculos contraídos não conseguem relaxar.


Tetradotoxina

A tetradotoxina ou TTX é uma neurotoxina potente que bloqueia a condução nervosa entre o cérebro e o corpo, bloqueando os canais de sódio. Uma dose mínima pode causar perda de sensibilidade e paralisia, mas apenas um pouquinho mais paralisa os músculos que você precisa trabalhar para viver. Demora cerca de 6 horas para atingir o efeito completo, mas uma vez que o diafragma pára, os pulmões já não podem inalar ou exalar e você é um caso perdido. Ou você pode morrer mais cedo de um batimento cardíaco irregular.

                                                          Estrutura da tetradotoxina ou TTX

Como você se expõe? O baiacu é usado para preparar a iguaria japonesa fugu . Se os órgãos que contêm a toxina estiverem danificados ou incompletamente removidos, o prato é mortal. O baiacu não é o único animal que carrega essa toxina. Também é encontrado em alguns polvos, vermes chatos, estrelas do mar, angelfish, sapos e novatos. O TTX é letal seja inalado, ingerido ou absorvido diretamente na corrente sanguínea através de um corte.



Batracotoxina

De todas as toxinas desta lista, a batracotoxina é a que você menos encontrará (a menos que você viva em uma floresta tropical). O veneno é encontrado na pele de sapos venenosos. As próprias rãs não são a fonte da toxina. Vem da comida que eles comem. Quando você vê esses sapos em um zoológico, tenha certeza de que eles não estão comendo besouros mortais, então eles não podem machucá-lo.     



Estrutura da batracotoxina 

A quantidade do produto químico depende das espécies de sapo. O sapo venenoso dourado da Columbia pode conter toxinas suficientes para que, ao tocá-lo, você fique exposto a batrachotoxina suficiente para matar cerca de duas dúzias de pessoas.

O veneno é uma neurotoxina que interfere no funcionamento do canal de sódio. O resultado é paralisia e uma morte rápida. Não há antídoto.


Amatoxina


Amatoxina é o veneno mortal encontrado no cogumelo Amanita, como o fly agaric. Comer um cogumelo pode ser o suficiente para acabar com você, por isso não é o pior produto químico dessa lista, mas é mais provável que você o encontre do que alguns dos outros (especialmente se você conhece um cozinheiro que gosta de colher cogumelos silvestres). A amatoxina ataca os rins e o fígado. Eventualmente, o dano leva a um coma e morte. Não é uma morte rápida.

Estrutura da Amatoxina


Cianeto

O cianeto é um veneno mortal que se liga ao ferro no sangue, impedindo-o de transportar oxigênio para as células. Uma dose letal mata em minutos. No entanto, esta toxina é tão comum na natureza que o corpo desintoxica  pequenas quantidades. É encontrado em sementes de maçãs, cerejas, amêndoas, mandioca brava e damascos. O cianeto de hidrogênio é uma arma química. Dizem que tem cheiro de amêndoas, embora a verdade seja que o odor das amêndoas é o do cianeto que contêm!

"conglomerado" de cianetos de hidrogênio


Gás Nervoso

Qualquer um dos agentes nervosos poderia estar na lista de substâncias químicas mais mortais. Sarin , VX e compostos relacionados são muito mais mortais do que a maioria dos outros compostos. Sarin, por exemplo, é cerca de 500 vezes mais tóxico que o cianeto de hidrogênio. 

O gás nervoso não precisa ser inalado para ser eficaz. Pode ser absorvido pela pele. Embora seja possível sobreviver a uma dose extremamente baixa, a vítima geralmente sofre algum nível de dano neurológico permanente. O VX pode ser ainda mais poderoso, embora o agente nervoso nunca tenha sido usado em batalha, então há menos dados nele. VX inibe uma enzima no sistema nervoso, de modo que constantemente dispara sinais. Perda de controle das funções corporais, sufocamento e convulsões levam à morte.

Estrutura tridimensional do VX


Brodifacoum

Brodifacoum é um anticoagulante potente que reduz o nível de vitamina K no sangue, levando a hemorragia interna e morte. É vendido como rodenticida sob marcas como Talon, Jaguar e Havoc. Enquanto mata ratos porque eles comem a isca contaminada, também não favorece as pessoas ou animais de estimação, desde que tocar nela pode causar exposição. Ela permeia a pele e permanece no corpo por meses. Animais que comem um roedor envenenado também estão em risco.

Estrutura do Brodifacoum


Estricnina


 A estricnina é um veneno de ocorrência natural, obtido principalmente a partir de sementes da árvore Strychnos nux-vomica. É uma neurotoxina que atua nos nervos espinhais, fazendo com que as vítimas se contorcem e convulsem. Está comercialmente disponível como pesticida para matar esquilos e ratos. Como Brodifacoum, é perigoso usar porque apresenta um risco para crianças, animais de estimação e outras vítimas não intencionais.          
Estrutura da estricnina

      

Polônio

Embora existam muitos outros compostos que poderiam facilmente fazer essa lista, não esqueça que alguns elementos químicos são venenosos! Chumbo e mercúrio são terrivelmente tóxicos. Não há exposição “segura” ao chumbo, enquanto o mercúrio é muito pior em sua forma orgânica do que como um elemento puro.

             


Minério de Polônio

O polônio e outros elementos radioativos carregam um duplo golpe. O elemento em si é tóxico e a radioatividade quebra os tecidos do corpo. A dose letal desse elemento é muito menor que a de qualquer outro veneno dessa lista. Ingerir apenas 7 trilhonésimos de grama é sobretudo suficiente para matar um adulto.

 

 

Vejam também um vídeo sobre os nove (substâncias) venenos letais ao ser humano



Fontes: 
https://clubedaquimica.com/2019/06/19/os-10-venenos-mais-mortais-conhecidos-pelo-homem/

https://www.facebook.com/watch/?v=680272326008672

quarta-feira, 27 de abril de 2022

O lugar da licenciatura (para refletirmos)

Pesquisador de educação, professor e reitor honorário da Universidade de Lisboa, António Nóvoa propõe que IES criem “casa de formação docente” e se preocupem com a identidade profissional dos futuros professores

Imagem de https://www.pucpr.br/escolas/escola-de-educacao-e-humanidades/bacharelado-ou-licenciatura/

Professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, em Portugal, reitor honorário da mesma instituição e autor de mais de 150 publicações sobre ensino e docência editadas em 12 países, António Nóvoa avalia que “historicamente, a universidade manifestou grande indiferença à educação básica” e, consequentemente, à formação de professores nas licenciaturas. Mas, segundo o pesquisador, ainda há formas de o setor se reconciliar com os professores, que são, em verdade, os instrutores básicos de todos os futuros universitários.
Dentre os caminhos para isso, o pesquisador português aponta a necessidade de as IES terem um comprometimento sério com a formação docente, criando, por exemplo, departamentos direcionados a pensar como e por que é importante formar professores em licenciaturas que podem – e devem – estar mais integradas.
Essas e outras ideias foram expostas pelo pesquisador em entrevista à Ensino Superior concedida em São Paulo. O educador esteve recentemente no Brasil a convite do Instituto Península, do Instituto Singularidades e do Instituto Ayrton Senna para ministrar a palestra “Formação de professores na atualidade: currículo e formação da identidade docente”.
Existe quem defenda que, para dar aula, um historiador, por exemplo, não precisa ter licenciatura, mas sim dominar o conteúdo por meio de uma formação apenas como bacharel. O que sustenta esse tipo de argumento?
Historicamente, há a ideia de que se alguém conhece alguma coisa, se alguém sabe de alguma coisa, facilmente consegue transmitir isso ao outro. E não é verdade, porque profissão de professor não é o mesmo que transmitir conhecimento, tem toda uma complexidade muito maior. Para nós [pedagogos, pesquisadores e teóricos da educação], é claro que não se pode ser professor sem combinar três tipos de conhecimento: saber muito bem o conteúdo que se vai ensinar – isso é central, se não se souber muito bem história, não se pode ensinar história; se não se souber muito bem matemática, não se pode ensinar matemática; ter as bases centrais de tudo o que é da pedagogia, das teorias da aprendizagem, sobre a maneira como as crianças aprendem; e depois, ter um conhecimento da profissão, saber como a profissão funciona na prática, qual é o conhecimento profissional, como se organizar nas escolas, como qualificar o trabalho. Sem esses tipos de conhecimento, é impossível ser professor. E quando se desvaloriza um deles, perde-se a dimensão do que é a formação de professores.

Resultado de imagem para O lugar da licenciatura
imagem de Jornal Bom Dia

Há a necessidade de convencer os gestores de que licenciatura é importante dentro do ensino superior?
Historicamente, a universidade manifestou uma grande indiferença com relação à educação básica. A universidade nunca se comprometeu com a educação básica, comprometeu-se com outras coisas, como a ciência, com a cultura em determinados momentos, com a saúde, com a medicina, mas não com a educação básica. E, assim, também nunca se comprometeu com a formação de professores da educação básica. Foram formando professores, porque tinham alunos que apareciam e queriam ser professores. Mas isso nunca verdadeiramente esteve dentre as preocupações das universidades, e tem de passar a estar.

Como e por que promover isso?
As universidades têm de decidir se querem mesmo formar professores. Se querem, têm de fazer isso a sério. E não estou excluindo ninguém. Quero ter os físicos, os cientistas, os historiadores e os matemáticos formando professores, porque o conhecimento, a ciência e a cultura estão nessas dimensões, não estão na pedagogia apenas. Mas, se eles disserem “formar professores não é a minha preocupação”, nós não iremos conseguir resolver nada. Se não há formação de professores de qualidade, não há ensino de qualidade, não há educação básica de qualidade, e continuaremos a nos queixar de que os alunos chegam às universidades mal preparados, que eles chegam à faculdade sem saber matemática, por exemplo. Andamos nessa caixa permanente, uma espécie de círculo vicioso, que tem de ser cortado de algum lado, e a melhor maneira de fazer isso é a universidade assumir um maior compromisso com a educação básica.

Mas como as universidades podem valorizar a formação do professor na prática?
É preciso uma atenção constante. Todos temos de atuar a partir do nosso lugar na instituição de ensino. Eu não tenho, de maneira nenhuma, como reitor, como estipular um piso salarial para os professores de educação básica. Mas, como reitor, eu posso valorizar a formação de professor na minha instituição, posso lhe dar visibilidade, posso dizer que essa é a primeira das minhas preocupações, posso receber os estudantes que estão nas licenciaturas assim que eles entram na faculdade, posso fazer algumas cerimônias de recepção para esses estudantes, posso canalizar recursos para os programas de formação docentes. Eu fiz isso. Foi na minha gestão que se criaram os mestrados em ensino.

Há algo central a ser resolvido quanto à desvalorização das licenciaturas?
Estou influenciado pela minha experiência como reitor, mas neste momento acredito que as condições institucionais são muito importantes. No fundo, se criarmos boas condições institucionais para essa formação, as
pessoas tenderão a adaptar-se a elas. Acho que o problema principal da formação inicial de professores é a falta de um lugar dentro das universidades onde se formam os professores, a falta de uma casa comum. Por que os professores trabalham nas licenciaturas de biologia, história, matemática separadamente? Onde está o lugar em que nos sentamos à volta de uma mesa para pensar como se forma o professor? Esse lugar muitas vezes não existe nas instituições de ensino superior. Gostaria de convidar as universidades a criarem essa casa comum para a formação de professores. Pode ser um prédio, um colegiado; cada universidade decidirá o que quer fazer, mas tem de haver um lugar, um espaço, onde se reflita sobre essa formação. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, eles estão trabalhando em uma ideia que chamaram de complexo da formação dos professores.

Quais os exemplos de boas licenciaturas ao redor do mundo?
Experiências não faltam. O problema é passar do nível das experiências para coisas que se alargam em outras realidades do mundo. O projeto francês das Escolas Superiores do Professorado de Educação é mais avançado e vale a pena ser acompanhado com muito cuidado. Eles criaram uma escola em cada região da França. Elas têm, lá dentro, os universitários, os docentes, os professores de escolas e os responsáveis por políticas públicas de educação. Ou seja, é uma instituição que não é apenas universidade: é fortemente universitária, tem a dimensão universitária – há possibilidades de fazer mestrados e doutorados –, é como se fosse uma placa de ligação entre diversos mundos. Obviamente, não podemos esperar que haja um único e melhor jeito de formar professores no mundo. Cada país tem a sua história, os seus processos, os seus desenvolvimentos. O importante é que as experiências sejam enriquecedoras, boas, positivas.

O que acha das licenciaturas oferecidas por meio de cursos a distância?
Não é possível formar um professor exclusivamente a distância. Da mesma maneira que não há cursos a distância para formar médicos ou arquitetos. A formação de qualquer profissional implica um contato com a realidade profissional. E ser profissional não é “saber muito disso, e mais isso e mais outra coisa”, mas sim é ser capaz de integrar conhecimentos em uma determinada cultura profissional. Mas, logicamente, devemos recorrer aos meios digitais até onde for possível.

A meta 16 do Plano Nacional de Educação brasileiro prevê o aumento de professores de educação básica com nível de mestrado e doutorado. Qual é o melhor caminho para isso, uma vez que esses pontos já são realidade em Portugal e na Espanha?
É importante haver doutores em educação para pesquisa, para investigação, para a ciência. Mas não é isso que vai melhorar substantivamente a qualidade de formação e a atuação de nossos professores. Podemos reparar que esses objetivos raramente são colocados na área da medicina, por exemplo. O que importa para os médicos é uma boa formação inicial de grande qualidade, que forme a pessoa do ponto de vista profissional. Tudo bem que a pós-graduação para professores em Portugal e na Espanha é uma formação obrigatória. Mas nesses países a pós-graduação atinge cinco anos de formação universitária: dá-se o título de graduado ao fim de três anos de curso, e de mestre ao fim de cinco anos. No fundo, vocês e nós damos nomes diferentes para a mesma quantidade de anos de formação. Defendo que cinco anos de formação universitária é um bom tempo para formar um professor. Agora, se chamarmos isso de mestrado ou de graduação e licenciatura, é indiferente.

A universidade pode ou consegue ensinar a formar identidade para que se queira ser docente, para que um jovem se enxergue como docente?
Identidade não se ensina, é um processo que está sempre em caminho. Portanto, não é um dado adquirido. Nós temos uma vida inteira em que se constroem e se reconstroem processos identitários. Mas essa caminhada deve começar no primeiro dia de universidade. Há maneiras simples para isso. As faculdades de medicina estão dentro de hospitais. Por que isso? Porque é ali que se dá a profissão e, portanto, muito naturalmente há um processo de socialização com o futuro ambiente de trabalho. A primeira coisa que os jovens estudantes de medicina fazem nos primeiros dias de aula é entrar na universidade com um jaleco de médico e um estetoscópio ao redor do pescoço. Eles têm 18 anos, não sabem nada de medicina ainda, mas já se comportam como médicos, já têm um traço identitário como médicos. Mas nas licenciaturas temos alunos que passam cinco anos na faculdade sem nunca entrar em uma escola, sem nunca ter contato com um professor ou com um aluno.

Como mudar isso?
É preciso construir essa identidade profissional desde o primeiro dia de aula, ter um programa de formação docente em que a reflexão sobre a identidade profissional exista. Nenhum de nós nasce professor, nós nos tornamos professores. A formação deve ser um processo de constituição de uma cultura profissional, de um gesto profissional, de uma maneira de ser profissional. Formar um professor é conseguir que alguém aprenda a conhecer, a pensar, a sentir e a agir como um profissional docente.

FONTE: http://www.revistaeducacao.com.br/o-lugar-da-licenciatura/

sábado, 19 de março de 2022

Horrores das guerras --> ARMA QUÍMICA: GÁS SARIN


imagem de https://www.chemicalrisk.com.br/
As armas químicas de guerra são definidas como qualquer substância química cujas propriedades tóxicas são utilizadas com a finalidade de matar, ferir ou incapacitar algum inimigo na guerra ou associado a operações militares. 
  • Histórico
O sarin é um composto organofosforado, classificado como agente neurotóxico, que atua inibindo as enzimas colinesterásicas, em particular a acetilcolinesterase (AChE), a AChE eritrocitária (EC 3.1.1.7) e a AChE butirilcolinesterase (EC 3.1.1.8). Tais compostos fosforados são conhecidos como armas químicas de guerra e armas de terrorismo, e estão entre as mais mortais dentre as armas químicas de guerra. O primeiro registro de exposição a inibidores da colinesterase foi em tribos nativas da África, que utilizavam feijão-de-Calabar, cujo princípio ativo é a fisostigmina. Em 1854, foi sintetizado o primeiro composto organofoforado, o tetratilpirofosfato, e, em 1937, foi esclarecida a fórmula geral dos organofosforados e sintetizado o Sarin.
  • Características do Sarin
Fórmula estrutural do Sarin
  • líquido incolor e inodoro;
  • agente muito volátil;
  • DL50 (dose letal 50%) é estimada em 14,3 mg/kg;
  • CL50 (concentração letal 50%) é estimada em 100 mg/min/mm³.
  • Mecanismo de ação
A acetilcolina (ACh) é o mediador químico necessário para a transmissão do impulso nervoso em todas as fibras pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo, em todas as fibras simpáticas pós-ganglionares parassimpáticas e em algumas fibras simpáticas pós-ganglionares, que inervam as glândulas sudoríparas e os vasos sanguíneos musculares (Figura 1). Além disso, a ACh é o transmissor neuro-humoral do nervo motor do músculo estriado (placa mioneural) e de algumas sinapses interneuronais no sistema nervoso central Figura 2 (LOTTI, 1995; WILSON, 2001).

Figura 1. Esquema do processo de transmissão e controle nervoso nas sinapses
A transmissão do impulso nervoso requer que a ACh seja liberada no espaço intersináptico ou entre a fibra nervosa e a célula efetora. Depois, a ACh se liga a um receptor colinérgico nicotínico ou muscarínico, gerando um potencial pós-sináptico de ação e a propagação do impulso nervoso. A seguir, a ACh é imediatamente liberada e hidrolisada pela AChE (BOSGRA et al, 2009; KLAASSEN; WATKINS, 2012; SIDELL et al, 2008).
A ACh une-se aos sítio aniônico e esterásico da acetilcolinesterase (AChE) através de forças como a de van der Waals, dando lugar ao complexo enzima-substrato; em seguida, é liberada a colina, e a enzima fica acetilada. A enzima acetilada reage com água para regenerar a enzima, liberando ácido acético, conforme Figura 2.


Figura 2.
 Hidrólise da ACh pela AChE
O sarin, como os demais organofosforados, se liga de forma bastante estável e mais forte ao centro esterásico da enzima acetilcolinesterase inibindo (Figura 3), assim, sua ação por impedimento espacial. Desta forma, a acetilcolinesterase não consegue se ligar a acetilcolina, que por sua vez acumula-se nas fendas sinápticas, desencadeando todos os vários sinais característicos da intoxicação (Figura 4) (KLAASSEN; WATKINS, 2012; OGA et al, 2008).

Figura 3. Esquema simplificado do sítio ativo da AChE
Os efeitos anticolinesterásicos dos agentes neurotóxicos podem ser caracterizados como muscarínicos, nicotínicos, e sobre o sistema nervoso central (SNC) (Figura 5)
Figura 4. Mecanismo de ação do Sarin
Os efeitos muscarínicos ocorrem no sistema parassimpático (brônquios, coração, pupilas dos olhos, glândulas salivares, lacrimais e sudoríparas) e podem resultar em sinais de edema pulmonar, bradicardia, miose, lacrimejamento e sudorese.
Os efeitos nicotínicos ocorrem no sistema somático (esquelético e motor), e no sistema simpático, resultando em fasciculações musculares, fraqueza muscular, taquicardia e diarréia.
Os efeitos sobre o SNC se manifestam como ansiedade, tontura, labilidade emocional, ataxia, confusão e depressão. Suspeita-se que o sarin possa afetar a transmissão dos impulsos nervosos em tecidos excitáveis, receptores e canais iônicos (SIDELL et al, 2008; MARTIN e LOBERT, 2003).

Figura 5. Efeito da inibição da AChE
  • Antídotos
No tratamento de episódios de intoxicação aguda por agentes neurotóxicos, como é o caso do sarin, são administrado dois antídotos específicos, a atropina e a pralidoxima.
A atropina é um antagonista das ações da acetilcolina e atua bloqueando os efeitos muscarínicos da estimulação colinérgica. Ela compete com a acetilcolina por um local de ligação comum no receptor muscarínico, diminuindo a crise colinérgica provocada pelo sarin e demais compostos neurotóxicos.
A pralidoxima promove a reativação da enzima acetilcolinesterase através da remoção do grupo fosforil ligado ao grupo éster da enzima, restaurando a função normal da acetilcolinesterase. Nesta reação, o sarin (e outros agentes neurotóxicos) e a pralidoxima são mutuamente inativados. Estes produtos são, então, submetidos a uma rápida biotransformação, levando à remoção do sarin e de outros compostos neurotóxicos.
  • Uso do sarin
Dentre os usos com fins bélicos ou em atentados mais recentes do sarin, tem-se que ele foi empregado em junho de 1994 em Matsumoto, Japão, num ataque terrorista organizado por um grupo religioso conhecido como Aum Shinrikyo (Verdade Suprema) e provocou a morte de oito pessoas, com mais de 200 feridos.
Em 20 de março de 1995, ocorreu outro ataque terrorista no metrô de Tóquio, Japão, com gás sarin. O ataque foi de autoria da mesma seita religiosa Aum Shinrikyo e provocou a morte de onze pessoas e mais de 5.000 ficaram feridas.
Atualmente, segundo publicação do Estadão, os EUA afirmam que o governo da Síria utilizou gás Sarin na capital da Síria, Damasco no último dia 21 de agosto. Segundo relatos, mais de 1.429 pessoas foram mortas, incluindo 426 crianças e diversos feridos.
Há indícios de que na Guerra Civil do Iêmen (1963-1970) foram empregados pela primeira vez os agentes neurotóxicos, supostamente tabun e sarin.
Na Guerra Irã-Iraque (1984-1990), o Iraque lançou gás mostarda, tabun e sarin contra os curdos, grupo étnico que vivia nas regiões de Israel e em outros países, como Irã e Síria.
  •    Métodos de detecção
O gás sarin pode ser detectado em amostras biológicas como: urina, sangue, cabelo, entre outras, e, em amostras do solo, água, roupas, entre outras.
O sarin, assim como outros agentes neurotóxicos, podem ser detectados empregando GC/MS, GC/MS/MS, LC/MS/MS.

Referências:
LOTTI, M. et al. Cholinesterase inhibition: complexities in interpretation. Clinical Chemistry, v. 41, n. 12, p. 1814-1818, 1995.
WILSON, B.W. Cholinesterases. In: KRIEGER, R. I. Handbook of Pesticides Toxicology Agents. 2 ed. California: Academic Press, 2001. cap. 48, p. 967-985.
BOSGRA S. et al.Toxicodynamic analysis of the inhibition of isolated human acetylcholinesterase by combinations of methamidophos and methomyl in vitro. Toxicology and Applied Pharmacology, v. 236, n. 1, p.1-8, 2009.
HILMAS, C.J.; SMART, J.K.; HILL, B. Nerve Agents. In.SIDELL, F.R., NEWMARK, J., MCDONOUGH, J.H. Medical Aspects of Chemical Warfare. Washington, DC, Borden Institute, 2008. Capter 5.
MARTIN, T., LOBERT, S. Chemical warfare: toxicity of nerve agents. American Association of Critical-Care Nurses, v.23, n.5, p. 15 – 22, 2003.
OGA, S. et al. Fundamentos de toxicologia. Editora Atheneu, São Paulo, 2008.
KLAASSEN, C.D., WATKINS, J.B. Fundamentos em Toxicologia de Casarett e Doull. Editora AMGH, Porto Alegre, 2012.
FONTE: http://www.guerraquimicaebiologica.com.br/blog/10-guerra-quimica/26-arma-quimica-gas-sarin

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Método japonês para combater a preguiça: a regra do minuto

Imagem de pinterest.com

"A partir de segunda-feira, começarei uma vida nova. Irei à academia, farei yoga e passarei a ler à noite...." — todos nós traçamos periodicamente metas, mas não a alcançamos e acabamos adiando-as para o mês seguinte, mas dali a alguns meses ou até para o ano que vem. Pra resumir, nunca.

Outras vezes começamos a fazer aquilo que tínhamos planejado, mas depois de, por exemplo, ter treinado intensamente 3 vezes por semana, de repente deixamos tudo de lado para sempre ou por um período de tempo consideravelmente longo. Por que isso acontece? Porque sobrecarregamos nosso organismo com um ritmo intenso e, como ainda não estamos acostumados a ele, ficamos extremamente cansados.

Método Kaizen, ou a ’regra do minuto’

O segredo deste método está no fato de que a pessoa realiza determinada tarefa todos os dias no mesmo horário, durante um minuto. Um minuto é pouco tempo, e isso quer dizer que qualquer pessoa pode realizar aquela ação, sem que a preguiça entre no caminho. As mesmas tarefas que você não sentiria vontade de fazer por meia hora e para as quais poderia arrumar alguma desculpa, poderão facilmente ser feitas em 60 curtos segundos. Não vai pesar, nós garantimos. Pular corda, fazer flexões peitorais, exercitar os músculos dos olhos, fazer um pouco de yoga, ler um livro em outro idioma — não são tarefas difíceis quando sabemos que as realizaremos por apenas um minuto: pelo contrário, são motivo de alegria e satisfação. E é justamente dando pequenos passos que você consegue alcançar resultados que nem poderia imaginar.
Também é muito importante o fato de que você vencerá aquela voz que fica em seu ouvido, repetindo que você não conseguirá fazer isto ou aquilo, além de deixar para trás o sentimento de culpa e impotência, passando a curtir a agradável sensação de dever cumprido. Quando estiver inspirado, seguro e motivado, você poderá passar a realizar aquela atividade por cinco minutos (aumentando sempre aos poucos), e assim sucessivamente. Depois, quase sem perceber, você conseguirá passar meia hora, ou até mais, fazendo aquilo que sempre quis. O progresso será claro!

Em japonês, a palavra ‘Kaizen’ é composta originalmente por outras duas palavras: ‘kai’, que quer dizer ‘mudança’; e ‘zen’, que significa ‘sabedoria’. O autor deste conceito de gestão da qualidade é Masaaki Imai. Ele acredira que o Kaizen é uma verdadeira filosofia de vida, que pode ser usada com sucesso tanto na área dos negócios quanto na vida privada. Muitas fábricas já usam o método em seus processos de controle de qualidade.

Os ocidentais podem até questionar a eficiência da técnica, até porque ouviram desde pequenos que não é possível obter bons resultados sem aplicar uma quantidade enorme de esforço, mas, por outro lado, existe a certeza de que grandes projetos, daqueles que exigem muita energia e esforço, podem acabar levando a pessoa ao fracasso, sem que o resultado seja atingido. O método Kaizen é útil para todos, e pode ser adaptado a qualquer área da vida. Os japoneses, por exemplo, usam a estratégia do crescimento gradual e constante para melhorar a gestão de processos.
Agora, só resta saber o que você quer começar a fazer e usar o método Kaizen. Lembre-se: até o caminho mais longo começa com um único passo. E não há problema algum se esse passo for pequeno.

Produzido com base em material de 
timesnet.ruTradução e adaptação: Incrível.club 
FONTE: https://incrivel.club/inspiracao-dicas/metodo-japones-para-combater-a-preguica-a-regra-do-minuto-97860/

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A química em poemas - aqui temos Drummond 💧💟💢💪💊💉💰

 No texto abaixo se encontra num compêndio chamado Discurso de Primavera e Algumas sombras, que reúne diversos poemas que tratam da realidade vivida pelo autor.

'Receituário Sortido' se refere a uma sociedade hipocondríaca, cuja solução para todos os males estava nos medicamentos de época, muitos atualmente dados como ilegais devido aos efeitos entorpecentes.

Receituário Sortido (Carlos Drummond de Andrade)

Calma.

É preciso ter calma no Brasil

calmina

calmarian

calmogen

calmovita.

 

Que negócio é esse de ansiedade?

Não quero ver ninguém ansioso.

O cordão dos ansiosos enfrentemos:

ansipan!

ansiotex!

ansiex ansiax ansiolax

ansiopax, amigos!

 

Serenidade, amor, serenidade.

Dissolve-se a seresta no sereno?

Fecha os olhos: serenium,

serenex…

 

Dói muito o teu dodói de alma?

Em seda e sedativo te protejas.

Sedax, meu coração,

sedolin

sedotex

sedomepril.

 

Meu bem, relaxe por favor.

Relaxan

relaxatil.

Batem, batem à porta? Relax-pan.

 

Estás tenso, meu velho?

Tenso de alta tensão, intensa, túrbida?

Atenção: tensoben

tensocron

tensocrin

tensik

tensoplisin.

 

Anda, cai no sono,

amigo, olha o sonix.

Como soa o sonil

sonipan sonotal

sonoasil

sonobel sonopax!

E fique aí tranquilo tranquilinho

bem tranquil

tranquilid

tranquilase

tranquilan

tranquilin

tranquix tranquiex

tranquimax

tranquisan

e mesmo tranxilene!

 

Estás píssico, talvez

de tanto desencucarem tua cuca?

Estás perplexo?

Não ouves o pipilar: psicoplex?

psicodin

psiquim

psicobiome

psicolatil?

Não sentes adejar: psicopax?

 

Então morre, amizade. Morre presto,

morre já, morre urgente,

antes que em drágea cápsula ampola flaconete

proves letalex

mortalin

obituaran

homicidil

thanatex thanatil

thanatipum!”


Muitos dos medicamentos citados pelo autor são reais, e vamos falar sobre da química de alguns deles:






FONTE: Reagente Educa: https://www.instagram.com/p/CQ0s2foj5-Q/