sábado, 10 de agosto de 2019

Florianópolis será a primeira Cidade Lixo Zero do Brasil!

Florianópolis
imagem de www.greenme.com.br
Chegou a vez de o Brasil ter a sua primeira capital lixo zero!

Florianópolis é uma das cidades com o melhor desempenho na recuperação de resíduos do Brasil, tanto que há cerca de 30 anos ela já faz coleta seletiva. Mas, agora, a atual gestão municipal pretende colocar a cidade em uma patamar audacioso, para o qual terá que trabalhar muito.

A energia posta no projeto é grande, tanto que foi publicado um decreto (Decreto n° 18.646/18) no Diário Oficial do Município instituindo o Programa Florianópolis Capital Lixo Zero, a fim de incentivar a sociedade civil, a iniciativa privada e o poder público a reduzirem a produção de lixo e a valorizem os resíduos sólidos urbanos reintroduzindo-os na cadeia produtiva, informa o site da Prefeitura de Florianópolis.

O presidente da Autarquia de Melhoramentos da Capital Comcap, Márcio Luiz Alves, explica que o destino do resíduo é estabelecido dentro da casa de cada habitante, quando o separa em orgânico (restos de alimentos e de podas), reciclável seco (papel, plástico, metal e vidro) e rejeito (lixo sanitários e outros materiais para os quais não há ainda mercado de reciclagem), de acordo com publicação do Floripa Manha.

Floripa Lixo Zero 2030
Com a ajuda da população, a capital de Santa Catarina pretende ser Floripa Lixo Zero 2030. Isso significa que mais de 100 mil toneladas deixarão de ir para o aterro sanitário anualmente, com a ajuda de cada cidadão.

Uma das metas para que, até 2030, a cidade atinja a meta do lixo zero, é que os resíduos orgânicos tenham como destino a compostagem em quintais e pátios comunitários, de forma que não sejam encaminhadas as 100 mil toneladas por ano ao aterro sanitário até 2030.

“Serão quase R$ 40 milhões em ganhos ao ano, sem contar as vantagens ambientais, a redução na emissão de carbono tanto no aterro quanto na coleta. É só imaginar que Florianópolis deixará de mandar para o aterro, lá em Biguaçu, a 46 quilômetros do Itacorubi, algo como 27 caminhões de lixo por dia”, explica Alves.

Os órgãos públicos serão os primeiros a darem o exemplo para a sociedade, fazendo a separação dos resíduos em orgânicos, recicláveis secos e rejeito. Além disso, haverá um plano de reeducação para a comunidade e a melhoria da estrutura da Comcap para realizar a coleta.

COMPOSTAGEM DE LIXO ORGÂNICO EM FLORIANÓPOLIS AGORA É LEI
Além de promover a separação e a valorização dos resíduos sólidos urbanos no município para viabilizar a economia circular, a preservação ambiental e a redução do volume dos resíduos, o projeto visa ao desenvolvimento econômico do município através da criação de novos negócios e da geração de empregos no circuito das economias circular, criativa, colaborativa e solidária pelo viés da inovação.

Que esse projeto seja exitoso e sirva de exemplo para outros municípios brasileiros!

FONTE: https://www.greenme.com.br/informar-se/cidades/8027-florianopolis-cidade-lixo-zero-do-brasil

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

"Reconhecimento é a melhor forma de estimular alguém”

Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, a ausência de reconhecimento é a grande causa da atual desmotivação nos ambientes (familiar, escolar, profissional,...)

 Palestra do professor Mario Sergio Cortella realizada em São José dos Campos em junho/2016 (Foto:  Lucas LACAZ RUIZ / A13 / Ag. O Globo)
PALESTRA DO PROFESSOR MARIO SERGIO CORTELLA REALIZADA EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS EM (FOTO: LUCAS LACAZ RUIZ / A13 / AG. O GLOBO)

O salário não é a principal fonte de insatisfação dos brasileiros dentro das empresas. Mais do que uma remuneração condizente com o que seria justo pelo seu trabalho, as pessoas querem ser reconhecidas e valorizadas dentro das organizações. Ser mais uma peça da engrenagem é um fardo nos tempos atuais, defende o filósofo Mário Sérgio Cortella. Docente, educador, palestrante e consultor de empresas, Cortella afirma que a principal causa da atual desmotivação é a ausência de reconhecimento. E ela manifesta-se de várias formas: do chefe injusto à falta de valorização em cada projeto e tarefa. Não é uma questão puramente de promover o elogio desmesurado, mas uma forma de “dar a energia vital ao funcionário para continuar fazendo e seguindo em frente". É principalmente evitar a mensagem de que "não ser mandado embora já é um elogio" ou que "o silêncio é a melhor maneira de dizer que está tudo em ordem".

Em seu livro, Mário Sérgio Cortella fala sobre reconhecimento e de outras questões que considera inerentes à insatisfação de muitas pessoas hoje em relação ao próprio emprego. Em Por Que Fazemos O Que Fazemos, publicado pela Editora Planeta, o professor reflete sobre próposito e por que as pessoas almejam empregos que conciliam uma satisfação pessoal e a certeza de não realizar um esforço “inútil” dentro da sociedade. Este tipo de aflição ganha maior evidência com a geração millennial que passou a almejar um “projeto de vida que não soe como conformado”, ou seja, do trabalho pelo trabalho. É sonhar com o trabalho grandioso, com uma rotina que não seja monótona, com um 'projeto que faça a diferença'. Por outro lado, é uma geração também que chega - em parte -  com pouca disciplina, que tem ambição e pressa, que vê seus desejos como direitos - e ignora os deveres. 

Todas essas aflições corporativas têm moldado a forma de atuar das empresas e das pessoas na hora de se associarem a um emprego. Em momentos de crise econômica, elas ganham um nível de contestação ainda maior. Em entrevista à Época NEGÓCIOS, Cortella comenta esses dilemas e mudanças, os “senões” de se fazer o que se ama e por que há uma “obsessão enorme por uma ideia de felicidade que não existe”: 


As pessoas não querem mais somente um salário mais alto, querem acreditar que fazem algo importante, autoral. Por que a necessidade de ter propósito ganhou maior relevância? É uma questão geracional?

Ela é mais densa e angustiante na nova geração que enxerga muitas vezes na geração anterior, que a criou, certa estafa em relação ao propósito. É muito comum que jovens e crianças enxerguem hoje nos pais algum cansaço e até tristeza naquilo que fazem. O pai e mãe dizem “eu trabalho para sustentar, esse é meu trabalho”. Há uma grande conformidade. E essa conformidade de certa forma acabou marcando uma nova geração, a millennial, que traz aí a necessidade de ter algum projeto de vida. Eles não querem repetir um modelo que, embora esforçado, dedicado e valoroso soa, de certa maneira, como conformado. Hoje há uma aflição muito grande na nova geração de maneira que se traduz numa expressão comum: “eu quero fazer alguma coisa que me torne importante e que eu goste”. A geração anterior tinha um pouco essa preocupação, mas deixou um tanto de lado por conta da necessidade.

Quando o sr. se refere à geração Y, aos millennials, está considerando um recorte ou o todo?
Claro que temos recortes. Não estou falando de quem está atrelado ao reino da necessidade, que precisa trabalhar sem discussão porque precisa sobreviver. Esta é uma questão de outra natureza. O termo millennial que eu adoto, como muitos, é aquele que cunharam para quem nasceu a partir dos anos 1990. E essa geração tem recortes mais diretos em relação à camada social. Evidentemente se você considerar aqueles que são escolarizados, têm boa condição de vida e que estão acima da classificação oficial da classe D, essa geração tem mais possibilidade de escolha à medida que a sobrevivência imediata não é uma questão. Ela pode viver até mais tempo com os pais e ser por eles sustentada. Isso vem acontecendo. Já integrantes das classes D e E têm mais dificuldade - uma parcela às vezes encontra sobrevivência na transgressão, no crime de outra natureza e outros encontram aquilo que é o trabalho suplicial que o dia a dia coloca sem escolhas. 

Como o senhor diz no seu livro até para ser mochileiro, você precisa ser livre de uma série de restrições…
Sim, você precisa dominar outro idioma, saber se virar. Há uma diferença entre um filho meu, de camada média, com uma mochila nas costas andando pela rua em relação ao modo que ele se conduz, à maneira como ele se dirige às pessoas do que ele ser, por exemplo, um andarilho. Uma pessoa pode até ser mochileira, mas ela já tem condições prévias que a tornam uma mochileira com menos transtornos do que como seria de outro modo.

O senhor diz frequentemente que, para fazer o que se gosta, é preciso fazer uma série de coisas das quais não se gosta. Esse entendimento provém de uma educação na empresa, da família ou escola?
É uma questão de formação familiar. Hoje há uma nova geração que, especialmente nas classes A, B e C, cresceu com facilitações da vida. Hoje a gente até fala em “adolescência estendida” que vai até aos 30 anos e não necessariamente até os 18 anos. São as pessoas que continuam vivendo com os pais, sob sustentação. Isso acabou levando também a uma condição, que uma parcela dos jovens entende que “desejos são direitos”, que vão obter aquilo porque é desejo deles e um outro vai providenciar. Cria-se assim a perspectiva equivocada de que as coisas podem ser obtidas sem esforço. Mas sabe, eu lembro sempre, trabalhar dá trabalho. Como costumo dizer: “só mundo de poeta que não tem pernilongo”. É óbvio que isso não anula a riqueza que essa nova geração tem de criatividade, expansividade, de receptividade em relação a vários modos de ser. Uma geração mentalmente rica, mas que precisa de um disciplinamento - que não é torturante, mas pedagógico - e que começa na família e vai encontrando abrigo na empresa. Essas estruturas são importantes para que essa energia vital não se dissipe. É preciso organizar essa energia de modo que não se perca com inconstâncias, para ser algo que possa de fato gerar benefício para o indivíduo e para a comunidade dele. 

As empresas ainda não sabem lidar, de forma geral, com a energia desses jovens?
Não, elas ainda estão começando a aprender. Há algumas que já possuem uma certa inteligência estratégica e estão se preparando e preparando seus gestores para que acolham essa nova geração como um patrimônio e não como um encargo. Porque quando você acolhe a nova geração como um encargo, em vez dela ser “sangue novo”, ela se torna algo que é perturbador. E é claro que não é só o jovem que tem de se preparar para essa condição. É necessário que a pessoa que a receba seja acolhedora, mas que também se coloque em uma postura de humildade pedagógica. Que ela saiba que vai aprender muito com alguém que chega com novas habilidades que a geração anterior não tem. Lidar nos dois polos de maneira que equipes multigeracionais ganhem potência em vez de entrarem em situação de digladio ou confronto. 

Nesses dois polos, os profissionais mais seniores ficam inseguros com receio de que seu papel não seja mais relevante nas organizações. Como eles podem lidar com esse novo cenário?
Eu só conseguirei ter essa percepção de que estou ficando para trás se eu deixar de lançar mão daqueles que chegam com coisas que eu ainda não conheço. E aí eu não vou ter só a percepção, eu vou ficar mesmo para trás. A gente aprende muito com quem chega, mas a gente também tem o que ensinar. Tem dois princípios que precisamos implantar: 1) quem sabe, reparte 2) quem não sabe, procura. Se eu formar seniores e juniores nesses dois princípios, de um lado vai ter generosidade mental e de outro a humildade intelectual. Essas duas trilhas virtuosas serão decisivas para que a gente construa maior potência no que precisa ser feito.

Com todos esses dilemas e mudanças, a ambição é necessária? Uma pessoa ambiciosa é boa ou perigosa para a empresa?
A pessoa ambiciosa é aquela que quer ser mais e melhor. É diferente de uma pessoa gananciosa, que quer tudo só para si a qualquer custo. Uma parte do apodrecimento que nosso país vive no campo da ética hoje se deve mais à ganância do que à ambição. Eu quero um jovem ambicioso. Eu, Cortella, sou ambicioso. Quero mais e melhor. Mais e melhor conhecimento, mais e melhor saúde. Mas não quero só para mim e a qualquer custo. A ganância é a desordem da ambição. É quando você entra no distúrbio que é eticamente fraturado. Por isso, é necessário que uma parte dos jovens seja ambiciosa. Um ou outro tem sim essa marca da ganância caso ele seja criado em uma família, estrutura, comunidade, na qual a regra seja a pior de todas: “fazemos qualquer negócio”. E essa regra é deletéria, é malévola aos negócios que, embora possam ser feitos, não devem ser feitos. A ambição é necessária, mas a ganância tem que ser colocada fora do circuito.

E quando você junta ambição e pressa? 
Não é algo que traz bons resultados. Uma das coisas boas da vida não é ter pressa, é ser veloz. Se você faz um trabalho apressadamente, você vai ter que fazer de novo. Quando eu vou consultar médico, eu quero velocidade para chegar à consulta, mas eu não quero pressa na consulta. Velocidade resulta de perícia, habilidade, de ser alguém que tem competência no que faz. A pressa resulta da imperícia. Por isso, o desenvolvimento da perícia, habilidade, competência permite que se faça algo velozmente. E se sou veloz, aquilo que resulta da minha ambição pode se transformar no meu êxito. Se sou apenas um apressado, vou ter que lançar mão de trilhas escusas para chegar ao mesmo objetivo - e o nome disso é Lava Jato.

Há um certo profissional que prefere hoje estabilidade e quer seguir uma carreira linear, sem grandes saltos. Mas é visto como um profissional medíocre. Ele está errado?
É um direito que ele tem. Uma pessoa tem direito de fazer essa escolha, mas ela também não pode se lamentar em relação ao resultado que isso traz. Afinal de contas, essa é uma vida morna, sem vibração. Não é uma que eu gostaria de seguir. Mas pode ser feita. Ninguém é obrigado a atuar de um outro modo. Eu acho que escolher essa vida irá beirar, em algum momento, à monotonia e isso gerará tristeza e frustrações.

Essa pessoa não projeta provavelmente as expectativas dela dentro da empresa?
Não, ela apenas vê aquilo ali como emprego. Emprego é fonte de renda e trabalho é fonte de vida. Trabalho dá vitalidade, emprego pode te dar dinheiro. Qual a diferença entre trabalho e emprego? O trabalho você faria até de graça. Há pessoas que encontram no emprego o trabalho que gostariam de ter. Há pessoas que não encontram e são infelizes e outras ficam apenas na rotina do emprego. Não seremos nós a dizer a alguém que ele não pode fazer isso, mas a mediocridade como escolha não deixa de ser mediocridade só porque foi escolhida.

Do mesmo modo, há quem projete todas as expectativas dentro da empresa...
Sim e isso tem piorado muito. Como o ambiente econômico piorou e a vida ficou mais complexa em relação à condição de sobrevivência, muita gente se encontra desmotivada. Ela até faz, mas não queria estar fazendo daquele modo e às vezes nem tem clareza do porquê está fazendo.  A empresa precisa entender que necessita criar movimentos de estímulo em relação a essa atividade, promover formação continuada, reconhecimento, tudo aquilo que faz com que a pessoa ganhe energia e receba combustível. Ninguém motiva alguém, o que se pode é estimular. A motivação é movimento interno - mas uma pessoa se encontrará mais motivada se ela for estimulada a fazê-lo. Empresa inteligente faz isso, promove momentos de reconhecimento para que as pessoas se sintam autorais naquilo que fazem, nos quais as pessoas entendam que as empresas se interessam por elas e não somente as usam. Entendam que são um bem, não apenas uma propriedade no sentido maquinário do termo. E quem é cuidado por uma organização também vai querer cuidar dela.

Em uma empresa com hierarquia muito rígida, é muito difícil fazer isso caso a caso, correto?
Se a empresa não tiver isso vai ter que inventar. Se ela é capaz de inventar participações do mercado, novas tecnologias e inovação, ela terá também de buscar inovação na formação de pessoas. Isso dá trabalho, mas é garantia de futuro. Quando a empresa fala que o maior ativo é gente, isso precisa ser demonstrado. Lealdade é reciprocidade. Se eu não percebo lealdade por parte de quem me contrata quanto à minha dedicação... eu preciso ver que a empresa se dedica a mim também. E isso não é com relação ao meu salário, porque eu vou sempre querer que ele seja superior, mas que seja evidente que a empresa consegue cuidar de mim, ajudar a aumentar minha capacidade, competência, não me colocar apenas como um peão de xadrez dentro do tabuleiro. Porque aí uma hora a reciprocidade virá. 

No livro, o senhor defende que as empresas devem realizar atividades que façam seus funcionários refletirem sobre o propósito do trabalho que realizam. Por que essa é uma atividade tão rara nas empresas?
Algumas empresas temem que, ao promover essa revisão, a pessoa abandone a companhia. Só que é necessário promover situações, criar ocasiões que levem a refletir sobre a razão de estar ali para que quando a pessoa resolva continuar na empresa, ela fique de modo mais legal, mais persistente e sólido. De nada adianta eu ter um grupo que nem pensa sobre a razão e no primeiro tropeço desiste, enfraquece, perde energia. É uma medida cautelar, é criar ocasiões que façam vir à tona as razões e os senões pelas quais alguém está ali. Assim é possível corrigir e dar maior densidade à razão para que ela continue de uma forma muito mais substantiva. É questão de estratégica, um caminho de perenidade que seja maior do que aquele que traz apenas uma ilusão ou  uma simulação de lealdade.

Se você olhar para as organizações que não têm um produto muito mais admirado, como elas podem fazer para atrair e reter talentos em um mundo onde o propósito é mais valorizado?
Há algumas pessoas que não querem mais trabalhar em uma organização que comercializa algo que seja malévolo, menos sedutor, encantador. Isso tem levado as próprias empresas a reorientarem seu modo de atuação. Um dos produtos que hoje está no alvo é o refrigerante, sendo visto como fonte de malefício. Mas as grandes empresas do varejo vêm reordenando a sua atuação nesse campo de maneira a tornar aquele produto como algo que não seja entendido como maléfico. É difícil trabalhar hoje na indústria do tabaco, na indústria armamentista. Mas veja bem, o que é trabalhar na indústria armamentista? É trabalhar naquela que faz míssil ou naquela que faz computador que também é colocado no míssil? Essa inter-relação leva a uma revisão dessas percepções. A empresa não pode ser sedutora apenas na aparência, precisa explicitar os compromissos que tem. É muito mais difícil enganar alguém hoje do que há algumas décadas. A fonte de informação é imediata. Não sou tão iludível quanto era quando era menino. Um jovem de 20 anos tem informações sobre uma organização que não se conseguia tão facilmente antes.

O senhor aponta no livro que o maior descontentamento atual dos funcionários nas empresas não é salarial, mas a falta de reconhecimento. Por que a questão ganhou força nos últimos anos?
Hoje há um anonimato muito forte na produção. Como a gente tem uma estrutura de trabalho em equipe muito grande, o trabalho em equipe quase leva à anulação do reconhecimento do indivíduo. E isso significa que um trabalho em equipe não prescinde da atuação de cada pessoa. É necessário que não se gere anonimato. Eu insisto: reconhecimento não é só pecuniário, financeiro, é autoral. É necessário que a empresa exalte, mostre quem colaborou com aquilo. À medida que você tem reconhecimento, comemoração, celebração, isso dá energia vital para continuar fazendo. Não se entende aquilo como sendo apenas uma tarefa. O reconhecimento ultrapassa a ideia de tarefa. Não sei se seu pai fazia isso, mas chegava em casa com o boletim da escola, altas notas, e ele dizia: “não fez mais que a obrigação” - isto é altamente desestimulador. É preciso reconhecer, dizer que é bacana, comemorar. Aquilo que estimula a continuar naquela rota. Reconhecimento é a principal forma de estímulo que alguém pode ter. 

No livro, o senhor também cita a obsessão por “uma tal ideia de felicidade” que acaba levando as pessoas a viverem muito mais a expectativa do que a realização. Por que isto ocorre?
A felicidade não é o lugar onde você chega. A felicidade é uma circunstância que você vivencia no seu dia a dia. Não tem “a felicidade”. Você tem circunstâncias de felicidade, ocasiões, que quando vêm à tona não devem ser deixadas de lado. Ninguém é feliz o tempo todo - isso seria uma forma de idiotia - à medida que a vida tem suas turbulências. Mas quando ela vier, admita a felicidade. Colocar a felicidade só num ponto futuro, inatingível, isso é muito mais resultante de uma dificuldade de lidar com a questão do que concretamente uma busca efetiva. Por isso, sim, a felicidade é uma desejo porque o mundo tecnológico nos colocou em contato com tantas coisas, mas nos deu uma certa marca de solitariedade, de ficar solitário com relação àquilo que se tem, a uma ausência de contato muito forte. Tudo é muito virtual e isso acaba gerando desconforto interno, angústia nas pessoas. E a felicidade é um nome que as pessoas dão para superar essa angústia.

O que é felicidade para o sr?
É a que eu tenho na minha vivência. Quando percebo uma obra feita, uma aula bem dada, um abraço sincero, afeto verdadeiro, conquista merecedora. São meus momentos de felicidade. Não são um lugar onde desejo chegar. 

domingo, 4 de agosto de 2019

Trem do futuro é movido à hidrogênio (da água), atinge 140 km/h e irá operar na Alemanha

imagem de engenhariae.com.br
A cada dia que passa, a preocupação mundial com o meio ambiente tem feito com que cientistas trabalhem cada vez mais para o desenvolvimento de projetos sustentáveis, especialmente no que diz respeito à energia limpa, ou seja, que não emite gás carbônico que agride a camada de ozônio e piora o aquecimento global.
O Coradia iLint, construído pela Alstom em Salzgitter, na Alemanha, está equipado com células de combustível que convertem hidrogênio e oxigênio em eletricidade, eliminando as emissões poluentes relacionadas à propulsão. 

Por enquanto, os usuários da rede Elbe-Weser, da EVB, podem esperar pela primeira viagem mundial a bordo dos trens de baixo ruído e emissão zero que alcançam até 140 km/h. Pela LNVG, os trens Coradia iLint serão operados em quase 100 quilômetros de linha entre Cuxhaven, Bremerhaven, Bremervörde e Buxtehude, substituindo a frota de diesel existente da EVB.

Os novos trens serão abastecidos em uma estação móvel de abastecimento de hidrogênio, que será bombeado em estado gasoso para dentro dos trens a partir de um contêiner de aço de 12 metros de altura próximo aos trilhos da estação de Bremervörde. Com um tanque, eles podem percorrer toda a rede durante todo o dia, graças a uma autonomia total de 1000 km. Um posto de gasolina estacionário nas instalações da EVB está programado para entrar em operação em 2021, quando a Alstom entregará mais 14 trens Coradia iLint para a LNVG.

Os veículos apenas emitem vapores de água durante a operação, tornando-os uma alternativa ecológica ao diesel, uma vez que não produz emissões nocivas e que promovem impactos negativos para o meio ambiente.

  
imagem de engenhariae.com.br

domingo, 28 de julho de 2019

Pesquisadores estudam moléculas da maconha que combatem a dor

A canflavina A e canflavina B são 30 vezes mais eficazes contra a inflamação do que uma aspirina: as moléculas não causam dependência

A cannabis tem substâncias que podem ajudar diretamente a curar uma dor (Foto: Pexels)
Imagem de revistagalileu.globo.com

Um grupo de cientistas da Universidade de Guelph (Canadá) fez um estudo para encontrar as moléculas da cannabis que ajudam a combater a dor. No estudo publicado na revista Phytochemistry, os pesquisadores explicam como usaram uma combinação de genômica e bioquímica para descobrir como a planta produz canflavina A e canflavina B, duas moléculas que são 30 vezes melhores para combater uma inflamação do que a aspirina.

Apesar de estas moléculas — chamadas de flavonoides — serem conhecidas desde 1985, o que se sabe sobre o assunto é limitado devido à estrita regulamentação sobre a pesquisa de maconha. Com a recente legalização da cannabis no Canadá, entretanto, os cientistas puderam fazer o estudo sem problemas.


A equipe usou técnicas bioquímicas para descobrir quais genes são necessários para fazer as duas moléculas e quais enzimas estão envolvidas neste processo. "Existem muitos genomas sequenciados que estão disponíveis ao público, incluindo o genoma da Cannabis sativa, que pode ser extraído de informações. Se você sabe o que está procurando, pode dar vida aos genes, por assim dizer, e juntar moléculas como cannflavinas A e B são montadas", explica o autor do estudo Tariq Akhtar em um comunicado.
 

As moléculas atingem diretamente a dor e não são psicoativas, ou seja, não afetam o funcionamento do sistema nervoso central como os opiáceos (subtâncias encontradas no ópio) ou o THC da cannabis. Então seria possível usá-las para criar uma nova classe de analgésicos sem o risco de causar dependência.

"Há claramente uma necessidade de desenvolver alternativas para o alívio da dor aguda e crônica que vão além dos opioides", explica Akhtar. "Essas moléculas não são psicoativas e têm como alvo a inflamação na fonte, tornando-as analgésicos ideais".


O próximo passo é tentar produzir estas móleculas em grandes quantidades sem a necessidade da cannabis, já que mesmo plantas geneticamente modificadas não seriam capazes de produzir o suficiente. Para isso eles já estão trabalhando com uma empresa canadense chamada Anahit International Corp.

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2019/07/pesquisadores-estudam-moleculas-da-maconha-que-combatem-dor.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Descobriram como é a geometria de um elétron

Um elétron preso em um ponto quântico. Ele se move dentro do espaço, mas, com diferentes probabilidades correspondentes a uma função de onda, permanece em certos locais dentro de seu confinamento (elipses vermelhas)
Cientistas da Universidade de Basileia, na Suíça, mostraram como a geometria de um único elétron se parece pela primeira vez.

A descoberta foi feita através de um método recém-desenvolvido que permite aos cientistas calcular a probabilidade de um elétron estar presente em um espaço.
Isso, por sua vez, leva a um melhor controle dos spins dos elétrons, que poderiam servir como a menor unidade de informação em um futuro computador quântico.

Spin, computação quântica e geometria do elétron

spin (ou “giro”) de um elétron representa as possíveis orientações que a partícula subatômica carregada pode exibir quando imersa em um campo magnético.
spin é um candidato promissor para ser usado como a menor unidade de informação (ou qubit) de um computador quântico.

Controlar e alternar este giro ou acoplá-lo a outros spins são alguns dos desafios nos quais inúmeros grupos de pesquisa em todo o mundo estão trabalhando.
A estabilidade de um único spin e o emaranhamento de vários spins dependem, entre outras coisas, da geometria dos elétrons – que antes era impossível de determinar experimentalmente.

Átomo artificial

O que os cientistas do Departamento de Física e do Instituto Suíço de Nanociência da Universidade de Basileia fizeram foi desenvolver um método pelo qual eles podiam determinar a geometria de elétrons espacialmente em pontos quânticos.
Um ponto quântico é uma “armadilha” que confina elétrons livres em uma área cerca de mil vezes maior que um átomo natural. Como os elétrons aprisionados se comportam de maneira semelhante aos elétrons ligados a um átomo, o ponto quântico também é chamado de “átomo artificial”.

O elétron pode se mover dentro desse espaço, mas, com diferentes probabilidades correspondentes a uma função de onda, permanece em locais específicos dentro de seu confinamento.

Os cientistas usaram medições espectroscópicas para determinar os níveis de energia no ponto quântico e estudar o comportamento desses níveis em campos magnéticos de força e orientação variadas. Com base em um modelo teórico, foi possível determinar a provável densidade do elétron e, assim, sua função de onda com precisão na escala subnanométrica.
“Para simplificar, podemos usar esse método para mostrar como um elétron se parece pela primeira vez”, explica um dos principais autores do estudo, Daniel Loss.

Otimização

Os pesquisadores, que trabalham em estreita colaboração com colegas no Japão, na Eslováquia e nos Estados Unidos, agora têm a chance de entender melhor a correlação entre a geometria e o spin do elétron, que deve ser estável pelo maior tempo possível e rapidamente comutável para ser usado como qubit.

“Nós podemos não apenas mapear a forma e a orientação do elétron, mas também controlar a função de onda de acordo com a configuração dos campos elétricos aplicados. Isso nos dá a oportunidade de potencializar o controle dos spins de maneira bem direcionada”, afirma outro pesquisador principal do estudo, Dominik Zumbühl.
Com o auxílio do método desenvolvido, vários estudos podem ser melhor compreendidos, e o desempenho de spin em qubits pode ser otimizado no futuro.

O resultado dos experimentos foi publicado em um artigo na revista científica Physical Review Letters, e a teoria relacionada foi publicada em um artigo na revista científica Physical Review B. [Phys]

FONTE: https://hypescience.com/geometria-de-um-eletron-e-determinada-pela-primeira-vez/

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Tabela Periódica: frases que ajudam a lembrar dos elementos químicos

A tática ajuda na hora de memorizar os símbolos das colunas do sistema de organização dos elementos químicos

Tabela periódica atualizada de 2019 (Foto: Rottoni/Wikimedia Commons)
TABELA PERIÓDICA ATUALIZADA DE 2019 (FOTO: ROTTONI/WIKIMEDIA COMMONS)

Tabela Periódica tem 118 elementos e, diante deste número, estudar para as provas de química pode parecer um pesadelo. Contudo, diversas artimanhas podem te ajudar nesta missão: o canal do YouTube Periodic Videos, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, possui dicas para explicar cada um dos elementos.

Além disso, é possível aprender os símbolos das famílias – as colunas, também denominadas de "grupos"– lembrando de frases bem curiosas (fiz alguns adendos).
Quer saber mais? Confira abaixo: 


Coluna e frase formada

1
Hoje Li Na Kama Robinson Crusoé em Francês
Hoje Li Na Kasa de Rubens Coisas Francesas

Bete Magrela Casou com o SrBarão Ramos
Bela Margarida Casou com o Senhor Bartolomeu Ramos
4
TiZiraldo viajou com Half e Rafa
5
Vi o Nobel passeando Tarde com o Danúbio
6
Cris Morou com Walter Sargento
7
Minha Torcida é para o Recife, mas moro em Belo Horizonte
8
Fernanda, Ruth, Oscar e Heloísa
9
Como o Rh Irá Multar os funcionários
10
Nicolas Poderia Plantar Damas da noite
11
Cuspi no cão de Agnaldo, ele fez Au como um Rugido
12
Zona Norte tem CadHolograma Construído
13
B
om, Algum Gato Invadiu o Telhado com Ninho
14
Com Sinceridade Geralmente tenho Sonhos Proibidos na Floresta
15
Não é Possível Assar Saborosos Biscoitos no Micro-ondas
Não Pude Assoprar Saborosos Biscoitos no Micro-ondas
16
O S Se Te Porquinhos estão Livres
17
Foi Claudio o Bravo quem Invadiu Atlanta sem Transporte
Foi Clóvis Broxado quem Invadiu Atenas sem Trambique
18
Heitor NeArranca Kriptonita do Xerife de Rondônia que é Ogro
Se quiser melhorar a apreensão, faça musiquinhas, em rima, ou não, em prosa ou ainda em versos!!! Fique à vontade...

2019: ano internacional da Tabela Periódica dos Elementos.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Vestibular-e-Enem/noticia/2019/07/tabela-periodica-frases-que-ajudam-decorar-os-elementos-quimicos.html

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Chernobyl: o pior acidente nuclear na história se transformou em algo que ninguém esperava

imagem de /hypescience.com
Em 26 de abril de 1986, o reator número quatro da Usina Nuclear de Chernobyl sofreu uma explosão durante um teste técnico na então União Soviética, atual Ucrânia.

Como resultado desse acidente, mais de 400 vezes mais radiação foi emitida na região do que a liberada pela bomba atômica derrubada pelos americanos na cidade japonesa de Hiroshima em 1945.

Até hoje, Chernobyl é o maior acidente nuclear da história. O trabalho de descontaminação começou imediatamente após o desastre. Uma zona de exclusão foi criada em torno da fábrica e mais de 350.000 pessoas foram evacuadas. Elas nunca mais voltaram. Severas restrições ao assentamento humano permanente ainda estão em vigor hoje.
Isso pode ser, inclusive, uma das razões pelas quais a área tem prosperado.

O acidente

O acidente teve um grande impacto na população humana. As estimativas do número de mortes variam muito. Embora não existam números conclusivos, a perda de vidas humanas e consequências fisiológicas foram enormes.

O impacto inicial no meio ambiente também foi importante. Uma das áreas mais fortemente afetadas pela radiação foi a floresta de pinheiros perto da usina, conhecida desde então como “Floresta Vermelha”.
Esta área recebeu as maiores doses de radiação – os pinheiros morreram instantaneamente e todas as folhas ficaram vermelhas. Poucos animais sobreviveram aos níveis mais altos de radiação.

Sendo assim, logo após o acidente assumiu-se que a área se tornaria um deserto para a vida. Considerando o longo tempo que alguns compostos radioativos demoram para desaparecer do ambiente, a previsão era de que a área permanecesse desprovida de vida selvagem por séculos.

A surpresa

Hoje, 33 anos após a catástrofe, a zona de exclusão de Chernobyl, que abrange pedaços da Ucrânia e Belarus, é habitada por ursos marrons, bisontes, lobos, linces, cavalos-de-przewalski e mais de 200 espécies de aves, entre outros animais.

Em março de 2019, diversos grupos de pesquisa que estudam a fauna de Chernobyl se reuniram em Portsmouth, na Inglaterra, para apresentar os resultados mais recentes dos seus trabalhos – cerca de 30 pesquisadores do Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Noruega, Espanha e Ucrânia.

Estes estudos incluíram trabalhos sobre grandes mamíferos, nidificação de aves, anfíbios, peixes, abelhas, minhocas, bactérias e folhas.

Os resultados indicam que a região abriga atualmente grande biodiversidade. Além disso, os cientistas confirmaram a falta geral de grandes efeitos negativos dos níveis atuais de radiação nas populações de animais e plantas que vivem em Chernobyl.
Todos os grupos estudados mantêm populações estáveis ​​e viáveis ​​dentro da zona de exclusão.

TREE

O projeto TREE (TRansfer-Exposure-Effects, liderado por Nick Beresford, do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido) instalou câmeras de detecção de movimento em diferentes áreas da zona de exclusão, que ficaram ligadas por vários anos.

As fotos tiradas revelam a presença de fauna abundante em todos os níveis de radiação. As câmeras fizeram a primeira observação de ursos marrons e bisontes europeus dentro do lado ucraniano da zona, bem como o aumento no número de lobos e cavalos-de-przewalski.

O trabalho sobre anfíbios em Chernobyl também detectou populações abundantes em toda a zona de exclusão, mesmo nas áreas mais contaminadas.

Além disso, foram encontrados sinais que podem representar respostas adaptativas à vida com radiação. Por exemplo, as rãs dentro da zona de exclusão são mais escuras do que as rãs que vivem fora dela, o que é uma possível defesa contra a radiação.

Efeitos negativos

Vale mencionar que os estudos detectaram alguns efeitos negativos da radiação em um nível individual.

Por exemplo, alguns insetos parecem ter uma vida útil mais curta e são mais afetados por parasitas em áreas de alta radiação.
Algumas aves também apresentam níveis mais elevados de albinismo, bem como alterações fisiológicas e genéticas quando vivem em localidades altamente contaminadas.
Mas esses efeitos não parecem afetar a manutenção da população de animais selvagens na área.

Impacto humano x nuclear

A ausência geral de efeitos negativos da radiação sobre a vida selvagem de Chernobyl pode ser uma consequência de vários fatores. Primeiro, a vida selvagem pode ser muito mais resistente à radiação do que se pensava anteriormente.

Outra possibilidade é que alguns organismos poderiam estar começando a mostrar respostas adaptativas que lhes permitiriam lidar com a radiação e viver dentro da zona de exclusão sem ter danos.

Além disso, a ausência de seres humanos dentro da zona de exclusão pode favorecer muitas espécies, grandes mamíferos em particular. Talvez as pressões geradas pelas atividades humanas sejam mais negativas para a vida selvagem no médio prazo do que um acidente nuclear – uma visão bastante reveladora do impacto humano sobre o ambiente natural.

O futuro de Chernobyl

Em 2016, a parte ucraniana da zona de exclusão foi declarada como reserva radiológica e ambiental pelo governo nacional.

Ao longo dos anos, Chernobyl também se tornou um excelente laboratório natural para o estudo de processos evolutivos em ambientes extremos, algo que poderia ser valioso, dadas as rápidas mudanças ambientais experimentadas em todo o mundo.
Atualmente, vários projetos estão tentando retomar as atividades humanas na área. O turismo vem florescendo em Chernobyl, com mais de 70.000 visitantes em 2018.

Há também planos para o desenvolvimento de usinas de energia solar na área e para a expansão do trabalho florestal. No ano passado, houve até uma instalação de arte dentro da cidade abandonada de Prypiat.

Nos últimos 33 anos, Chernobyl deixou de ser considerada um deserto em potencial para se tornar uma área de grande interesse para a conservação da biodiversidade. Pode parecer estranho, mas agora precisamos trabalhar para manter a integridade da zona de exclusão como uma reserva natural, para garantir que Chernobyl continue a ser um refúgio para a vida selvagem. [ScienceAlert]

FONTE: https://hypescience.com/o-pior-acidente-nuclear-da-historia-transformou-chernobyl-em-algo-que-ninguem-esperava/

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Sensacional: Escritório de Bill Gates tem parede com todos os elementos químicos

O fundador da Microsoft tem um grande estoque de elementos químicos, como urânio, plutônio e polônio

"Parede periódica" no escritório de Bill Gates (Foto: Reddit)
imagem de revistagalileu.globo.com/
Que Bill Gates é totalmente apaixonado por ciências não é segredo para ninguém. Mas não imaginávamos que seu amor era tão grande a ponto de ele ter uma parede em forma de tabela periódica em seu escritório em Seattle, nos Estados Unidos. Podemos chamá-la carinhosamente de "parede periódica". 

A instalação traz diversos compartimentos cobertos por uma fachada de vidro, sendo cada um destinado a um elemento químico. E o mais interessante nisso tudo é que realmente existe uma amostra de cada um dos elementos correspondente ao que está na placa de seu compartimento. Pode-se ver na imagem até mesmo os locais específicos para os gases, como o Argônio. 

A foto foi compartilhada na rede social Reddit - onde o milionário fundador da Microsoft é conhecido por interagir vez ou outra nos tópicos.

Os usuários ficaram muito curiosos sobre os elementos armazenados na parede de Bill Gates. Um deles questionou sobre a quantidade de plutônio estocada. Outro, ainda, brincou que aquela seria como uma loja nuclear com tudo o que é necessário para desenvolver novas armas. 

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/12/escritorio-de-bill-gates-tem-parede-com-todos-os-elementos-quimicos.html

sábado, 13 de julho de 2019

Os Elementos químicos e a tabela das nações onde foram descobertos

imagem  de  suburbanodigital
Você sabia que o Reino Unido lidera a tabela das nações que mais descobriram elementos químicos? Provavelmente não. Mas a tabela acima pode saciar sua curiosidade.

O Google Science Fair postou essa tabela periódica. Ela é diferente das vistas nos livros de química da escola, pois exibe em quais países cada elemento foi descoberto.

Na liderança do ranking está o Reino Unido, com 24 descobertas. Em seguida estão os Estados Unidos, com 21. A Suécia vem em terceiro, com 20 elementos, seguida pela Alemanha, com 19.

Os elementos mais velhos, como ouro, mercúrio e cobre, aparecem na lista como “ancient discovery” (“descoberta antiga”, na tradução para o português). Isso porque não é possível saber qual é o país de origem desses elementos.

Clique aqui que temos uma tabela maior

FONTE:
http://info.abril.com.br/noticias/blogs/cientifica/curiosidades/veja-em-quais-paises-elementos-da-tabela-periodica-foram-descobertos/

https://suburbanodigital.blogspot.com/2015/02/tabela-periodica-de-bandeiras-dos-paises-onde-os-elementos-quimicos-foram-descobertos.html

domingo, 7 de julho de 2019

Qual é o elemento mais "inútil" da tabela periódica?

Getty Images
imagem de noticias.uol.com.br
PorTiago Jokura
Pergunta enviada por Guilherme Taylor, em Campinas (SP) 

"Inútil" é um pouco forte, né, Taylor? Como me disse Henrique Eisi Toma, do Instituto de Química da USP, "não existe elemento inútil, pois a limitação não está no elemento; está em nossa capacidade de entendê-lo para saber onde aplicar". 

Que tal falarmos, então, de elementos "menos solicitados para finalidades práticas"? Assim conversamos num tom mais política e quimicamente correto. 

Se você tiver uma tabela periódica aí pertinho, dê uma olhada em tudo que está depois do califórnio. Os elementos cujo número atômico (que indica a quantidade de prótons no núcleo de um átomo) é maior que 98 têm tantos prótons, que são conhecidos como elementos superpesados. Eles praticamente não são encontrados na natureza. O mais comum é serem criados em aceleradores de partículas por meio da colisão de átomos de outros elementos. 

Essa não ocorrência na natureza se dá por serem muito instáveis, com meias-vidas que variam de alguns minutos a frações de segundos --a exceção é o dúbnio, que pode durar mais de um dia sem decair. Ou seja, do einstênio ao oganessônio, são 20 elementos químicos artificiais, que só são observados em laboratório - produção em larga escala nem pensar. "Se formos pensar em preços, provavelmente estes seriam os elementos mais caros do planeta, pelo custo envolvido em sua produção", completa o professor Toma. 

Todas essas dificuldades acabam fazendo dos elementos superpesados, por ora, um fim em si mesmo: são produzidos para serem estudados. Tanto eles bastam a si mesmos, que sugiro que o próximo elemento a ser criado, com número atômico 119, seja batizado de narcísio em vez de ununênio - nome que já está reservado para quando ele nascer. 

Mas não há inutilidade nenhuma nisso, repito. Quem me ampara nesse pensamento é o professor Peter Tiedemann, do Instituto de Química da USP, ao afirmar que, "embora os superpesados sejam apenas curiosidades para químicos, são muito interessantes para físicos, pois permitem compreender aspectos importantes da estrutura da matéria". Elementar, meu caro Taylor.