sábado, 11 de abril de 2020

Orientação sobre uso de água sanitária no combate ao coronavírus

cloro coronavirus
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Solução diluída de água sanitária é alternativa na falta de álcool gel ou mesmo de água e sabão!
O Conselho Federal de Química publicou um review que detalha informações que integram o “Technical Brief” da Organização Mundial de Saúde (OMS) lançado, neste mês, para auxiliar no enfrentamento à pandemia de coronavírus.
O documento é um roteiro simples, basicamente a diluição de uma pequena quantidade de água sanitária em água potável, que demonstrou ser capaz de eliminar o novo coronavírus (SARS-CoV-2).
Apenas mudando a concentração, é possível dar diferentes usos ao produto. A única recomendação na hora de comprar a água sanitária é que o princípio de cloro ativo seja de 2% a 2,5%.
Usando como medida um copinho de café, de 50 ml, se utiliza metade dessa quantia, dissolvida em um litro d’água, para obter uma solução diluída capaz de eliminar o coronavírus da superfície de mesas, maçanetas, chaves, embalagens e produtos trazidos do supermercado, por exemplo. Concentrações mais elevadas de água sanitária exigem luvas.
- Leia abaixo a reprodução na íntegra do roteiro.
  
Falta de álcool gel
Nesse momento em que fica difícil encontrar álcool gel no mercado, e que boa parte da população não tem condições de adquiri-lo, o doutor em Ciência Jorge Macedo faz o alerta que a receita mais diluída (a primeira indicada acima) pode também ser usada nas mãos, na falta de álcool gel ou água e sabão.
“Nesse caso, claro, a frequência de uso tem de ser menor porque, pra algumas pessoas, a solução pode causar ressecamento nas mãos e dermatites. Mas quanto à segurança do procedimento não existem dúvidas”, afirma Macedo.
O especialista afirma ainda que, se usadas da maneira correta, as soluções de água sanitária são capazes de deixar o visitante indesejado do lado de fora das casas.
“Basicamente, temos como utilizá-las no pano umedecido, ou com borrifador, desses usados para molhar pequenos vasos de plantas”, assinala.
Datei:Hypochlorige Säure.svg
Ácido hipocloroso

Título: Solução Caseira para Eliminar o Coronavírus da sua Casa

 Em um supermercado compre a água sanitária de sua preferência, leia o rótulo e veja se a concentração de princípio de cloro ativo é de 2 a 2,5%.
ATENÇÃO: a água sanitária pura, tem pH 11,5-13,5 e não adianta você utilizá-la pura pois o que leva a morte dos organismos é uma substância chamada “ácido hipocloroso (HClO)” que não existe em pH tão alto como o da água sanitária pura.
Falamos: “A água sanitária pura não faz nem cócegas no vírus!! Se morrer, o vírus vai morrer por afogamento ou pelo cheiro!
Logo, vamos te ensinar a preparar uma solução diluída de água sanitária que em poucos segundos (15 a 20s) vai eliminar o coronavírus da superfície dos objetos de sua casa!

Preparo:
1 - Pegue um copinho descartável para café, esse copinho tem a com capacidade de 50 mL.
2 - Coloque 25 mL de água sanitária pura no copinho! Ou seja, você deve colocar água sanitária ate ́ a metade do copinho!!
Você me pergunta: E se passar um pouco?? Não tem problema! Nesse caso não pode faltar!
3 - Pegue uma garrafa de plástico com capacidade de 1 L, coloque um pouco de água e adicione os 25 mL de água sanitária.
4 - Complete o volume da garrafa com água, tampe e agite para misturar a água sanitária com a água.
5 - ATENÇÃO:
5.1 - Não deixe o frasco exposto a luz, guarde em lugar fresco, dentro de um armário e somente retire no momento que for utilizar!
5.2 - Identifique o frasco arrume uma etiqueta e cole com o nome “Água Sanitária Diluída” ou escreva o nome no frasco com uma caneta de tinta permanente, dessas para escrever em cd. Faça isso logo após o preparo!
5.3- Você vai notar que, nem tem odor característico forte da água sanitária e por isso é preciso identificar o conteúdo do frasco! Essa solução é fatal para o coronavírus de 15 a 20 segundos!

Como aplicar em superfícies:
1 - Umedeça um pano limpo nessa solução, passe nas embalagens dos produtos que comprou, nas chaves, nas maçanetas, nas mesas, etc NÃO PASSE NO CELULAR!!!
2 - Se você tiver a pele mais sensível utilize a solução com luvas!
3 - A maioria das pessoas não terá nenhum problema no contato com essa solução diluída, mas o uso constante pode levar ao ressecamento ou uma
4 - Outro processo de aplicação: pegue um frasco com borrifador, coloque a água sanitária diluída, borrife nas superfícies e, após 15-20s retire o excesso com um pano seco e limpo, nesse método não se tem contato direto com a solução.

Observação: Para pisos, áreas abertas, sanitários, solas de sapato, etc. , basta você preparar a solução com um copinho cheio ate ́ o topo com a água sanitária pura siga as mesmas orientações.
- Essa solução é muito mais concentrada, por isso utilize luvas ao usá-la!!
- Prepare a solução, umedeça um pano limpo e coloque após a porta. Ao entrar passe sobre ele as solas do seu sapato!!
- Sempre que for necessário, umedeça o pano novamente com a solução!!

A EXPLICAÇÃO DA SUSTENTAÇÃO CIENTÍFICA DA AÇÃO DE DESINFECÇÃO DAS SOLUÇÕES DILUÍDAS

1 - Introdução
Com base nas informações da OMS Organização Mundial da Saúde (WHO), esse Review é distribuído em duas partes: uma para leigos, para o dia a dia de suas residências e a segunda parte para aqueles que tiverem interesse em conhecer os princípios científicos que norteiam as orientações!
O SARS-Cov-2 é um vírus envelopado, com um fragmento externo - membrana. Geralmente, os vírus envelopados são menos estáveis no ambiente e mais suscetível a oxidantes, como exemplo, os derivados clorados (WHO/UNICEF, 2020).
A solução diluída de um derivado clorado (0,05% = 500 ppm) pode ser usada para desinfetar as mãos quando não há possibilidade de usar nelas o produto à base de álcool ou sabão. No entanto, soluções diluídas de cloro não são recomendadas (por serem agentes oxidantes) quando se tem disponível para as mãos o álcool 70% ou sabão e água (WHO, 2020).
Na utilização da solução diluída de cloro há um risco maior de irritação nas mãos e efeitos nocivos à saúde, por exemplo, ao produzir e diluir soluções de cloro. Outras soluções de cloro, principalmente as mais diluídas, devem ser feitas diariamente, armazenadas em local fresco e seco, com a tampa afastada da luz solar; caso contrário, elas podem perder potência e eficácia na desinfecção (WHO, 2020).

2. Informações sobre as soluções cloradas diluídas preparadas.
É importante ressaltar que não existe “CLORO” na natureza. A terminologia utilizada, o jargão popular “vai colocar cloro na água”, é uma afirmação totalmente equivocada do ponto de vista químico, esse nome foi usado por várias vezes nesse Review, em função dele ser, na imensa maioria, para pessoas leigas.
Existem diversos derivados clorados à disposição, a escolha do hipoclorito de sódio (NaClO) para preparo das soluções é função da facilidade de encontrar a chamada água sanitária, que o tem como princípio ativo.
Em resumo, repetindo, cientificamente, é incorreto citar que adicionamos “cloro na água”. Na verdade, adicionamos um derivado clorado na água que no seu processo de hidrólise libera uma substância química, o HClO (ácido hipocloroso), que consegue reduzir a nível seguro a contaminação de superfícies. A terminologia “cloro” virou uma expressão popular (ANDRADE, MACEDO, 1996; MACEDO, 2009, 2016, 2019).
A cloração está vinculada a liberação de HClO após a hidrólise de derivado clorado no meio aquoso. O uso contínuo do cloro só ocorreu a partir de 1902, na Bélgica, com o chamado refinamento da cloração, isto é, determinação das formas de cloro combinado (CRC – as cloraminas) e residual livre (CRL – ácido hipocloroso), e a cloração baseada em controles bacteriológicos (ANDRADE, MACEDO, 1996; MACEDO, 2009, 2016, 2019).
Os compostos clorados são mais efetivos em valores de pH mais baixos, quando a presença de ácido hipocloroso é dominante, por isso, foi indicado que se faça uma solução diluída de água sanitária, pois com a diluição reduzimos o pH. A OMS indica que para a desinfecção ser efetiva é necessário que o pH esteja na faixa 6,5-8,5.
A escolha do valor 8,5 se justifica também na pesquisa realizada em teste de uso simulado utilizando soluções com derivados clorados com pH máximo de 8,3, que obteve resultados significativos no processo de desinfecção de cupons de provas inseridos em tubulações (MELLO, 1997 apud MACEDO, 2009, 2016, 2019).

2.1.  Os cálculos para definição dos volumes indicados para o preparo das soluções diluídas de água sanitária.
A água sanitária possui de 2 a 2,5% de princípio ativo, logo ela possui de 20.000 a 25.000 mg CRL/L, expressos, em mg Cl2/L.
Para fazer os cálculos foi usada como referência a menor concentração, 2%, pois se ela estiver com mais de 2% nossa solução diluída vai ficar um pouco mais concentrada, até mais efetiva no processo de desinfecção, dando maior segurança de eliminação do coronavírus.
20.000 mg CRL------------- -- 1.000 mL água sanitária
X mg CRL ---------------- 25 mL água sanitária X = (20.000 x 25) / 1000 = 500 mg CRL

Logo, quando indico que se coloque 25 mL da água sanitária em 1L de água, estou produzindo uma solução diluída de no mínimo 500 mg CRL/L o que é exatamente a solução 0,05% indicada pela OMS.
Já na solução indicada para solas de sapatos, como o volume é dobrado terá, no mínimo, 1000 mg CRL/L.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, N. J.; MACÊDO, J. A. B. Higienização na Indústria de Alimentos. São Paulo: Livraria Varela Ltda. 182p. 1996.
MACEDO, J. A. B. Desinfecção & Esterilização Química. Belo Horizonte: CRQ-MG. 737p. 2009. MACEDO, J. A. B. Águas & Águas. 4a. Edição. Belo Horizonte: CRQ-MG. 944p. 2016.
MACEDO, J. A. B. Piscina – Água & Tratamento & Química. 2a. Edição. Belo Horizonte: CRQ-MG. 775p. 2019. 
MELLO, C. A. Avaliação da eficiência de sanificantes químicos em condições de uso simulado sobre psicrotróficos acidificantes. 62p. Viçosa. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos)- Universidade Federal de Viçosa. 1997.
WHO. Q&A on infection prevention and control for health care workers caring for patients with suspected or confirmed 2019- nCoV. 1 March 2020. Disponível em: <https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-on-infection-prevention-and-control-for-health-care-workers-caring-for-patients-with-suspected-or- confirmed-2019-ncov> Acesso em 21 de março 2020.
WHO/UNICEF. Water, sanitation, hygiene and waste management for the COVID-19 virus. Technical brief. Genebra: WHO - World Health Organization/UNICEF - United Nations Children’s Fund. 9p. 3 March 2020.


Sobre o Autor do Roteiro
O roteiro foi adaptado pelo doutor em Ciência Jorge Macedo, especialista em desinfecção química e tratamento de águas e efluentes, ele é autor de 20 livros sobre diversos temas, dentre eles, a desinfecção e esterilização química, o documento foi elaborado com o apoio do Sistema CFQ/CRQs.
Review por Jorge Macedo, D.Sc. (www.jorgemacedo.pro.br)
Apoio: Conselho Federal de Química e Conselho Regional de Química (MG)

FONTE: https://pfarma.com.br/coronavirus/5355-agua-sanitaria.html

terça-feira, 7 de abril de 2020

Saiba como ajudar cientistas na busca por compostos químicos contra o COVID-19


Por Stephanie Kohn
Saiba como ajudar cientistas na busca por compostos químicos ...
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A Scripps Research, centro de pesquisa médica norte-americano sem fins lucrativos que se concentra na pesquisa e educação nas ciências biomédicas, desenvolveu um projeto, chamado "OpenPandemics - COVID-19", para ajudar cientistas na busca por compostos químicos que podem ser eficazes contra a COVID-19. Qualquer pessoa no mundo com um PC, laptop ou Mac, com conexão à internet pode ajudar.
Os computadores dos voluntários realizarão pequenos experimentos virtuais para identificar compostos químicos, incluindo os existentes nos medicamentos, que poderiam ser potencialmente usados como possíveis tratamentos ao novo Coronavírus. Os compostos que se mostrarem promissores para o tratamento serão submetidos a mais testes e análises.
O projeto será hospedado no World Community Grid da IBM, um recurso computacional de crowdsourcing e fornecido gratuitamente para os cientistas. Os voluntários não precisam ter nenhum conhecimento técnico especial para participar; o processo é automático.
Basta fazer o download de um aplicativo que funciona quando os dispositivos estão ociosos ou com pouco uso. Operando em segundo plano discretamente e sem diminuir a velocidade dos sistemas dos usuários, o aplicativo distribui atribuições computacionais e retorna cálculos concluídos aos pesquisadores, tudo via nuvem da IBM.
As informações pessoais nunca são compartilhadas e o software não pode acessar arquivos pessoais ou comerciais. Com o poder de crowdsourcing do World Community Grid da IBM de milhares de computadores, o projeto poderá facilmente executar centenas de milhões de cálculos necessários para simulações.
Isso poderia potencialmente ajudar os cientistas a acelerar o processo de descoberta ou reposição de medicamentos, tradicionalmente realizado mais lentamente em um laboratório "úmido" tradicional. Como em todos os projetos do World Community Grid, os dados gerados por esse esforço serão disponibilizados ao público.
"Durante um período de distanciamento e isolamento social, esse senso de propósito e interconexão é ainda mais importante", comenta Guillermo Miranda, vice-presidente de responsabilidade social corporativa da IBM. Embora o projeto se concentre inicialmente na COVID-19, a Scripps Research também planeja desenvolver ferramentas e métodos para ajudar a acelerar futuros projetos de descoberta de medicamentos, como durante outras pandemias.
"Aproveitar o poder de processamento não utilizado de milhares de computadores ociosos nos fornece uma quantidade incrível de poder computacional para examinar virtualmente milhões de compostos químicos. Nosso esforço conjunto com voluntários em todo o mundo visa acelerar nossa busca por novos e potenciais candidatos a medicamentos que ajudem em ameaças biológicas emergentes presentes e futuras, seja o COVID-19 ou um patógeno totalmente diferente", diz Stefano Forli, PhD, professor assistente do Departamento de Biologia Estrutural e Computacional Integrativa da Scripps Research e diretor do projeto.
O projeto OpenPandemics - COVID-19 no World Community Grid complementa os outros recursos que a IBM disponibilizou recentemente para pesquisadores que lutam contra a COVID-19. Por exemplo, o supercomputador Summit da IBM está sendo usado pelo Departamento de Energia dos EUA para ajudar a identificar compostos químicos que podem potencialmente combater o vírus.
Até o momento, mais de 770 mil pessoas e 450 organizações contribuíram com quase dois milhões de anos de poder computacional para apoiar 30 projetos de pesquisa, incluindo estudos sobre câncer, Ebola, Zika e malária e AIDS, além de projetos para o desenvolvimento de melhores sistemas de filtragem de água e coleta de energia solar.
Os dados dos projetos do World Community Grid são sempre compartilhados com o mundo e, até o momento, mais de 50 artigos científicos foram publicados. O poder computacional é fornecido gratuitamente como crowdsourcing, permitindo que os pesquisadores ampliem, busquem novas abordagens e acelerem os processos de pesquisas.

Para participar, entre no site <----

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Coronavírus: devo tomar vitamina D durante a quarentena/Isolamento/distanciamento social?

Estudo italiano afirma que pacientes graves da covid-19 apresentavam baixo nível de vitamina D no organismo - IStock
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A notícia de que um estudo de cientistas da Universidade de Turim, na Itália, constatou que muitos pacientes internados por conta do novo coronavírus apresentavam baixos níveis de vitamina D no organismo reacendeu o debate a respeito da importância dessa vitamina  para o corpo — e, especialmente, sua influência na nossa imunidade. De acordo com os pesquisadores, a vitamina D não seria capaz de impedir a infecção pelo vírus, mas, como atua modulando a reação do sistema imunológico, poderia fazer com que a doença não se agravasse.

Considerada por alguns especialistas como um hormônio (já que o nosso corpo é capaz de sintetizá-la), a vitamina D é um nutriente (já que pode ser encontrada em alimentos) lipossolúvel mais conhecido por ser essencial no processo de retenção de cálcio e fósforo, itens essenciais para a saúde dos nossos ossos. Nos últimos anos, no entanto, os cientistas descobriram que outros órgãos do corpo possuem receptores para ela, indicando que seu papel na nossa saúde vai além do esqueleto. Estudos já mostraram, por exemplo, que a vitamina D pode reduzir o crescimento de células do câncer, pode ajudar a controlar infecções e reduzir a inflamação do corpo. 

Vídeo: PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O PERÍODO DE CONFINAMENTO


Vitamina D e imunidade
Embora a abordagem do estudo italiano seja nova, a busca pela relação entre vitamina D e sistema imunológico não é nova: há pelo menos 10 anos essa relação já vem sendo estudada. Há duas possibilidades sendo analisadas: a modulação das células de defesa, que receberiam um impulso com o nutriente; e como a vitamina teria relação com doenças autoimunes, como esclerose múltipla e diabetes tipo 1.

Os médicos aprofundaram os estudos para entender, especificamente, se a carência de vitamina D poderia facilitar ou piorar a resposta do corpo diante de infecções respiratórias. Um estudo feito pela Harvard Medical School em 2009, publicado no periódico JAMA Internal Medicine, mostrou que adultos com deficiência no nutriente disseram sofrer mais de gripe, resfriado ou infecção no trato respiratório superior. 
UNESP 2019: A vitamina D3 é lipossolúvel e opticamente ativa ...
Vitamina D (Calciferol)
Em outro estudo, dessa vez uma metanálise publicada em 2017 no periódico BMJ, os pesquisadores concluíram que a suplementação de vitamina D em indivíduos com deficiência ajudaria a reduzir os riscos de infecções no trato respiratório. O efeito foi observado com mais força especialmente nos pacientes com níveis muito baixos do nutriente.

Mesmo assim, ainda é cedo para dizer que a vitamina D seria importante no combate à infecção respiratória provocada pelo novo coronavírus. "Os dados são, sem dúvida, importantes, mas ainda precisamos de mais evidências dessa relação", afirma a médica nutróloga Marcella Garcez Duarte, professora e diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia).

A própria Harvard School of Public Health afirma que mais pesquisas precisam ser feitas com a vitamina D para dizer definitivamente se ela protege contra resfriados, gripes e outras infecções respiratórias agudas, em especial a covid-19.

Quem precisa suplementar? 
Apenas 10 a 20% da quantidade de vitamina D que necessitamos é obtida por meio de alimentos. Os demais 80 a 90% necessários originam-se da exposição à luz dos raios ultravioletas (UV) do sol, que vão estimular a produção pelo corpo..

Em tempos de quarentena, quando estamos mais dentro de casa, essa exposição acaba ficando mais difícil. Mas isso não significa que é preciso correr para a farmácia atrás de suplementação. "A menos que a pessoa já esteja em tratamento por conta de uma deficiência já diagnosticada, não há motivo para preocupação", afirma a especialista.

Isso porque os resultados da deficiência de vitamina D, que incluem alterações ósseas e osteoporose, só aparecem depois de um longo período de deficiência. Ou seja: algumas semanas longe do sol não serão suficientes para provocar uma deficiência grave no corpo. Além disso, o excesso de suplementação por algum tempo também tem efeitos negativos: ele pode levar a um aumento de cálcio no corpo, provocando calcificação de artérias e lesão nos rins.

Por isso, a recomendação oficial é que a suplementação seja feita apenas depois de um exame de dosagem para garantir que o nutriente está mesmo baixo e também para avaliar qual a dosagem necessária.

Na dúvida, Duarte recomenda conversar com um médico de confiança remotamente para tirar as dúvidas e, no máximo, tomar um polivitamínico. "E, definitivamente, com os serviços de saúde sobrecarregados pelo novo coronavírus, este não é o momento de pedir esse tipo de exame ou sair de casa para isso", avalia.

Como garantir um bom aporte de vitamina D no isolamento?
De acordo com a nutricionista Clarissa Fujiwara, coordenadora de nutrição da Liga de Obesidade Infantil do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), a vitamina D pode ser encontrada em peixes gordurosos, como salmão, atum e sardinha, bem como em fígados de outros animais.

Consumi-los, então, seria uma forma de garantir algum aporte do nutriente. "Há ainda alimentos que são fortificados com o nutriente, como leites e cereais", afirma.

Mesmo assim, é importante tentar manter uma rotina para expor alguma parte do corpo ao sol todos os dias. "Até os presos têm esse direito", lembra Marcella Garcez Duarte. A recomendação é expor pernas e braços ao sol, diariamente, por até 15 minutos, no período das 10h às 15h —o horário considerado melhor para obter os benefícios dos raios UV.

A nutróloga ainda lembra que, na quarentena, a exposição ao sol tem outro benefício: a manutenção da saúde mental, já que a luz solar também ajuda a aumentar os níveis de serotonina no corpo.

Você já sabe, mas não custa nada lembrar... se não sabe veja agora a imagem abaixo:
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FONTE geral: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/03/31/coronavirus-devo-tomar-vitamina-d-durante-a-quarentena.htm

Outras fontes e referências por ordem de citação no texto:
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/28/pacientes-internados-com-coronavirus-tem-carencia-de-vitamina-d-diz-estudo.htm

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/01/30/preciso-mesmo-suplementar-vitamina-d-entenda-tudo-sobre-ela.htm

https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/article-abstract/414815

https://www.bmj.com/content/356/bmj.i6583

https://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/vitamin-d/


terça-feira, 31 de março de 2020

Cloroquina e hidroxicloroquina são efetivos contra o novo coronavírus?

Em dezembro de 2019, um novo coronavírus causou um grande surto de doença pulmonar na cidade de Wuhan, a capital da província de Hubei na China, e tem desde então se espalhado globalmente. O vírus eventualmente foi nomeado SARS-CoV-2, devido ao fato do seu genoma (constituído de RNA) ser ~82% idêntico ao coronavírus (SARS-CoV) responsável pelo SARS (síndrome respiratória aguda grave). Ambos os vírus pertencem ao clado b do gênero Betacoronavirus. A doença causada pelo SARS-CoV-2 é chamada COVID-19. Apesar dos casos de infecção inicialmente estarem conectados ao mercado de animais e alimentos marinhos de Wuhan, uma eficiente transmissão humano-para-humano levou ao crescimento exponencial do número de casos e a eventual declaração de uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

No momento dessa postagem, são mais de 794 mil casos confirmados no mundo, sendo cerca de 595 mil casos ativos, cerca de 161 mil casos recuperados (curados após tratamento/isolamento)  e cerca de 38 mil casos fatais (óbitos), com uma taxa de mortalidade em torno de 4.8%, alcançando níveis alarmantes na Itália, e ainda mais alarmantes nos Estados Unidos. No geral, pacientes contraindo a forma severa da doença constituem aproximadamente 15% dos casos. Nenhum tratamento efetivo ainda existe para o COVID-19.

Em resposta, muitos centros de pesquisa - em Universidades e no setor industrial - estão correndo contra o tempo para o desenvolvimento de uma vacina e de medicamentos que possam prevenir ou tratar o COVID-19. Nesse último caso, um número de estudos vêm sendo publicados avaliando anti-virais já existentes no mercado para o tratamento de outras enfermidades e que podem também ser efetivos contra o SARS-CoV-2.

Nesse sentido, vem sendo amplamente divulgado nas redes sociais que medicamentos contendo as substâncias hidroxicloroquina e cloroquina - usados para o tratamento contra a malária, reumatismo, inflamação nas articulações, lúpus, entre outros - são eficientes para tratar o novo coronavírus. Isso fez com que a procura por esses medicamentos aumentasse de forma robusta não só aqui no Brasil como em outros países, ameaçando os estoques em farmácias e preocupando pacientes com outras doenças graves que precisam dessas drogas.

          Mas quais as evidências científicas para essas duas substâncias? Vale a pena consumi-los em caso de infecção pelo SARS-CoV-2? Existem outros potenciais medicamentos para o tratamento do COVID-19?


Cloroquina e hidroxicloroquina são efetivos contra o novo ...

HIDROXICLOROQUINA E CLOROQUINA

A cloroquina - um fármaco imunomodulante tradicionalmente usado para tratar malária e amebíase - tem sido usada amplamente ao redor do mundo por mais de 70 anos, e faz parte da lista de medicamentos essenciais da OMS. Além de barato, esse fármaco possui um perfil clínico de segurança bem estabelecido para certas doenças. Estudos clínicos preliminares in vivo e in vitro têm reportado que esse medicamento também parece ser efetivo em reduzir a replicação viral de um número de infecções, incluindo o coronavírus associado ao SARS e ao MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio).

No entanto, a eficácia e a segurança da cloroquina para o tratamento da pneumonia causada pelo SARS-CoV-2 permanecem inconclusivas. Estudos mais recentes in vitro sugerem que o fosfato de cloroquina é eficiente em inibir a infecção pelo SARS-CoV-2 in vitro (em células cultivadas fora de um sistema vivo) (Ref.2).

Uma revisão sistemática publicada esta semana no periódico Journal of Critical Care (Ref.3), analisando estudos clínicos na literatura acadêmica (PubMed e EMBASE) sobre o uso de cloroquina e formulações derivadas em pacientes com COVID-19, concluiu que existe suficiente e racional pré-clínica evidência em relação à efetividade da cloroquina para o tratamento dessa doença assim como evidência de relativa segurança no uso a longo prazo na prática clínica que justificam a pesquisa clínica sobre o tópico. Porém, os autores do estudo também reforçam que, no momento, o uso de cloroquina para o tratamento do COVID-19 precisa ser restrito somente a testes clínicos eticamente aprovados.

Sem robustos estudos in vivo, e falta de testes clínicos em um grande número de pacientes humanos, é mais do que arriscado recomendar o amplo uso de cloroquina para o tratamento de pacientes infectados pelo SARS-CoV-2, especialmente fora de um centro de saúde e sem acompanhamento médico dedicado. Os efeitos colaterais e interações com outros medicamentos precisam ser levados em conta, ou um grande número de pacientes infectados pode piorar o estado de saúde. Aliás, o uso acima do recomendado de cloroquina pode causar envenenamento agudo e morte - somando-se a outros possíveis e sérios efeitos colaterais listados na bula. Isso sem contar que aprovações de uso sem suficiente suporte científico pode fomentar uma maior demanda desnecessária - e consequente escassez de estoque - de um medicamento essencial para inúmeras pessoas, especialmente nas áreas tropicais fortemente afetadas pela malária.

Em uma carta ao editor, publicada no periódico Nature (Ref.4), pesquisadores Chineses também reportaram que o sulfato de hidroxicloroquina - um derivado da cloroquina que possui um grupo hidroxila (-OH) extra em sua estrutura molecular e primeiro sintetizado em 1946 - parece ser também efetivo para inibir a infecção pelo SARS-CoV-2, com base em experimentos in vitro. Usado para o tratamento de doenças auto-imunes como a artrite reumatoide e o lúpus, a hidroxicloroquina já demonstrou ser 40% menos tóxica do que a cloroquina em animais - apesar de também estar associada a sérios e frequentes efeitos colaterais, como distúrbios no ritmo cardíaco (Ref.14). Em combinação com sua função anti-inflamatória, a hidroxicloroquina possui potencial para combater o COVID-19.



Inclusive, em um estudo clínico publicado posteriormente no periódico International Journal of Antimicrobial Agents (Ref.13) e bastante divulgado, pesquisadores Franceses reportaram que  a substância foi testada em um grupo pequeno de voluntários em Marselha, na França, gerando resultados mais do que positivos. No total, foram 26 pacientes (19 pacientes como controle) recebendo a hidroxicloroquina (600 mg diários) com ou sem o antibiótico azitromicina. Os autores reportaram presença zero do vírus na maioria (20 casos) tratada com a hidroxicloroquina após 6 dias de tratamento, sendo que na maioria não-tratada (controle) a infecção continuou. Além disso, a azitromicina mostrou otimizar a ação anti-viral da hidroxicloroquina.

Já um estudo clínico randomizado nos EUA iniciado em 11 de março de 2020 está avaliando a efetividade da hidroxicloroquina e também do antiviral combinado Lopinavir-Ritonavir para o tratamento de pacientes com COVID-19 (Ref.6).

OUTROS MEDICAMENTOS

          Além da hidroxicloroquina e da cloroquina, existe limitada evidência de que o medicamento Remdesivir - uma pró-droga nucleosídea análoga desenvolvida pela Gilead Sciences (EUA) - pode ser usada de forma efetiva para o tratamento de pacientes com COVID-19. Um recente caso reporte mostrou que o tratamento com remdesivir melhorou a condição clínica do primeiro paciente infectado pelo SARS-CoV-2 nos EUA (Ref.5). Alguns estudos nas últimas décadas também sugerem que esse medicamento trouxe benefícios para o tratamento de SARS (2002) e de MERS (2012). Testes clínicos randomizados envolvendo centenas de pacientes estão sendo conduzidos para corroborar ou não essas evidências (Ref.6).

          Outros medicamentos em similar situação - em combinação ou isolados - incluem o Lopinavir, o Sofosbuvir, o Ribavirina, corticosteroides e o Interferon alfaco-1 O lopinavir é um inibidor de protease usado no coquetel anti-HIV. O ritonavir é combinado com o lopinavir para aumentar seu tempo de meia-vida no plasma através da inibição do citocromo P450. No entanto, a OMS atualmente recomenda contra o uso rotineiro de corticosteroides em pacientes com SARS-CoV-2, com base em dados disponíveis sugerindo que esses medicamentos não estão associado com benefícios de sobrevivência e podem causar prejuízos à saúde; autoridades de saúde Chinesas concordam com a recomendação, alegando que o uso de corticosteroides é controverso nesse contexto.

Especialistas Sul-Coreanos com experiência em tratar pacientes infectados com o SARS-CoV-2 não recomendam o uso de medicamentos anti-virais hoje disponíveis para o tratamento de pacientes jovens, saudáveis e com sintomas leves da doença. Por outro lado, eles recomendam que o tratamento com lopinavir 400 mg, ritonavir 100 mg (2 tabletes via oral duas vezes por dia) ou cloroquina (500 mg via oral duas vezes ao dia) deveria ser considerado para o uso em pacientes mais velhos ou em pacientes com condições crônicas de saúde e graves sintomas - e tudo, claro, sob estrito acompanhamento médico e hospitalar. Se a cloroquina estivesse indisponível, a recomendação seria o uso de hidroxicloroquina (400 mg via oral duas vezes ao dia). Uso de ribavirina e interferon não seria recomendado como primeira linha de tratamento por causa do risco de sérios efeitos colaterais; no entanto, o uso desses medicamentos deveria ser considerado se o tratamento com lopinavir, ritonavir, cloroquina, ou hidroxicloroquina forem inefetivos. (Ref.7-8)

Porém, contudo, todavia, um estudo clínico randomizado publicado recentemente no periódico The New England of Medicine (Ref.9), analisando 199 pacientes infectados com o SARS-CoV-2, não encontrou benefícios terapêuticos significativos para o uso de Lopinavir–Ritonavir em comparação com o tratamento padrão. A mortalidade e o nível de RNA viral ao longo da hospitalização entre o grupo de controle e o grupo tratado com essas duas substâncias mostrou-se similar. Eventos adversos gastrointestinais foram mais comuns no grupo tratado com lopinavir-ritonavir, mas sérios eventos adversos foram mais comuns no grupo de controle. Por outro lado, o tratamento com lopinavir-ritonavir foi suspenso em 13 pacientes (13,8%) por causa de eventos adversos. Esse inclusive é um alerta para as pessoas que estão comprando e usando sem qualquer orientação médica medicamentos a base de hidroxicloroquina ou de cloroquina com base apenas em estudos preliminares ou especulações terapêuticas.

 A OMS também anunciou um grande estudo clínico a nível global - o qual pode incluir milhares de pacientes em dezenas de países - para testar a eficácia de seis desses medicamentos (combinados ou isolados): Remdesivir, clroroquina, hidroxicloroquina, Ritonavir/lopinavir e Ritonavir/lopinavir + interferon beta (Ref.12). O estudo -  chamado de 'SOLIDARITY' - vai ser acompanhado também por outro estudo clínico de larga escala similar coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Médica da França (INSERM) que pretende englobar 3200 pacientes oriundos de pelos menos 7 países, incluindo 800 da França.


   INIBIDORES DE α-KETOAMIDAS

Um dos alvos terapêuticos melhor caracterizados entre os coronavírus é a protease principal (Mpro). Essa enzima é essencial para o processamento das poliproteínas que são traduzidas a partir do RNA viral. A inibição da atividade dessa enzima bloquearia a replicação viral, e considerando que nenhuma protease humana conhecida possui centros específicos de clivagem similares ao Mpro, inibidores são improváveis de serem tóxicos.

Em um estudo publicado essa semana na Science (Ref.10), pesquisadores conseguiram determinar a estrutura cristalina via raio-X, a uma resolução de 1,75 Å, do Mpro do SARS-CoV-2. A estrutura tridimensional mostrou-se altamente similar àquela do Mpro do SARS-CoV, como esperado considerando uma igual identidade de 96% do sequenciamento dessa proteína entre os dois vírus.


   CONCLUSÃO

 No momento, não existe nenhum tratamento medicamentoso aprovado ou comprovado cientificamente visando a infecção pelo SARS-CoV-2. Certos anti-virais e outros medicamentos com potencial terapêutico estão ainda sendo testados, mas as evidências científicas de suporte continuam fracas e oriundas de estudos in vitro e/ou de grupos muito limitados de pacientes. Além disso, existem resultados conflitantes para medicamentos como o Remdesivir e o Lopinavir. Para pacientes com sintomas leves e fora de grupos de risco, repouso, hidratação e boa alimentação durante o isolamento em casa são suficientes. E importante: esses medicamentos sendo testados, incluindo a hidroxicloroquina e a cloroquina, NÃO são para prevenção e, sim, possuem potencial terapêutico para ajudar a tratar o COVID-19. Ou seja, não devem ser usados em hipótese alguma sem a presença da doença.

Alias, esta semana a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu enquadrar a hidroxicloroquina e a cloroquina como medicamentos de controle especial (Ref.11). Segundo informações da Agência a procura por hidroxicloroquina aumentou depois das pesquisas já mencionadas indicarem que esse medicamento pode ser testado no tratamento do Sars-Cov-2.

"Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação. Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde." – Anvisa.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019 
  2. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32145363/ 
  3. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32173110/ 
  4. https://www.nature.com/articles/s41421-020-0156-0
  5. https://www.elsevier.com/__data/assets/pdf_file/0007/988648/COVID-19-Drug-Therapy_Mar-2020.pdf 
  6. https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT04307693 
  7. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0024320520302253
  8. http://www.koreabiomed.com/news/articleView.html?idxno=7428
  9. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2001282
  10. https://science.sciencemag.org/content/early/2020/03/19/science.abb3405
  11. http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/hidroxicloroquina-orientacao-aos-pacientes-e-farmacias/219201
  12. https://www.sciencemag.org/news/2020/03/who-launches-global-megatrial-four-most-promising-coronavirus-treatments
  13. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0924857920300996
  14. https://newsnetwork.mayoclinic.org/discussion/mayo-clinic-provides-urgent-guidance-approach-to-identify-patients-at-risk-of-drug-induced-sudden-cardiac-death-from-use-of-off-label-covid-19-treatments/

terça-feira, 24 de março de 2020

Supercomputador identifica 77 moléculas com potencial para tratar Covid-19

Pesquisadores usaram o equipamento da IBM para testar compostos que podem evitar a conexão do vírus com as células humanas

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Imagem reprodução: Pesquisadores usaram o supercomputador Summit para identificar compostos que se ligariam à principal proteína do SARS-CoV-2, impedindo-o de infectar células humanas. Na esquerda, uma substância se liga ao vírus, impedindo que ele se conecte com a célula. Já na imagem da direita, o vírus se conecta sem nenhum impedimento (Foto: Reprodução/Michelle Lehman)

O supercomputador IBM AC922 Summit foi desenvolvido para que cientistas consigam realizar suas pesquisas com rapidez e eficácia. Ele pode executar 200 quatrilhões de cálculos por segundo — aproximadamente 1 milhão de vezes mais do que um computador normal. Pensando nisso, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) fez dele um novo aliado na corrida contra o novo coronavírus.

Os pesquisadores usaram o equipamento para realizar simulações digitais de 8 mil compostos a fim de rastrear aqueles com maior capacidade de impedir que o vírus infecte células hospedeiras. Para isso, Micholas Smith, membro da equipe de cientistas, construiu um modelo digital da proteína spike do coronavírus Sars-CoV-2, também chamada de proteína S.
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O próximo passo de Smith foi realizar testes de dinâmica molecular que analisaram os movimentos de átomos e partículas na proteína. Ele simulou diferentes compostos que poderiam ser acoplados às spikes — que são aquelas protuberâncias do vírus — para determinar se algum deles pode impedir o microrganismo de aderir às células humanas. Foram identificados 77 tipos de moléculas, como medicamentos e substâncias naturais, que podem ser essenciais para os testes de vacinas e remédios.

“O Summit foi necessário para obtermos rapidamente os resultados de simulação que precisávamos. Demorou um dia ou dois, enquanto levaria meses em um computador normal. Nossos resultados não significam que encontramos uma cura ou tratamento para o coronavírus, mas temos muita esperança de que nossas descobertas ajudem estudos futuros”, disse o cientista Jeremy Smith, em comunicado. 

Agora a equipe planeja executar o estudo de novo com uma nova versão da proteína S. Isso pode alterar a classificação dos produtos químicos mais promissores para o tratamento. Os pesquisadores enfatizaram a necessidade de testar na prática os 77 compostos antes que qualquer determinação possa ser feita sobre sua usabilidade.


domingo, 8 de março de 2020

Cinco técnicas que podem ajudar a aprimorar sua memória

Getty Images
vivabem.uol.com.br
A maioria de nós gostaria de ter uma memória melhor. Se ao menos não chegássemos à loja, para comprar três coisas e nos lembrássemos só de duas. Se ao menos não subíssemos até o segundo andar, só para esquecer por que fomos lá. Se ao menos pudéssemos ler informações e memorizá-las facilmente, em vez de tudo desaparecer rapidamente de nossas mentes.

Há muitas técnicas de memória testadas e confiáveis, algumas das quais existem há décadas. Mas o que os cientistas estão investigando agora?

Mais estudos serão necessários antes que possamos ter certeza das melhores formas de colocar as pesquisas mais recentes em prática, mas o que elas podem nos dizer sobre como melhorar nossa memória?

1) Ande de costas 

Podemos pensar que tempo e espaço são coisas muito diferentes, mas, mesmo na forma como falamos, há mais pontos de encontro do que poderíamos imaginar. Nós deixamos acontecimentos "para trás". "Olhamos em frente" ao pensar no futuro. A maneira exata como fazemos isso varia de cultura para cultura, mas, no mundo ocidental, a maioria de nós pensa no futuro como um espaço a nossa frente enquanto o passado se estende para trás.

Pesquisadores da Universidade de Roehampton decidiram explorar a ligação em nossas mentes entre tempo e espaço para encontrar uma maneira de ajudar a nos lembrar melhor dos acontecimentos. Eles mostraram às pessoas uma lista de palavras, um conjunto de fotos ou um vídeo em que uma mulher tem sua bolsa roubada. As pessoas foram instruídas a andar para frente ou para trás por dez metros em uma sala no tempo, de acordo com um metrônomo, um aparelho usado para marcar um andamento musical.

Quando eles foram testados depois sobre o que lembravam do vídeo, das palavras e das imagens, em cada teste, quem caminhou para trás se lembrou mais. Funcionou até mesmo quando os participantes imaginaram andar para trás, ao invés de fazê-lo fisicamente. Era como se caminhar para trás no espaço encorajasse suas mentes a voltar no tempo e permitisse que as pessoas acessassem suas memórias mais facilmente.

Esta pesquisa de 2018 se encaixa com alguns estudos feitos com ratos em 2006. Quando os animais tentam navegar um labirinto, alguns neurônios específicos são ativados quando eles aprendem um ponto do caminho. Os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, descobriram que, quando os ratos param no labirinto, os neurônios associados a cada local que aprenderam no trajeto disparam em ordem inversa. Então, fazer o caminho inverso em suas mentes os ajuda a se lembrar da rota correta.

E, agora, uma nova pesquisa da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, mostrou que quando nós, seres humanos, lembramos de um evento passado, reconstruímos a experiência em nossa mente em ordem inversa. Quando vemos pela primeira vez um objeto, notamos primeiro os padrões e as cores e depois descobrimos o que é. Quando tentamos nos lembrar de um objeto, acontece o contrário: nos lembramos do objeto primeiro e, depois, se tivermos sorte, dos detalhes.

2) Faça um desenho 

Que tal desenhar sua lista de compras em vez de escrever os itens? Em uma pesquisa feita na Universidade de Waterloo, na Inglaterra, em 2018, um grupo de jovens e idosos recebeu uma lista de palavras para aprender. Metade foi convidada a fazer um desenho de cada uma das palavras, enquanto a outra metade foi instruída a escrever as palavras enquanto as aprendiam. 

Mais tarde, as pessoas foram testadas para ver de quantas palavras conseguiam se lembrar. Apesar de algumas palavras serem muito difíceis de desenhar, como "isótopo", o ato de desenhar fez tanta diferença que os mais velhos se tornaram tão bons quanto os mais jovens em se recordar das palavras. O desenho ajudou até mesmo pessoas com demência. Quando desenhamos algo, somos forçados a pensar em mais detalhes, e é esse processo profundo que nos torna mais propensos a nos lembrar de algo. 

Até mesmo escrever uma lista ajuda, e é por isso que, quando você chega à loja e percebe que deixou sua lista de compras em casa, ainda é possível se lembrar de mais itens do que se você não tivesse escrito a lista. Fazer um desenho leva isso um passo além. E não há problema se você não tiver um bom traço: a qualidade do desenho não fez diferença.

3) Exercite-se 

Sabe-se há algum tempo que exercícios aeróbicos, como corrida, podem melhorar a memória. O exercício físico regular gera um pequeno benefício geral, mas, se você quiser aprender algo específico, uma sessão intensa parece ser a ideal, porque ajuda a absorver novas informações, ao menos no curto prazo, segundo uma pesquisa de cientistas do Canadá e da Dinamarca.

A pesquisa sugere que, com o timing certo, a melhoria de memória pode ser ainda maior. Pessoas que fizeram um treino de 35 minutos quatro horas depois de aprender uma lista de fotos associadas a locais conseguiu se lembrar melhor dos pares do que aqueles que fizeram o exercício imediatamente após. No futuro, os pesquisadores investigarão quais exercícios são mais indicados de acordo com o tipo de coisa de que você quer se lembrar.

4) Não faça nada 

Quando as pessoas que tinham amnésia por causa de um derrame receberam uma lista de 15 palavras para memorizar e depois tiveram de fazer outra tarefa, dez minutos depois, elas só conseguiam lembrar de 14% da lista original. Se ficassem em uma sala escura fazendo nada por 15 minutos, sua pontuação subia para 49%, mostrou um estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos.

A mesma técnica tem sido usada desde então em várias pesquisas por Michaela Dewar, da Universidade Herriot Watt, na Escócia. Ela descobriu que, em pessoas saudáveis, uma pequena pausa logo depois de aprender alguma coisa faz diferença no quanto elas podem se lembrar daquilo uma semana depois.

Agora, você pode estar pensando: como saber se as pessoas não passaram dez minutos na sala escura repetindo as palavras para si mesmas para que não se esquecessem? Para evitar isso, Dewar pediu que as pessoas memorizassem a pronúncia de palavras em uma língua estrangeira que elas não conseguiriam repetir para si mesmas depois.

Esses estudos nos mostram o quão frágeis são as novas memórias, a ponto de até mesmo uma pequena pausa poder fazer diferença se elas ficam na nossa mente ou desaparecem.

5) Tire uma soneca 

O sono ajuda a consolidar nossas memórias ao reproduzir ou reativar informações que acabamos de aprender. Uma pesquisa da Universidade de Oldemburgo, na Alemanha, descobriram que, quando pessoas recebiam pares de palavras para memorizar, elas podiam se lembrar mais depois de um sono de até 90 minutos em comparação com quem assistiu a um filme.

Mas pesquisas recentes sugerem que essa técnica funciona melhor para pessoas que estão acostumadas a tirar um cochilo à tarde. Isso levou Elizabeth McDevitt e sua equipe da Universidade da Califórnia a se perguntarem se era possível treinar pessoas para tirar uma soneca. Então, por quatro semanas, quem não tinha esse hábito foi para a cama para tirar uma soneca diurna quando podiam. Infelizmente, para essas pessoas, as sonecas não melhoraram suas memórias. Então, talvez seja necessário um período de treinamento mais longo ou haja algumas pessoas para quem é melhor andar para trás, desenhar, correr ou simplesmente não fazer nada.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Química e carnaval...

Imagem reprodução https://sinproquim.org.br/quimica
Quem quiser ver, verá. A Química sempre é um dos grandes destaques do carnaval. Nos salões e nas ruas. Sem ela, a folia teria menos cores, o samba menos ritmo, fantasias e alegorias menos efeitos. Exagero? Pense bem. São os plásticos, as colas, tintas e tecidos que auxiliam carnavalescos a transformar em realidade sonhos que encantam o mundo e fazem do carnaval brasileiro uma das maiores festas populares do mundo.

 Veja a ala das resinas termoplásticas. O poli (cloreto de vinila), mas conhecido pelo apelido de PVC, sai junto com o polietileno, poliestireno e polipropileno. Eles participam das baterias, substituindo o couro de animais em instrumentos de percussão como tamborins, pandeiros, cuícas e tambores surdos. Estão nos carros alegóricos, dando forma às fantasias, e nas roupas dos milhares de passistas que enchem a avenida de alegria.

 Como a Química tem um fôlego incrível, ela também pode ser notada nas arquibancadas e nos camarotes. Lá costuma estar, por exemplo, o poli (tereftalato de etileno), que gosta de ser reconhecido como PET. Ele é encontrado nas garrafas de água e de refrigerantes que refrescam gargantas e corpos. Aliás, o PET costuma ter como companhia o dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico, usado nas bebidas para dar-lhes aquela saborosa efervescência.

 A presença de fios e fibras, normalmente acompanhados pelos corantes, é sempre fundamental no carnaval. Foi a cada vez mais comum falta de um pequeno punhado de fios sintéticos em um ponto estratégico do corpo humano que levou as escolas de samba do Rio de Janeiro, há alguns carnavais, a um acordo inédito: evitar a nudez explícita nos desfiles. É verdade que o acordo, ao que parece, não vem sendo cumprido à risca, mas esse não é o caso. O que vale lembrar é que a Química, há muitos anos, não perde um carnaval e é companhia constante de todo folião. São feitos de plástico os artefatos utilizados por crianças para as famosas “guerras de água”. Máscaras que divertem e assustam são feitas de látex. Há ainda tintas especiais para pintar corpos e até sprays de serpentinas. Tudo para animar o carnaval. Da próxima vez que você escutar os primeiros acordes do cavaquinho e as primeiras batidas da bateria, entre na folia certo de que a Química estará lá no meio, bem pertinho de você, ajudando sua escola ou seu bloco a levar o samba no pé.

FONTE: https://sinproquim.org.br/quimica/131

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Método Cornell: a técnica que melhorará suas anotações (e estudos)

O método de anotações Cornell foi criado na década de 1940 e é utilizado por estudantes do mundo inteiro até hoje (Foto: Reprodução/Tumblr/study-read-study)
O MÉTODO DE ANOTAÇÕES CORNELL FOI CRIADO NA DÉCADA DE 1940 E É UTILIZADO POR ESTUDANTES DO MUNDO INTEIRO ATÉ HOJE (FOTO: REPRODUÇÃO/TUMBLR/STUDY-READ-STUDY)

Se tem algo que une estudantes mundo afora é a dúvida sobre qual a melhor forma de fazer anotações durante a aula ou ao ler um livro importante. Cada pessoa acaba desenvolvendo seu próprio método, mas nos anos 1940 um professor da Universidade Cornell, autor de Como Estudar na Faculdade (How to Study in College, no título original em inglês), criou um sistema que até hoje é bastante respeitado: as anotações Cornell.

É bem menos complicado do que parece e consiste em dividir as páginas de anotações em três seções. Uma para parafrasear as principais ideias da aula ou do texto, outra para resumi-las e uma terceira para anotar perguntas. Mas não precisa ser tudo ao mesmo tempo.
Este é um exemplo de como utilizar o método Cornell nos estudos (Foto: Reprodução/Através da Linha)
ESTE É UM EXEMPLO DE COMO UTILIZAR O MÉTODO CORNELL NOS ESTUDOS (FOTO: REPRODUÇÃO/ATRAVÉS DA LINHA)

O primeiro passo é desenhar uma espécie de I (maiúsculo, com a lateral direita maior que a esquerda), com o cuidado de deixar espaço o suficiente para escrever, claro. No topo, escreva o assunto e a data. No espaço maior central, faça as anotações ou desenhos que achar pertinentes para a compreensão do tópico. Lembre-se de pular uma linha entre as ideias para facilitar a compreensão e sinta-se à vontade para abreviar o que achar necessário — as anotações são de você para você, desde que você as entenda, é tudo o que importa.

Terminada a aula ou a leitura, use o canto esquerdo para destacar as ideias principais e destacar informações que julga importantes, como nomes ou datas. E, no canto inferior, tente resumir a lição em poucas frases. Vale responder a pergunta: se eu fosse explicar isso a outra pessoa, o que eu diria?
Cada parte da página é dedicada a um tipo de anotação do material estudado (Foto: Reprodução/EAD)
CADA PARTE DA PÁGINA É DEDICADA A UM TIPO DE ANOTAÇÃO DO MATERIAL ESTUDADO (FOTO: REPRODUÇÃO/EAD)

Na hora de estudar, comece lendo a caixa principal, estude com afinco as anotações do canto esquerdo e releia o canto inferior. A boa notícia é que se você tiver feito um bom trabalho ao anotar, provavelmente será muito mais fácil revisar e se preparar para uma prova.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Vestibular-e-Enem/noticia/2018/11/metodo-cornell-tecnica-que-melhorara-suas-anotacoes-e-estudos.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post