segunda-feira, 26 de abril de 2021

Marie Skłodowska Curie: Breve biografia e possibilidades no Ensino de Ciências (Química, Física e Biologia) 📱📙📚📌

 por KAROLINE S. TARNOWSKI



(Créditos: MarinAmaral/Reddit)

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Produto Educacional
Slides de apresentação
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Quem nunca ouviu falar sobre Marie (Skłodowska) Curie? Numa área científica como a nossa, geralmente vimos que ela foi laureada com dois prêmios Nobel, um em Física e o outro em Química, ou ainda que descobriu os elementos químicos polônio e rádio.

(Créditos: SoCientífica)

Mas ao conhecermos sua história de vida, podemos perceber que reduzi-la unicamente a tais fatos científicos oculta outros elementos de sua história que poderiam ser utilizados para a compreensão de contextos históricos, sociais, políticos e, claro, científicos!

(Créditos: Hong Kong 01)

Por isso, no meu trabalho de mestrado pesquisei sobre a biografia de Marie Curie e as potencialidades no Ensino de Ciências (Química, Física e Biologia), além de propor as três ações de ensino dentro dessa temática, denominadas “Episódios de Ensino”.

Dissertação: “A história de Marie Skłodowska Curie viabilizando a Alfabetização Científica e Tecnológica“
Produto Educacional: “Marie Skłodowska Curie – Episódios de Ensino: Contribuições ao Ensino de Ciências“


Produto Educacional

O Produto Educacional apresenta inicialmente uma breve biografia fotográfica (na dissertação há um capítulo sobre) e materiais de apoio para aprofundamento. Depois traz cada uma das três sequências didáticas, com diversos materiais para serem baixados! Como o arquivo é digital, consegui colocar botões clicáveis para facilitar a navegação no PDF! 😀 Abaixo se encontra uma prévia do arquivo. Clique no botão ⤢ para ampliar. 🙂


Slides de apresentação

Se alguém tiver interesse, fiz esses slides sobre o Produto Educacional. Também está no final desse post, nos downloads. 😉 Eles trazem de forma mais resumida algumas informações do Produto, que podem ajudar a fazer uma análise mais geral a partir dos quadros e fluxogramas!

● Breve biografia fotográfica (9-17)
● Episódios de Ensino (22-31)
ㅤ○ História e Natureza da Ciência a partir da história de vida de Marie Curie (23-25)
ㅤ○ Os Prêmios Nobel de Marie Curie (26-28)
ㅤ○ Aspectos biológicos das radiações ionizantes (29-21)

Downloads

● Página com mais informações (Acessar)
● Dissertação (Baixar)
● Produto Educacional (Baixar)
ㅤ○ Episódio de Ensino I – Materiais (Consultar pág. 26) | Slides da aula (Baixar)
ㅤ○ Episódio de Ensino II – Materiais (Consultar pág. 61) | Slides da aula (Baixar)
ㅤ○ Episódio de Ensino III – Materiais (Consultar pág. 113) | Slides da aula (Baixar)
● Slides de apresentação do Produto Educacional (Baixar)


FONTE: https://quimicaempratica.com/2021/02/22/marie-sklodowska-curie-breve-biografia-e-possibilidades-no-ensino-de-ciencias-quimica-fisica-e-biologia/

quinta-feira, 22 de abril de 2021

O tempo dos professores deve ser ocupado no processo de ensino e não em burocracias

Recomendação do Conselho Nacional de Educação lembra que aos docentes é pedida uma série de tarefas que "não se compagina" com a condição docente.
por CLARA VIANA
CNE diz que os alunos têm sido esquecidos
imagem de https://www.publico.pt
O Conselho Nacional de Educação (CNE) defendeu, nesta quinta-feira, que para garantir o sucesso escolar dos alunos é necessário “recentrar a missão docente no essencial ou seja, no processo de ensino/aprendizagem”, em vez de se sobrecarregar os docentes, cada vez mais, com outras tarefas que nada têm a ver com aquele que deve ser o exercício da sua profissão.

“Torna-se evidente que a condição docente não se compagina com a multiplicidade de tarefas que lhe são presentemente atribuídas, antes exige que beneficie de condições de trabalho e de aperfeiçoamento, permitindo-lhe cumprir melhor a sua missão e adaptar-se de forma contínua às novas situações”, escreve o CNE.

Entre estas tarefas que atualmente desviam os professores da sua “missão essencial”, figuram “a sobrecarga de reuniões e de múltiplas tarefas de natureza burocrática”, como por exemplo o preenchimento de aplicações instaladas em plataformas electrônicas, que “poderiam ser desenvolvidas por assistentes técnicos”, destaca o CNE num parecer sobre a condição docente.

Segundo o CNE, recentrar a missão docente no processo de ensino/aprendizagem exigirá também que se defina “com clareza, as funções e as atividades que são de natureza lectiva e as que são de outra natureza, substituindo os normativos vigentes sobre esta matéria por um diploma claro, conciso e completo”. "O estatuto dos professores já vai na 15.ª revisão", exemplificou, em declarações à Lusa a conselheira Conceição Ramos, que foi a relatora deste parecer, lembrando que estas mudanças “afetam o que faz o professor”.

O CNE, que é um órgão consultivo do Parlamento e do Governo, alerta que “nos últimos anos, as condições de trabalho dos docentes nas escolas têm vindo a tornar-se mais difíceis”, o que contribui para que se registem “processos de stress e burnout [exaustão] ”. Para o agravamento das condições de trabalho dos docentes têm pesado a existência de salas de aulas “que não respeitam a norma que limita a dois por turma os alunos com necessidades educativas especiais e o número elevado de turmas, alunos e níveis atribuídos a muitos docentes, designadamente os quem leccionam disciplinas com cargas horárias mínimas”.

Por outro lado, refere o CNE, “não deve ser esquecida a realidade gerada pelos agrupamentos que, amiúde, deu lugar a deslocações de professores entre escolas que, em alguns casos, distam dezenas de quilômetros entre si”. O conselho destaca também a “degradação da vida familiar e social dos alunos, que hoje está muito associada a situações de desemprego e empobrecimento”, que têm contribuído “para gerar um clima de conflitualidade na escola”.

 Conselho Nacional de Educação lembra neste parecer algumas das características do “perfil demográfico” actual do universo dos docentes, nomeadamente o seu “envelhecimento crescente e constante” e o “desequilíbrio quanto ao género em todos os níveis de ensino, sendo o corpo docente maioritariamente feminino”.

Ouvir os alunos
Num outro parecer sobre a organização da escola e a promoção do sucesso escolar, também aprovado nesta quinta-feira, o CNE recomenda que “se ouçam os alunos, que tão esquecidos são, e se escute cuidadosamente o muito que têm para dizer e sugerir, em liberdade, em ordem à melhoria dos processos de ensino e de aprendizagem”.

Neste parecer considera-se também que a diminuição do número máximo de alunos por turma (que actualmente pode ir até aos 30), já prometida pelo Governo e que se encontra também em apreciação no Parlamento, “pode constituir um sinal relevante para as escolas, os professores, os alunos e os pais”. O CNE pretende que esta medida “seja progressivamente implementada com prioridade para os ciclos iniciais de educação”.

O conselho considera também que “o ensino profissional deve continuar a ser valorizado positivamente” e alerta, a este respeito, “para a necessidade de se escapar à tentação de criar percursos pobres para alunos com baixo rendimento escolar e com repetências sucessivas”.

“Aquilo que esta franja de alunos mais reclama não é só uma atenção especial e redobrada dos órgãos pedagógicos da escola, como um enriquecimento curricular das propostas educativas que lhes sejam proporcionadas e ainda a uma afectação dos recursos mais qualificados”, frisa-se neste documento. Por estas razões, o CNE recomenda ao Ministério da Educação que incentive “apenas os projectos escolares que fazem dos cursos profissionais uma alternativa positiva e com reconhecimento na comunidade”.

FONTE: https://www.publico.pt/2016/06/09/sociedade/noticia/o-tempo-dos-professores-deve-ser-ocupado-no-processo-de-ensino-e-nao-em-burocracias-1734631




segunda-feira, 12 de abril de 2021

300 aplicativos educacionais abertos para usar em sala de aula 💽🖥️🖱️📲

Para inovar no processo de ensino-aprendizagem, projeto nascido na UFRGS reúne softwares para Android que podem ser usados e modificados livremente
por Maria Victória Oliveira 
reprodução da página do software

Já imaginou se uma tabela reunisse vários aplicativos livres para celulares e tablets do sistema Android? E se essa tabela também apresentasse indicações de quais disciplinas poderiam usar o recurso? Melhor ainda, não é? Pois agora isso existe, graças ao projeto “Software Educacional livre para Dispositivos Móveis”. (clique no nome em vermelho)

Elaborada pelo professor Paulo Francisco Slomp e pelo estudante André Ferreira Machado, ambos da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), a tabela reúne 305 aplicativos, que podem ser usados como complemento para o processo de ensino-aprendizagem. Desses, 78 servem para a educação infantil, 154 para os anos iniciais do ensino fundamental, 173 para os anos finais do ensino fundamental, 181 para o Ensino Médio e 203 para o Ensino Superior.

Para quem não sabe, o nome software livre significa, no caso da tabela, que o aplicativo é um REA (Recurso Educacional Aberto). A sigla, por sua vez, é usada para designar um material educativo licenciado de forma pública, permitindo que qualquer pessoa interessada use ou adapte o conteúdo da forma como preferir.

Os aplicativos que figuram na tabela começaram a ser analisados em abril de 2015. O projeto foi finalizado em fevereiro de 2016, quando a compilação foi lançada de forma aberta ao público, tanto para visualizações quanto para contribuições. “A tabela está sob uma licença de Creative Commons. A gente selecionou mais de 300 aplicativos, mas eles surgem a todo instante. Mantendo a tabela aberta, cada um pode colocar novos aplicativos que nós não conhecemos”, defende Ferreira. Segundo ele, essa é exatamente a filosofia do software livre.

Dentro da tabela, o material também é dividido por área de conhecimento. Entre elas: acessibilidade, biologia, educação física, educação artística, ensino religioso, física (subdividida em categorias como acústica, astronomia e atmosfera), geografia (também subdividida em categorias como atmosfera, bússola, capitais e mapas), idiomas (bibliotecas, catalão, coreano, entre outras), informática (redes e programação), jogo, matemática (álgebra, ângulos, aritmética, calculadora financeira,  entre outras), medicina, música, química (eletroforese, isótropos, jogo, moléculas e tabela periódica) e sociologia.

Navegando pelo mapeamento, é possível perceber que algumas áreas contam com maior número de recursos disponíveis. Para matemática, por exemplo, existem 61 aplicativos; física conta com 25 e geografia com 33. “Existe uma grande quantidade de aplicativos para áreas de ciências e exatas, além de geografia. É uma opinião pessoal, mas eu acho que as pessoas que desenvolvem os aplicativos são mais inclinadas a ciências exatas, por isso o maior número”, defende Ferreira.

Mudança de planos

Apesar do resultado final, o projeto surgiu com uma proposta diferente. “Em 2013, eu e meu orientador percebemos que tinha uma categoria na Wikipedia em inglês só sobre software educacional livre, e que essa mesma categoria não existia em português. Então nós começamos a traduzir os artigos para nossa língua”, relata o estudante de matemática da UFRGS, André Ferreira. Ele conta que, no meio desse processo, surgiu a ideia de criar uma tabela para catalogar alguns dos programas citados nos artigos. Em 2014, a proposta resultou em uma tabela de softwares educacionais livres para desktop (computadores de mesa).

Entretanto, com o aumento do uso de smartphones, o projeto tomou uma nova direção. “Depois que nós fizemos a tabela de programas para desktop, pensamos em fazer uma versão para dispositivos móveis, já que o uso desses aparelhos está cada vez maior no Brasil”, explica.

A escolha pela tabulação de aplicativos do sistema Android, segundo Ferreira, foi por uma questão prática. “A iTunes Store (a loja da Apple, que usa sistema operacional IOS) não aceita aplicativos sob licenças livres. Já a Google Play Store (loja do sistema operacional Android) aceita diferentes tipos de licenças livres, menos a GPL (do inglês, Licença Pública Geral).

Critérios de Seleção

O principal critério utilizado para a seleção dos aplicativos foi a finalidade educacional. Durante o processo de avaliação dos softwares, Ferreira e Slomp utilizaram, entre outras, uma lista do site F-Droid, que reúne um catálogo de softwares gratuitos de código aberto para Android.

Segundo Ferreira, o F-Droid tem uma categoria chamada Ciência e Educação. Juntamente com o seu orientador, ele fez o download e avaliou cada programa dessa área, para depois colocá-lo na tabela. “Nesse processo, nós percebemos que muitos softwares não estão categorizados como Ciência e Educação, mas podem ser usados com uma finalidade educacional. Por exemplo: nós encontramos um aplicativo de mapas, que está na categoria Navegação. Tudo bem, isso ajuda a velejar, mas também pode ser usado em sala de aula”, explica o estudante de matemática.

Diante dessa possiblidade, a dupla decidiu analisar todos os programas disponíveis na plataforma até dezembro de 2015. Ao todo, foram 1700 aplicativos avaliados. “Nós analisamos a interface, o idioma e como o aplicativo funciona de maneira geral. Nós instalamos em um tablet para testar aqueles que nós consideramos que poderiam ser usados”.

A tabela está disponível em português, e também conta com versões em inglês,espanhol, francês e italiano.

FONTE: http://porvir.org/300-aplicativos-educacionais-abertos-para-usar-em-sala-de-aula/

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Pesquisa da USP descobre como é reação química que transforma açúcar em energia 🧁🍰🎂🍮🍭🍬🍫

Mecanismo era mistério há mais de 50 anos. Estudo inédito realizado em São Carlos foi capa de uma das revistas mais respeitadas do mundo na área química.


Cientistas pesquisam geração de energia a partir do açúcar

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, descobriram como é a reação química que transforma o açúcar em energia elétrica. O mecanismo de reação era um mistério para a comunidade científica há mais de 50 anos. A pesquisa inédita é capa deste mês da Royal Society of Chemistry, uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo na área química.

A pesquisa
Foram cinco anos de estudo até o resultado inédito. Primeiro, os cientistas colocaram fermento biológico, o mesmo usado para fazer pão, no açúcar refinado. Com a fermentação, o açúcar vira álcool.

A doutoranda de química da USP de São Carlos Graziela Sedenho (Foto: Wilson Aiello/ EPTV)
A doutoranda de química da USP de São Carlos Graziela Sedenho (Foto: Wilson Aiello/ EPTV)

Os pesquisadores acrescentaram um eletrodo com uma proteína chamada ADH ou álcool desidrogenase, que é uma enzima encontrada no corpo humano e em alimentos como o tomate.

“A proteína é capaz de extrair os elétrons - que são partículas carregadas - do etanol, gerando então eletricidade. E esse processo é bem rápido. Em cerca de 10 minutos nós já temos corrente elétrica”, disse a doutoranda de química Graziela Sedenho.

Desvendando o mistério
O equipamento mede a intensidade da corrente elétrica. A experiência brasileira desvenda um mistério. Há mais de 50 anos, pesquisadores do mundo inteiro tentavam descobrir de que forma a proteína agia quando entrava em contato com o álcool. Pela primeira vez, os cientistas conseguiram comprovar como é essa reação química, que transforma o açúcar em energia elétrica.

O professor Frank Crespilho da USP de São Carlos (Foto: Wilson Aiello/ EPTV)
O professor Frank Crespilho da USP de São Carlos (Foto: Wilson Aiello/ EPTV)

A ação da enzima para produzir energia não é a única descoberta. “A outra novidade foi que no mesmo sistema nós conseguimos realizar duas reações ao mesmo tempo, ou seja, tanto o fungo quanto a proteína atuavam ao mesmo tempo pra gerar o etanol e gerar a eletricidade, o que nunca tinha sido comprovado anteriormente”, disse o professor do Instituto de Química Frank Crespilho.

Meio ambiente
A experiência pode trazer vantagens para o meio ambiente.
"A utilização de microorganismos para decomposição da matéria orgânica em lagos e rios, descontaminando o meio ambiente e mesmo assim, gerando eletricidade e também gerando bioenergia, ou seja, extraindo eletricidade de qualquer fonte de açúcar presente em frutas, legumes e outros tipos de plantas”, afirmou Crespilho.

FONTE: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/pesquisa-da-usp-descobre-como-e-reacao-quimica-que-transforma-acucar-em-energia.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Em testes, droga contra câncer diminui efeitos de proteínas do Sars-CoV-2 💊💉🩸

 

O vírus Sars-CoV-2 (Foto: NIAID)

Em experimentos com moscas-de-frutas (Drosophila) e linhagens de células humanas, cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Maryland (UMSOM), nos Estados Unidos, descobriram que o medicamento anticâncer, selinexor, pode diminuir os efeitos prejudiciais de proteínas do vírus da Covid-19, o Sars-CoV-2.

Os pesquisadores publicaram a descoberta na quinta-feira (25), no jornal científico Cell & Bioscience. O líder do estudo, Zhe Han, professor associado do Centro de Modelagem de Doença de Precisão na UMSOM, aponta em comunicado que o fármaco pode proteger o organismo de células já infectadas por proteínas virais – algo que não faz o medicamento remdesivir, usado para tratar o ebola.

O remdesivir, que é aprovado no Brasil, foi recentemente alvo de estudos para verificar se ele poderia também tratar Covid-19, pois supostamente o medicamento evitaria a multiplicação do Sars-CoV-2. Mas, sua possível eficácia contra a doença foi descartada por uma pesquisa publicada no renomado periódico The Lancet.

Como alternativa, Han acredita que o selinexor pode ser uma esperança. "Nosso trabalho sugere que há uma maneira de evitar que o Sars-CoV-2 lesione os tecidos do corpo e cause danos extensos", diz o pesquisador.

No estudo, antes dos testes com selinexor, os cientistas consideraram que o coronavírus infecta as células e as sequestra, fazendo com que ocorra produção de proteínas e cada um de seus 27 genes.

Estrutura do Selinexor (<-- clique e saiba mais)

Ao introduzirem esses genes em células humanas e em 12 linhagens de mosca-da-fruta, observou-se a produção de proteínas virais tóxicas ao organismo. A mais tóxica de todas as proteínas foi a Orf6, que matava cerca de metade das células humanas infectadas, de acordo com o estudo. Depois dessa, as vilãs eram as proteínas Nsp6 e Orf7a, que aniquilavam cerca de 30 a 40% das células de seres humanos.

Já nas moscas-da-fruta, foi possível notar que sempre que elas produziam em seus pequenos corpos qualquer uma das três proteínas virais tóxicas, havia bem menos chance desses seres voadores sobreviverem até a idade adulta. Algumas delas apresentaram até problemas pulmonares e menos mitocôndrias (fábricas de energia) em suas células musculares.

Em seguida, os pesquisadores analisaram a proteína viral Orf6 e viram que ela era a mais tóxica pois aderia às proteínas humanas infectadas pelo coronavírus. Mais precisamente, agiam nas proteínas XPO1, que transportam material genético para fora do núcleo das células.

Mosca-de-fruta Drosophila melanogaster se alimentando de uma banana
(Foto: Wikimedia Commons )

Mesmo sendo nocivo, o que o medicamento selinexor faz então é atuar nas XPO1, evitando a propagação da doença pelo corpo. Depois que os pesquisadores tentaram aliviar a toxicidade do fármaco, eles concluíram que a droga melhorava as chances de sobrevivência de células humanas infectadas pelo coronavírus em 12%.

A morte prematura em moscas caiu, por sua vez, em 15%, sendo que os ramos dos pulmões dos insetos e suas mitocôndrias foram restaurados. Os cientistas norte-americanos enxergam nisso uma possibilidade de tratamento, já que o selinexor é aprovado pela agência federal de saúde Food and Drug Administration (FDA).

"Mais de 1 mil medicamentos aprovados pela FDA estão em testes clínicos para testar possibilidades de tratamentos para Covid-19 e, felizmente, um teste para testar o selinexor, o medicamento usado em nosso estudo, já está sendo realizado", conta Han. “Se este ensaio for bem-sucedido, nossos dados terão demonstrado o mecanismo subjacente pelo qual a droga funciona”.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2021/03/em-testes-droga-contra-cancer-enfraquece-proteinas-do-sars-cov-2.html

sexta-feira, 26 de março de 2021

Espuma de cobre durável pode ser usada em máscaras para filtrar Sars-CoV-2 💪 💪

Espuma de cobre em cima de uma planta, para mostrar que ela é muito leve
(Foto: Divulgação/Nano Letters 2021)


Uma das principais medidas de prevenção contra a Covid-19 nesta pandemia é o uso de máscaras, mas muitas oferecem coberturas ineficazes ou frágeis. Para tentar resolver essa questão, pesquisadores norte-americanos criaram uma espuma durável de cobre que é capaz de filtrar o vírus Sars-CoV-2 e pode ser usada na fabricação de máscaras mais fortes e reutilizáveis.

Os estudiosos publicaram detalhes sobre a invenção na revista científica Nano Letters. Eles dizem que a espuma é leve e possui nanofilos de cobre, que podem não só serem usados nas máscaras, mas também em sistemas de filtragem de ar, evitando a propagação aérea de agentes infecciosos.

De acordo com comunicado, para fabricar a espuma, foi criada uma rede 3D nos nanofios, solidificada com calor, o que originou ligações bem fortes. Em seguida, uma outra camada de cobre foi adicionada para reforçar o material.

Quando testaram a matéria-prima para máscaras, os pesquisadores viram que a espuma de cobre manteve sua forma mesmo em condições de alta pressão e velocidade de ar. Isso indica que ela é durável e pode ser higienizada com lavagem de ar comprimido sem riscos de danificação.

Já quando se trata de filtrar partículas de vírus, como do Sars-CoV-2 – que são liberadas toda vez que uma pessoa infectada tosse ou espirra – os resultados também foram promissores.

Isso porque a espuma pôde filtrar corpos de espessura correspondente à do vírus, ou seja, que estão na faixa de tamanho de 0,1 a 1,6 micrômetros (ou a milésima parte de um milímetro).

A versão mais eficaz do produto, com 2,5 milímetros de espessura e 15% de cobre, é capaz ainda de aprisionar 97% de partículas de aerossol, que são partículas poluentes que ficam por horas no ar.

Espuma de cobre pode servir como matéria-prima para fabricar máscaras reutilizáveis
(Foto: Vera Davidova / Unsplash)

A equipe concluiu assim que a respirabilidade das espumas é comparável a das máscaras de polipropileno N95, muito usadas por profissionais da saúde por serem mais resistentes a aerossóis. A diferença é que a base de cobre gera facilidade de limpeza e resistência.

A estimativa de preço de uma máscara produzida com a espuma de cobre é de 2 dólares cada (cerca de R$ 11, na atual cotação). Como possui longa vida útil e desinfecção fácil, os cientistas dizem que o produto é economicamente competitivo com os que já são vendidos atualmente.

Além disso, a espuma é resistente à radiação e apresenta durabilidade durante procedimentos de descontaminação, o que não ocorre com outros materiais como fibra de vidro, nanotubos de carbono e fibras de polipropileno.

“Sua estabilidade mecânica, peso leve, resistência química e à radiação, facilidade de limpeza, reutilização e reciclabilidade tornam essas espumas metálicas filtros promissores para combater [o vírus da] Covid-19 e outros tipos de partículas transportadas pelo ar”, disseram os pesquisadores, no estudo.

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2021/03/espuma-de-cobre-duravel-pode-ser-usada-em-mascaras-para-filtrar-sars-cov-2.html

quinta-feira, 18 de março de 2021

10 mitos sobre a higienização das mãos e superfícies

 Lista do Conselho Federal de Química esclarece dúvidas sobre substâncias usadas na prevenção ao contágio do coronavírus, como o álcool em gel e a água sanitária

(Foto: Anton on Unsplash)

Quase um ano após o início da pandemia de Covid-19, ainda pairam dúvidas a respeito dos procedimentos de higienização. Quais tipos de álcool são recomendados? Álcool em gel grudento é ruim? Quais são os riscos ao utilizar certas substâncias?

Lembrando que a pandemia não acabou e precisamos redobrar os cuidados, o Conselho Federal de Química (CFQ) elaborou uma lista esclarecendo os principais mitos sobre os métodos de prevenção ao contágio. Confira abaixo:

1. Se o álcool em gel for melequento demais, a eficácia diminui
O que define se o álcool em gel é mais ou menos pegajoso é a composição química da fórmula, que pode sofrer algumas alterações dependendo dos compostos usados. O álcool em gel é composto basicamente por quatro substâncias: o álcool etílico 70%, um neutralizante (que garante a neutralidade do pH, para reduzir os danos à pele), um excipiente (utilizado para coloração ou perfume, dependendo do fabricante) e o carbômero (polímero que dá a característica gelatinosa ao produto). Com a alta demanda e consequente diminuição da oferta no mundo, o carbômero mais utilizado pela indústria precisou ser substituído por outras substâncias, que não têm as mesmas características  e podem parecer mais grudentas ou melequentas – o que não necessariamente diminui a eficácia.

2. Qualquer álcool é eficaz contra o coronavírus
O álcool 70% é o recomendado. Em soluções de graduação alcoólica muito superiores, a eficácia é menor, pois a evaporação é mais rápida, o que diminui o tempo de contato do álcool com o patógeno. Já os de graduação inferiores não têm o poder de eliminar os microrganismos.

3. Posso higienizar meu celular com álcool em gel
O mais recomendado para equipamentos eletrônicos é o álcool isopropílico. Por conter em sua fórmula um carbono a mais que o etanol na cadeia carbônica, ele é menos miscível em água, o que dificulta a oxidação das peças. 

4. É possível enxergar o álcool em gel queimando
Embora o álcool em gel seja inflamável, sua chama é invisível. Por isso, é importante redobrar a atenção ao álcool junto à fonte de calor. Por exemplo, evite utilizar álcool em gel antes de cozinhar e manusear o fogão. Lavar bem as mãos com água e sabão é o suficiente.

5. É possível produzir álcool em gel em casa
Apesar de existirem receitas caseiras circulando na internet, o CFQ não recomenda essa prática tanto pelos riscos associados quanto por confrontar a legislação brasileira.

6. O álcool em gel pode ser substituído por etanol de combustível ou bebidas alcoólicas
Apesar do combustível e das bebidas alcoólicas conterem álcool etílico em suas composições, cada produto apresenta uma graduação alcoólica própria e é pensado para uma finalidade específica, além de suas formulações terem outras substâncias. As bebidas alcoólicas, por exemplo, raramente atingem uma graduação de 70%, que é a ideal para sanitizar superfícies.

7. Água sanitária pura funciona contra o coronavírus
A substância que melhor age como germicida não é o hipoclorito de sódio, mas sim o ácido hipocloroso. A água sanitária pura apresenta um pH alto e, por isso, contém apenas hipoclorito. É preciso, portanto, baixar o pH, o que é feito com a adição de água.

8. É recomendável pulverizar ou borrifar soluções de hipoclorito de sódio sobre pessoas, em áreas públicas de grande circulação
O hipoclorito de sódio é corrosivo e pode causar irritação na pele e nos olhos. O CFQ não recomenda que soluções sejam pulverizadas sobre pessoas, pelo menos até que sejam apresentadas pesquisas científicas que comprovem eficácia.

9. Não se pode usar água sanitária para desinfetar as mãos
A água sanitária pode ser usada para higiene das mãos quando não houver água e sabonete ou álcool, desde que esteja diluída na concentração de 0,05% — o equivalente a 1 litro de água para 25 ml de água sanitária. Para higienizar pisos e outras superfícies, o CFQ recomenda a diluição em 0,1%, o que seria 1 litro de água para cada 50 ml de água sanitária. E, para locais externos de grande circulação ou ambientes onde existem pessoas com suspeita de Covid-19, a recomendação é diluir em 0,5% - 1 litro de água para 250 ml de água sanitária.

10. Não há riscos ao misturar água sanitária com outros produtos de limpeza ou vinagre
Pelo contrário, há inclusive risco de explosões. É que a mistura de água sanitária com outros produtos pode gerar substâncias perigosas e que liberam vapores tóxicos, já que muitos produtos contêm substâncias como hipoclorito de sódio, amônia e até mesmo nitrogênio.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2021/03/10-mitos-sobre-higienizacao-das-maos-e-superficies.html

domingo, 14 de março de 2021

Grupo médico anuncia novo remédio “promissor” no combate à covid-19 👀🔔💊

Grupo Samel divulga resultados de estudo de medicamento que trata pacientes com covid-19
 Eis a íntegra do estudo (Clique aqui).

Foram divulgados nesta terça-feira (9), os resultados de um estudo clínico realizado pela Applied Biology, que testou o uso da proxalutamida em pacientes com Covid-19 internados nos hospitais da Samel em Manaus (AM). Durante 14 dias, pacientes considerados graves e hospitalizados por até 72 horas receberam doses diárias do medicamento. Os primeiros resultados indicam redução no tempo médio de internação, no número de mortes e na realização de intubações.

O estudo foi conduzido pelos médicos Flávio Cadegiani, fundador e diretor médico do Instituto Corpometria; Daniel Fonseca, diretor técnico dos hospitais Samel; e Ricardo Ariel Zimerman, ex-presidente da Associação Gaúcha de Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar, sob a coordenação de Andy Goren, CMO (Chief Medical Officer) da Applied Biology.

A Applied Biology é uma empresa de biotecnologia especializada no desenvolvimento de medicamentos para doenças capilares. “Em fevereiro de 2020, nosso grupo de pesquisa descobriu uma relação entre a queda de cabelo e a severidade dos casos de Covid-19”, explica Goren, lembrando que estes estudos indicaram que o Coronavírus só consegue entrar nas células pulmonares por meio dos androgênios.

Como a proxalutamida impede a entrada do vírus nas células, Goren iniciou uma pesquisa em nível global para comprovar sua eficácia. “Essa é a teoria que tem conduzido nossas pesquisas ao redor do mundo”, afirma. Num dos primeiros testes conduzidos por ele, com pacientes com sintomas leves, nenhum precisou ser hospitalizado, contra 27% entre os que tomaram placebo.

Estrutura Molecular da proxalutamida (<-- clique e saiba mais)

Ao receber a autorização do Comitê Nacional de Pesquisa para realizar testes no Brasil em pacientes nos estágios iniciais de hospitalização, a equipe de Goren escolheu o estado do Amazonas, considerado hoje o epicentro da doença no mundo. “Fizemos uma importante parceria com os hospitais Samel e, até aqui, os resultados têm sido promissores”, afirma.

Resultados

Para a primeira fase do estudo foram escolhidos 42 pacientes nas primeiras 72 horas de hospitalização. Todos eles faziam utilização de oxigênio, 35 estavam com ventilação não invasiva (VNI) e 24 com indicação de intubação.

Neste estágio, nas primeiras 24 horas, seriam esperadas de 8 a 12 intubações, nenhum paciente com uso de VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente e menos de 10% (2 a 3 pacientes) sem uso de VNI.

Com o uso da proxalutamida, depois de 24 horas havia sete pacientes com uso de oxigênio com saturação maior que 94% em ar ambiente; 15 pacientes (40%) em VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; 20 pacientes (67%) sem uso de VNI; e 24 pacientes sem mais indicação de intubação.

Ao chegar a 48 horas de internação, seriam esperadas de uma a duas mortes; de 12 a 18 intubações; de um a dois pacientes em VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; e de quatro a cinco pacientes sem uso de VNI.

Ao invés disso, o grupo apresentou 80% dos pacientes (30) sem uso de VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; 35 pacientes sem uso de VNI e nenhuma intubação.

Com 72 horas, seriam esperadas de quatro a cinco mortes; de 15 a 22 intubações; de três a quatro pacientes em VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; de seis a sete pacientes sem mais uso de VNI; nenhuma alta hospitalar e progressão média de 50% a 60% de pulmões comprometidos para 75% a 80%.

Com o uso do medicamento, o estudo apresentou 35 pacientes sem uso de VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente, nenhuma intubação; oito pacientes de alta; e redução de 50% a 60% de pulmões acometidos para 5% a 15%.

O estudo também aponta que o esperado para este grupo seria um tempo de internação média de 21 dias, com cerca de 20 intubações, cinco mortes e nenhuma evolução para ar ambiente. Com uso do medicamento, o grupo de pacientes testados teve um tempo médio de internação de seis dias (redução de 70%), nenhuma intubação, nenhuma morte e 100% de evolução para ar ambiente.

Além do grupo de 42 pacientes hospitalizados, a proxalutamida também foi utilizada em dez pacientes que estavam na UTI. Nas condições em que estavam eram esperadas, em 72 horas, sete mortes (70%), nenhum extubação e uma evolução para a retirada de Nodradrenalina (10%). Com o uso da medicação, nenhuma morte foi registrada, três pacientes (30%) evoluíram para a extubação e sete deles (70%) evoluíram para a retirada da Nodradrenalina. O grupo também registrou 82% de queda do Dímero-D.

Reforçando os bons resultados apresentados até aqui, o diretor técnico dos hospitais Samel, Daniel Fonseca, ressaltou que a proxalutamida se mostrou uma medicação bastante segura, com poucos efeitos colaterais. “Ela tem ações de cortar o efeito de inflamação pulmonar, o tromboembolismo difuso e infecções bacterianas secundárias. São dados extremamente positivos que não observamos com nenhum outro tipo de medicação. Nenhum demonstrou tanta eficácia”, diz.

Próximos passos

Goren fez questão de ressaltar que estes são os estágios iniciais do estudo, que continuará até que sua eficácia seja efetivamente comprovada. “estamos no meio de uma crise mundial e queremos apresentar resultados o quanto antes. Os que obtivemos até aqui são encorajadores”, diz.

Para que a eficácia seja comprovada, o estudo precisa obter bons resultados com pelos menos 600 pacientes. “Há muito trabalho ainda a fazer e a parceria com o hospital Samel será fundamental para isso”, afirma.

O presidente do grupo Samel, Luis Alberto Nicolau, ressaltou os bons resultados obtidos até aqui. “Estamos empolgados com o que esse remédio pode fazer pela saúde da população e estamos ampliando o estudo para as cidades de Itacoatiara e Parintins, com o objetivo de chegar a estes 600 pacientes”, revela.

FONTEs:

https://www.poder360.com.br/coronavirus/grupo-medico-anuncia-novo-remedio-promissor-no-combate-a-covid-19/

https://en.wikipedia.org/wiki/Proxalutamide