quinta-feira, 11 de março de 2021

Desequilíbrio na produção de citocinas pode explicar letalidade da Covid-19 🔗📌🔔

Fenômeno conhecido como "tempestade de citocinas" pode ser mais letal em casos de infecção por Sars-CoV-2, sugere estudo (Foto: Wikimedia commons)

Desde o início da pandemia de Covid-19, cientistas procuram entender como o corpo humano responde à infecção pelo Sars-Cov-2. Em um novo estudo, pesquisadores dos Institutos Earlham e Quadram, ambos da Inglaterra, reforçam a hipótese de que, ao invés de ajudar, em alguns casos essa resposta pode ser fatal.

Publicada nesta segunda-feira (1) no periódico Frontiers in Immunology, a pesquisa analisou como o sistema imunológico reage ao entrar em contato com cinco tipos de vírus: o Mers-CoV, que se espalhou no Oriente Médio em 2012; o Sars-CoV, que apareceu na China em 2003; dois subtipos de vírus influenza A (H5N1 e H7N9); e, é claro, o Sars-Cov-2.

Mas o que esses vírus têm em comum? Todos eles, segundo os cientistas, são capazes de desencadear um fenômeno conhecido como “tempestade de citocinas” – ou Síndrome de Liberação de Citocinas (SRC, na sigla em inglês). O quadro é observado quando o sistema imune responde de forma exagerada a uma infecção, produzindo citocinas em excesso. Se uma região do corpo é afetada por partículas virais, por exemplo, essas moléculas são responsáveis por levar um “reforço” de células imunológicas ao local. Em excesso, não só combatem os vírus – ou outros tipos de patógenos –, mas também o próprio corpo do paciente, resultando em falência de órgãos e até levando à morte.

Estruturas em 3D e Molecular (clique aqui e saiba mais...)
(imagem de https://br.123rf.com/)


De acordo com o estudo, embora compartilhe semelhanças com outros vírus respiratórios, esse desequilíbrio no sistema imune pode ser mais letal em casos de infecção pelo Sars-Cov-2. Isso porque, diferente dos outros quatro vírus em questão, o novo coronavírus estaria por trás de um desajuste na produção de reguladores específicos associados à resposta das citocinas. “O Sars-CoV-2 não eleva todas as citocinas esperadas em pacientes como os outros vírus respiratórios estudados, como as citocinas elevadas após uma infecção por influenza: IL-2, IL-10, IL-4 ou IL-5”, diz o estudo. Entre as citocinas que seriam desajustadas pelo vírus causador da Covid-19, a pesquisa cita a IFN-γ e a IL-1β.

Mapeamento de citocinas

Para chegar a essas respostas, o grupo analisou mais de 5 mil estudos da literatura científica com dados de pacientes – simulação de reações em laboratório e linhagens celulares foram descartados – que, durante a infecção por um desses cinco tipos de vírus, tiveram aumento ou nenhuma mudança nos níveis de citocinas.

“Nosso objetivo é que esse mapeamento de respostas de citocinas ajude os especialistas a identificar intervenções que podem aliviar casos graves de Covid-19 e outras doenças que causam desequilíbrio na produção de citocinas”, conclui a pesquisa.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2021/03/desequilibrio-na-producao-de-citocinas-pode-explicar-letalidade-da-covid-19.html

sábado, 6 de março de 2021

Cientistas da Alemanha identificam substâncias inibidoras do Sars-CoV-2 💉💡 💊

Compostos são considerados promissores por conseguirem bloquear a atuação da enzima-chave e impedir a replicação do novo coronavírus, afirmam pesquisadores

Especialistas acreditam que, apesar dos resultados obtidos em laboratório serem promissores, ainda são necessários
ensaios clínicos (Foto: Universidade de Minnesota)

Após um ano de pandemia, cientistas do mundo inteiro continuam concentrando esforços para desenvolver vacinas e medicamentos que possam auxiliar no controle da Covid-19. Na Alemanha, pesquisadores das universidades de Bonn e de Würzburgo descobriram duas famílias de substâncias que impedem a replicação do novo coronavírus.

O estudo, publicado nesta quarta-feira (3) no jornal Angewandte Chemie, foi baseado em experimentos de laboratório e avaliou a capacidade dos compostos de conter a atuação da Mpro, protease principal do Sars-CoV-2 — também classificada como a enzima-chave do vírus.

“Se a enzima é bloqueada, a replicação viral nas células do corpo param”, afirma, em nota, Christa E. Müller, do Instituto Farmacêutico da Universidade de Bonn. Isso porque a primeira etapa da replicação consiste na tradução do genoma do vírus de RNA para uma grande fita de proteína. Em seguida, a protease principal corta essa cadeia de proteína em pedaços pequenos que vão compor novas partículas de vírus.

Por isso, a enzima-chave é considerada um ponto de partida promissor para a pesquisa de uma droga que seja eficiente contra o novo coronavírus. Com base na estrutura e no mecanismo através do qual a protease funciona, os farmacêuticos desenvolveram uma variedade de potenciais inibidores. “Um inibidor adequado deve se vincular de forma suficientemente forte à protease principal para conseguir bloqueá-la”, explica o pesquisador Michael Gütschow.

Representação da protease do coronavírus com os novos inibidores. Os domínios da proteína estão representados em diferentes cores, e o inibidor em rosa. (Foto: V. Namasivayam/Pharmazeutisches Institut/Uni Bonn)

Os testes foram realizados por meio da triagem de alto desempenho (HTS, na sigla em inglês) e de um sistema de fluorescência. De acordo com Gütschow, a maioria dos compostos experimentados não foram bem-sucedidos e a fluorescência permaneceu visível. Em alguns casos, porém, ela foi suprimida, indicando que uma parcela das substâncias pode inibir a enzima.

Os cientistas identificaram duas classes de drogas que parecem promissoras: as azanitrilas e os ésteres de piridila. A partir delas, compostos customizados foram sintetizados para que permanecessem grudados à protease como goma de mascar, bloqueando a replicação viral. “Alguns também conseguem inibir a enzima humana que ajuda o vírus a entrar nas células do corpo”, observa Christa Müller.

"Esses compostos são promissores para o desenvolvimento de drogas”, afirma a pesquisadora. Apesar das boas notícias, Gütschow ressalta que ainda são necessários extensos ensaios clínicos para avaliar se as substâncias também são capazes de inibir a replicação do Sars-CoV-2 em humanos.

FONTE: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2021/03/cientistas-da-alemanha-identificam-substancias-inibidoras-do-sars-cov-2.html

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Malha de carbono pode triplicar vida útil de pontes e viadutos 🛣️

Imagem de https://www.tecmundo.com.br/ciencia

Reparar estruturas de concreto é um trabalho constante por conta da ação do tempo e das intempéries – aumentar a vida útil não somente das construções como também dos reparos é o que faz o método de reforço estrutural desenvolvido por pesquisadores do Instituto Coreano de Engenharia Civil e Tecnologia de Construção (KICT), usando uma malha de carbono não inflamável e uma argamassa de cimento 50% reforçada com escória de alto-forno (um subproduto da produção de ferro gusa, que é seco e moído).

O produto foi pensado para a situação da Coreia do Sul (mais de 90% da infraestrutura do país foi erguida em concreto, de edifícios a pontes, postes e túneis), mas pode ter aplicações em qualquer lugar.

Hoje, para reparar estruturas, são usadas folhas de fibra de carbono normalmente aplicadas ao concreto deteriorado usando-se adesivos orgânicos, que têm a desvantagem de serem inflamáveis e ainda contraindicados para superfícies úmidas (elas descolam e podem cair de onde estiverem fixadas).

Como são fabricadas as placas de TRM (na figura a, pode-se ver a malha de carbono).
Imagem de https://www.tecmundo.com.br/ciencia

Adesivo à prova d'água

O método desenvolvido pelo engenheiro de materiais Hyeong-Yeol Kim e equipe usa folhas de carbono, mas em forma de grade têxtil, inseridas em painéis de argamassa pré-moldada (textile reinforced mortar, ou TRM) de dois metros quadrados e 20 milímetros de espessura.

Eles são fixados à superfície que precisa de reparos com argamassa de cimento, em vez de adesivos orgânicos. Seu uso ainda se estende a construções pré-moldadas, reduzindo os custos em 40% e melhorando a resistência ao fogo.


As placas de TRM são fixadas em uma estrutura com o concreto degradado.
Imagem de https://www.tecmundo.com.br/ciencia

Os painéis, aplicados em superfícies molhadas, não sofrem corrosão nem pelo sal do mar. Nos testes realizados no KICT, mesmo exposta à maresia, o material suportou o dobro da carga de similares sem a malha de carbono; sua vida útil calculada é superior a um século.

FONTE: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/207117-malha-carbono-triplicar-vida-util-pontes-viadutos.htm

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Cientistas inventam pasta de hidrogênio que pode substituir a gasolina 💥💨

Se você acha que o futuro são apenas veículos elétricos, pode estar enganado. Cientistas inventaram uma pasta de hidrogênio que armazena até dez vezes mais energia que baterias.

Imagem de engenhariahoje.com

Os pesquisadores responsáveis pela invenção dessa pasta são do Fraunhofer Institute for Manufacturing Technology and Advanced Materials (IFAM), na Alemanha e nomearam como Power Paste.

A pasta é uma forma segura de se usar o hidrogênio e não é poluente. Também é uma mistura em pó de magnésio e hidrogênio que resulta em hidreto de magnésio, que incluído um éster, é possível armazenar em um cartucho.

Benefícios
  • Não evapora se deixar o carro sob a luz do Sol
  • Densidade de armazenamento de energia superior à fornecida por um tanque de alta pressão
  • Reabastecimento rápido com apenas uma troca de cartucho
  • Transporte de unidades extras
  • Sem necessidade de postos de combustíveis

Piloto de Power Paste em 2021
O IFAM está atualmente construindo uma planta de produção para Power Paste no Centro de Projetos Fraunhofer para Armazenamento de Energia e Sistemas ZESS. Prevista para entrar em operação neste ano, esta nova instalação será capaz de produzir até quatro toneladas de Power Paste por ano.



FONTE: https://engenhariahoje.com/tecnologia/cientistas-inventam-pasta-de-hidrogenio-que-pode-substituir-a-gasolina/

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Covid-19: medicamento espanhol (Plitidepsina)reduz quase totalmente carga viral do SARS-CoV-2

Experiências em ratinhos do fármaco plitidepsina (usado em tumores) concluíram, para já, que reduzia em 99% a carga viral do SARS-CoV-2 nos pulmões dos animais. Agora é preciso reproduzir estes resultados em pessoas.

imagem de www.publico.pt

Um medicamento espanhol testado em ratinhos, por cientistas em França e nos Estados Unidos, demonstrou uma redução quase total da carga viral do novo coronavírus, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (25/01/2021) na revista Science.

Em experiências realizadas em animais com o fármaco plitidepsina, medicamento com autorização limitada no tratamento do mieloma múltiplo (um cancro na medula óssea), o resultado foi uma eficácia antiviral e toxicidade prometedoras, segundo a empresa espanhola que o produz, a PharmaMar, com elementos na equipa que assina o artigo científico. Os autores alegam que a plitidepsina é o composto que demonstrou ser mais eficaz nessas experiências e defendem que deve ser testado em ensaios clínicos (em pessoas) alargados.

Em duas experiências animais diferentes em que havia infecção com o SARS-CoV-2, foi alcançada uma redução de 99% das cargas virais nos pulmões tratados com plitidepsina.

Estrutura da plitidepsina
(clique aqui 👆 e saiba mais)

No artigo publicado na Science, os investigadores notam que, embora a toxicidade seja uma preocupação em qualquer antiviral, o perfil de segurança da plitidepsina em humanos está comprovado.

O medicamento age bloqueando uma proteína humana (a eEF1A) que está presente nas células e que é usada pelo novo coronavírus para se reproduzir e infectar outras células. “Acreditamos que os nossos dados e os resultados positivos iniciais do ensaio clínico da PharmaMar sugerem que a plitidepsina deve ser seriamente considerada para ampliar os ensaios clínicos de tratamento da covid-19”, consideram os investigadores em comunicado da empresa desta terça-feira.

"Acreditamos que os nossos dados e os resultados positivos iniciais do ensaio clínico da PharmaMar sugerem que a plitidepsina deve ser seriamente considerada para ensaios clínicos ampliados para o tratamento da covid-19", destacam os pesquisadores.

A empresa recorda, na mesma nota divulgada nesta terça-feira, que diante da contínua propagação global da doença e do crescente desespero para encontrar um tratamento, o diretor do Instituto Quantitativo de Biociências da Universidade da Califórnia, Nevan Krogan, uniu forças com pesquisadores da Universidade da Califórnia, do Instituto Gladstone, da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, do Instituto Pasteur e do Instituto Médico Howard Hughes, para a busca de um tratamento.

No momento, a PharmaMar negocia com vários órgãos reguladores para iniciar os ensaios previstos para a fase III.

FONTEs: 

https://www.publico.pt/2021/01/26/ciencia/noticia/covid19-medicamento-espanhol-reduz-quase-totalmente-carga-viral-sarscov2-1947976

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Plitidepsin

https://www.efe.com/efe/brasil/mundo/antiviral-espanhol-reduz-99-da-carga-viral-do-novo-coronavirus-diz-estudo/50000243-4450105

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

USP desenvolve teste rápido de covid-19 para testagem em massa 💉🩸🧬

Mais barato que os testes de farmácia, o dispositivo também revela anticorpos em quem já tomou vacina contra a covid-19

Biossensor para teste rápido de covid-19 desenvolvido no Instituto de Química de São Carlos da USP é de baixo custo e revela se a pessoa já possui anticorpos – Foto: Karla Castro/ doutoranda do IQSC

Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP desenvolveram um teste rápido para covid-19, com custo aproximado de R$ 30. Até cinco vezes mais barato que os testes convencionais encontrados nas farmácias, que hoje são vendidos por cerca de R$ 140, o dispositivo foi criado para facilitar a testagem em massa no Brasil. A tecnologia também será capaz de revelar se a pessoa que tomou uma determinada dose de vacina já produziu anticorpos.

Denominado Teste Popular de Covid-19, o dispositivo analisa uma gota de sangue retirada do paciente em busca de anticorpos que permitam detectar a doença. A estratégia empregada para baratear sua produção foi otimizar a quantidade de insumos do material e utilizar nanopartículas para a localização dos anticorpos. Desenvolvidas no IQSC, essas nanopartículas possuem uma molécula sonda, que fica na cor vermelha quando entra em contato com algum anticorpo. A molécula foi obtida em parceria com a BioLinker, empresa brasileira de biotecnologia.

Segundo Frank Crespilho, professor do IQSC e coordenador da pesquisa, esse método é muito similar aos encontrados nas farmácias. No entanto, é mais preciso, barato, requer menos reagentes e pode ser produzido integralmente no Brasil. O docente conta que sua equipe desenvolveu o teste em cerca de quatro meses, o que é considerado tempo recorde. Agora, de acordo com Crespilho, a ideia com a nova tecnologia é favorecer as populações mais vulneráveis:

“Temos que pensar na população brasileira, esse é o papel da USP. Todos os dias acordo feliz por ter o privilégio de coordenar uma equipe que está trabalhando incessantemente para produzir ciência de alto nível. A proposta é fazer uma análise em massa da população, com um custo bem mais competitivo e viável para a nossa realidade econômica.”

Crespilho é coordenador do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces do IQSC, coordenador da Rede MeDiCo, a Rede de Pesquisa em Covid-19 USP/Capes, recentemente aprovada em edital de seleção emergencial da Capes, e vice-coordenador do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA), Polo de São Carlos.

Os testes já estão em fase de validações e, atualmente, a leitura e interpretação dos resultados são realizadas em aproximadamente 10 minutos – Foto: Karla Castro/ doutoranda do IQSC

A doutoranda Karla Castro, do IQSC e pesquisadora da rede MeDiCo, também participou do estudo. “Estamos buscando inovar em aspectos tecnológicos que permitam a realização de testes de uma forma mais rápida, não perdendo sua seletividade e especificidade. O procedimento de testagem utilizado no Teste Popular de Covid-19 da USP é de fácil execução e não demanda estrutura laboratorial. Os testes já estão em fase de validações e, até o presente momento, a leitura e interpretação dos resultados são realizadas em aproximadamente 10 minutos”, diz a cientista.

Os pesquisadores explicam que o novo teste traz um caráter inovador, pois ele será capaz de revelar se o indivíduo produziu anticorpos após receber uma determinada dose de vacina, podendo auxiliar o médico a identificar a necessidade de acompanhamento do paciente no processo de imunização. Além disso, o dispositivo permitirá ainda o rastreamento de imunidade de variantes do vírus.

Mona Oliveira, chefe científica e fundadora da BioLinker, empresa parceira no estudo, diz que será possível, baseando-se neste primeiro resultado, desenvolver novas moléculas específicas e produzir os insumos biotecnológicos de forma rápida, com baixo custo e alta performance. “Nosso objetivo é viabilizar a aplicação de testagem em massa. O grupo do professor Crespilho é referência internacional em desenvolvimento de biossensores e nosso colaborador em projetos de pesquisa aplicada e inovação. Com a pandemia, vimos uma excelente oportunidade em participar do desenvolvimento dos bioligantes (moléculas sondas) para detecção de anticorpos do coronavírus”, finaliza Mona Oliveira.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O teste já está pronto para produção em larga escala e passará, em breve, pela regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa é de que o produto esteja disponível para comercialização em até dois meses.

Por Henrique Fontes, da Assessoria de Comunicação do IQSC

Mais informações: e-mail  jornalismo@iqsc.usp.br, com Henrique Fontes

FONTE: https://jornal.usp.br/ciencias/usp-desenvolve-teste-rapido-de-covid-19-para-testagem-em-massa/?utm_campaign=redes-sociais%3A012021%3Ae&utm_medium=social-organic&utm_source=facebook%3Anewsfeed

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Água de Fukushima teria carbono radioativo capaz de afetar o DNA 🧬💡⚠️📣

 

Imagem de www.tecmundo.com.br/ciencia

Enquanto se esgota o espaço nos 1.044 tanques de armazenamento na usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, a discussão sobre o que fazer com 1,23 milhão de toneladas de água contaminada ganhou nesta semana mais um elemento contra o seu despejo no mar. Segundo a organização de direitos ambientais Greenpeace, a água contém carbono radioativo com potencial para danificar o DNA humano.

Desde o grande terremoto e subsequente tsunami que destruíram boa parte da usina, a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) vem bombeando dezenas de milhares de toneladas de água como forma de resfriar os reatores danificados. Essa água, mais a água subterrânea e a da chuva que penetra diariamente na planta são armazenadas. O governo japonês (e isso inclui o ministro do Meio Ambiente) diz que a única solução para resolver a falta de espaço é lançar a água no Oceano Pacífico.

Imagem de www.tecmundo.com.br/ciencia

“Não podemos adiar a questão para sempre", disse o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga. Segundo o ministro da Indústria Hiroshi Kajiyama, “para evitar o atraso no processo de desativação de Fukushima Daiichi, precisamos tomar uma decisão sobre como lidar com a água processada, cujo volume aumenta a cada dia”.

Danos ao DNA

Para o Greenpeace, o sistema de descontaminação usado pelo governo japonês não é o suficiente. Diariamente, 170 toneladas de água fluem para tanques de tratamento da TEPCO, onde ela é processada para eliminar a maioria dos isótopos radioativos – menos o trílio, um isótopo radioativo de hidrogênio que as usinas nucleares diluem e despejam rotineiramente junto com a água nos oceanos.

Porém, o Greenpeace, no relatório Stemming the Tide 2020: The reality of the Fukushima radioactive water crisis, alega que o carbono radioativo contido na água armazenada contaminaria o oceano, “concentrando-se em um nível milhares de vezes superior ao do trítio, com o potencial de danificar o DNA humano”.

O autor do estudo e especialista nuclear sênior do Greenpeace Alemanha, Shaun Burnie, disse à CNN que pode haver um total de até 63,6 GBq (gigabecquerels) de carbono-14 nos tanques de armazenamento. A TEPCO contestou a informação através de seu porta-voz, Ryounosuke Takanori: segundo ele, a concentração de carbono-14 contido na água tratada é de cerca de 2 a 220 becquerels por litro, conforme medido nos tanques.

Três décadas

“Mesmo que a água seja continuamente consumida a uma taxa de dois litros por dia, a exposição anual será em um nível que não afeta a saúde", disse ele, adiantando, porém, que a TEPCO reprocessará toda a água para eliminar o máximo possível os níveis de trítio e demais materiais radioativos. Para Burnie, isso não é o suficiente, já que o sistema usado pela TEPCO não foi projetado para remover o carbono-14.

Duas explosões fizeram falhar os sistemas de resfriamento em três reatores, contaminando toda a região.       Fonte:  Getty Images/Digital Globe/Reprodução 

Quase dez anos depois do desastre, a TEPCO e o governo japonês ocultam informações, e agora não conseguem explicar aos cidadãos de Fukushima, ao Japão e aos países vizinhos, como Coreia do Sul e China, que a água contaminada a ser despejada no oceano Pacífico contém níveis perigosos de carbono-14.

A decisão sobre o despejo da água contaminada no mar será tomada na próxima semana. Em dezembro de 2022, não haverá mais espaço para armazenamento. Antes de ser liberada, a água será diluída até 1/40 da concentração atual, e o descarte levará 30 anos para ser completado.

FONTE: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/205889-agua-fukushima-teria-carbono-radioativo-capaz-afetar-dna.htm

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Melatonina produzida no pulmão impede infecção pelo novo coronavírus 💊💉🩸🧪🩺

Imagem de www.uol.com.br/vivabem

A melatonina produzida no pulmão atua como uma barreira contra o SARS-CoV-2, impedindo a expressão de genes codificadores de proteínas de células como os macrófagos residentes, presentes no nariz e nos alvéolos pulmonares, e as epiteliais, que revestem os alvéolos pulmonares e são portas de entrada do vírus. Dessa forma, o hormônio impossibilita a infecção dessas células pelo vírus e, consequentemente, a ativação do sistema imunológico, permitindo que o novo coronavírus permaneça por alguns dias no trato respiratório e fique livre para encontrar outros hospedeiros.



Fúrmulas (estrutural e 3D) da Melatonina (clique aqui para saber mais)

A descoberta, realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), ajuda a entender por que há pessoas que não são infectadas ou que estão com o vírus, detectado por teste do tipo RT-PCR, e não apresentam sintomas de COVID-19. Além disso, abre a perspectiva de uso da melatonina administrada por via nasal - em gotas ou aerossol - para impedir a evolução da doença em pacientes pré-sintomáticos. Para comprovar a eficácia terapêutica do hormônio contra o novo coronavírus, porém, será necessária a realização de uma série de estudos pré-clínicos e clínicos, sublinham os autores do estudo.

Os resultados do trabalho, apoiado pela FAPESP, foram descritos em artigo publicado na revista Melatonin Research.

"Constatamos que a melatonina produzida pelo pulmão atua como uma 'muralha' contra o SARS-CoV-2, impedindo que o patógeno entre no epitélio, que o sistema imunológico seja ativado e que sejam produzidos anticorpos", diz à Agência FAPESP Regina Pekelmann Markus, professora do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenadora do projeto. "Essa ação da melatonina do pulmão também deve ocorrer com outros vírus respiratórios, como o da influenza", estima.

Os trabalhos da pesquisadora com melatonina foram iniciados nos anos 1990. Por meio de estudo com roedores, Markus demonstrou que o hormônio produzido à noite pela glândula pineal, no cérebro, com a função de informar o organismo que está escuro e prepará-lo para o repouso noturno, poderia ser produzido em outros órgãos, como no pulmão. Em um estudo também com roedores, publicado no início de 2020 no Journal of Pineal Research, a pesquisadora e colaboradores mostraram que os macrófagos residentes, presentes no espaço aéreo pulmonar, absorvem (fagocitam) partículas de poluição.

Esse estímulo agressivo induz a produção de melatonina e de mais moléculas pelos macrófagos residentes, capazes de internalizar o material particulado no ar respirado pelos animais, e estimula a formação de muco, tosse e expectoração, de modo que essas partículas sejam expelidas do trato respiratório. Ao bloquear a síntese da melatonina pelos macrófagos residentes, os pesquisadores observaram que as partículas entraram na circulação e foram distribuídas por todo o organismo, incluindo o cérebro.

Com base nessa constatação de que a melatonina produzida no pulmão altera as portas de entrada de partículas de poluição, a pesquisadora e colaboradores decidiram avaliar, agora, se o hormônio desempenharia a mesma função em relação ao SARS-CoV-2. "Se isso acontecesse, o vírus também não ficaria disponível para se ligar ao receptor ACE2 das células, entrar no epitélio e desencadear a infecção", explica Markus.

Análise de expressão gênica
Para testar essa hipótese, os pesquisadores analisaram um total de 455 genes associados na literatura a comorbidades relacionadas à COVID-19, interação do SARS-CoV-2 com proteínas humanas e portas de entrada do vírus, identificados em trabalhos como os realizados por Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP e um dos autores do estudo. Desse total, foram selecionados 212 genes envolvidos na entrada do novo coronavírus em células humanas, tráfego intracelular, atividade mitocondrial e processo de transcrição e pós-tradução, para criar uma assinatura fisiológica da COVID-19.

A partir de dados de bancos de sequenciamento de RNA foi possível quantificar os níveis de expressão dos 212 genes que compuseram a chamada "assinatura COVID-19" em 288 amostras de pulmão saudáveis.

Ao correlacionar a expressão desses genes com um índice chamado MEL-Index - que estima a capacidade do pulmão de sintetizar melatonina, baseado na análise do órgão de roedores saudáveis -, os pesquisadores constataram que quanto menor o índice, maior era a expressão de genes que codificam as proteínas de macrófagos residentes e de células epiteliais.

O MEL-Index também se correlacionou negativamente com os genes que modificam as proteínas do receptor celular CD147, que é uma porta de entrada em macrófagos e outras células do sistema imunológico, indicando que a produção normal de melatonina do pulmão pode ser relevante para lidar com a invasão do vírus.

Os resultados foram corroborados por um teste de correlação de Pearson - que mede o grau da correlação entre duas variáveis de escala métrica -, além de uma análise de enriquecimento de conjunto de redes e de uma ferramenta de rede que integra a conectividade entre os genes mais expressos, permitindo comparar um mesmo conjunto de gene em diferentes estados, desenvolvida pelo pesquisador Marcos Buckeridge, professor do IB-USP e um dos autores do estudo.

"Vimos que quando o MEL-Index era alto as portas de entrada do vírus no pulmão ficavam fechadas e, quando estavam baixo, essas portas ficavam abertas. Quando as portas estão fechadas, o vírus fica vagando um tempo pelo ar pulmonar e depois tenta escapar para encontrar outro hospedeiro", afirma Markus.

Como a melatonina produzida pelo pulmão inibe a transcrição desses genes codificadores de proteínas dessas células que são portas para entrada do vírus, a aplicação de melatonina diretamente no pulmão, em gotas ou aerossol, permitiria bloqueá-lo. Mas isso ainda demandará uma série de estudos, ponderam os pesquisadores.

Outra ideia é utilizar o índice de melatonina pulmonar como um biomarcador de prognóstico para detectar portadores assintomáticos do SARS-CoV-2.

O artigo Melatonin-Index as a biomarker for predicting the distribution of presymptomatic and asymptomatic SARS-CoV-2 carriers (DOI: 10.32794/mr11250090), de Pedro A. Fernandes, Gabriela S. Kinker, Bruno V. Navarro, Vinicius C. Jardim, Edson D. Ribeiro-Paz, Marlina O. Córdoba-Moreno, Débora Santos-Silva, Sandra M. Muxel, Andre Fujita, Helder I. Nakaya, Marcos S. Buckeridge e Regina P. Markus, pode ser lido na revista Melatonin Research.

FONTEs: 
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/01/08/melatonina-produzida-no-pulmao-impede-infeccao-pelo-novo-coronavirus.htm

https://www.melatonin-research.net/index.php/MR/article/view/109

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS (da forma boa e construtiva)

Por Othon de Carvalho

Técnicas Fundamentais em Lidar com as Pessoas

1.             Não critique, Não condene, Não se queixe;
2.             Dê apreciação honesta e sincera;
3.             Desperte na outra pessoa um desejo ardente (de viver, de fazer o melhor, de colaborar,...).

 

Seis Formas de Fazer com que Gostem de Si

1.             Torne-se genuinamente interessado em outras pessoas;
2.             Sorria;
3.             Lembre-se que o nome de uma pessoa é, para essa pessoa, o som mais doce e importante em qualquer língua;
4.             Seja um bom ouvinte. Encoraje os outros a falarem deles próprios;
5.             Fale em termos de interesse da outra pessoa;
6.             Faça a outra pessoa sentir-se importante − e faça-o sinceramente;
7.             Seja humilde;
8.             Não menospreze ninguém.


Doze Formas de Atrair Pessoas à Sua Forma de Pensar

1.             A única forma de receber o melhor de um argumento é evita-lo;
2.             Mostre respeito pelas opiniões da outra pessoa. Nunca diga "Está Incorreto/Errado.";
3.             Se está incorreto, admita-o rapidamente e com empatia;
4.             Comece de uma forma amigável;
5.             Inicie com perguntas a que a outra pessoa irá responder sim;
6.             Deixe a outra pessoa fazer uma grande parte do falar;
7.             Deixe a outra pessoa sentir que a ideia é dele ou dela;
8.             Tente honestamente ver as coisas do ponto de vista da outra pessoa;
9.             Seja compreensivo com as ideias e desejos da outra pessoa;
10.         Apele aos motivos mais nobres;
11.         Dramatize as suas ideias;
12.         Coloque um desafio.

 

Seja um Líder: Como Mudar Pessoas Sem Causar Ofensa ou Ressentimento

1.             Comece com louvor e apreciação honesta;
2.             Chame atenção aos erros das pessoas indiretamente;
3.             Fale dos seus próprios erros antes de criticar a outra pessoa;
4.             Faça perguntas em vez de dar ordens diretas;
5.             Permita à outra pessoa manter-se bem vista;
6.             Dê louvor a todas as melhorias;
7.             Dê à pessoa uma boa reputação para assegurar;
8.             Use encorajamento. Faça a falha parecer fácil de corrigir;
9.             Faça a outra pessoa feliz em fazer aquilo que está a sugerir.


Trechos que retirei do livro de Dale Carnegie Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas - Tradução feita pelo Fernando Tude de Souza e lançado no Brasil pela Editora Nacional em 1958.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Pensando e (Re)pensando o Ensino de Química

Feliz ano novo pessoal!! Que 2021 venha efetivamente, e que todos possamos por em prática os aprendizados de 2020...👋👏💕
E hoje iniciaremos com chave de ouro... colegas docentes vejam esse post com atenção e carinho!!


por KAROLINE S. TARNOWSKI

Gostaria de compartilhar com vocês um artigo que gostei muito quando li 😍 e me foi sugerido numa disciplina da graduação. Ele é um relato de professores de Química sobre as experiências que eles tiveram após trabalhar os assuntos iniciais de Química com os alunos do Ensino Médio e acredito que possa nos inspirar no preparo de nossas aulas! 😊

Imagem quimicaempratica.com

Na verdade, ao reler o texto 7 meses depois para escrever este post para vocês, percebi que já havia sido inspirada por algumas ideias em outras aulas que preparei, como, por exemplo, ao representar nas equações químicas os nomes das substâncias e em seguida representá-las com sua fórmula química. Como fizemos nos slides representados abaixo, de outras aulas anteriores.

                                                          Imagem quimicaempratica.com

Bom, Mas que artigo é esse?, vocês devem estar se perguntando! Enrolei, enrolei e não falei. É o Repensando a Química, do professor Otavio Aloisio Maldaner e da professora Maria do Carmo Tocci Piedade, publicado pela revista Química Nova na Escola em maio de 1995 na seção Relatos em Sala de Aula. Apesar de esse artigo ter mais de 20 anos (e, portanto, ser mais velho do que a pessoa que vos escreve 😮) ainda o considero atual. Leiam vocês também e me contem o que vocês acham, sim? 😊 Para os que não gostam muito de ler artigos por serem extensos, já adianto que esse tem apenas 5 páginas 😋.

         Vocês podem ler e/ou baixar diretamente clicando aqui: Repensando a Química.

Como disseram os autores, eles gostariam de iniciar o ensino de Química de modo que ele proporcionasse a possibilidade dos alunos aprenderem de fato a Química. Por isso, segundo eles, não tinham por objetivo que os estudantes repetissem simplesmente suas definições ou seus exemplos, usando fórmulas ou palavras vazias de significados.

Eles acreditam que o mundo natural e tecnológico poderia proporcionar bons momentos de reflexão e também de interação com os alunos, possibilitando que eles atribuíssem os primeiros significados à Química. Gostei quando eles disseram que se fossem professores tradicionais, dariam uma definição para a Química, mas que se fossem professores tradicionais ingênuos, acreditariam que o aluno saberia o que é a Química a partir dessa definição, principalmente se ele respondesse certo na prova.

Imagem quimicaempratica.com

Isso me fez lembrar de um vídeo da Mafalda, onde a professora fica conjugando os verbos, mas imaginei os professores ditando definições para Química tal como essa professora, esperando que isso causasse algum impacto na vida do aluno. Na verdade, simplesmente aulas desse tipo são muito chatas, né? ZzZzZzZ Ninguém merece 😴.


Enfim! Os professores conversaram com os alunos a respeito dos materiais do cotidiano, onde os estudantes listaram os materiais que pensavam ser artificiais ou naturais. Além disso, após terem constituído essa primeira noção sobre Química, eles iniciaram um trabalho mais sistemático sobre reações químicas, utilizando a combustão para tanto.

                                                        Imagem quimicaempratica.com

Sobre ela e quantidades dos reagentes, o que também achei interessante e que não tinha pensado até ler este artigo, é trabalhar com velas ou tampinhas contendo etanol, mas variando os recipientes de vidro onde elas estão inseridas, para que na combustão houvesse a variação também da quantidade de oxigênio!

imagem - blog de ciências português Pequenos Cientistas Sanjoaneses.

Quando li a sugestão fiquei surpresa, porque nunca havia pensado nisso! 😆 E geralmente os alunos associam a combustão a simplesmente um reagente, desconsiderando a total importância do oxigênio, por ser invisível. Vocês já tinham pensado nessa variação do tamanho dos recipientes para variar a quantidade de O2 numa combustão? 😃😃😃😃

                                                          Imagem quimicaempratica.com

Bem, leiam o artigo (porque há mais informações do que as que trouxe aqui) e a aula proposta e comentem… Queria saber a opinião de vocês! 😊 Mesmo que não concordem com tudo que falei ou com as aulas propostas, haha.

FONTE: https://quimicaempratica.com/2016/04/29/repensando-a-quimica/